Publicada em 22/01/2026 às 09h14
De uma cidade conectada pela Amazônia profunda a um polo de oportunidades no Norte, Porto Velho, capital de Rondônia, se consolidou no mapa do agro com estradas melhores, acesso a mercados e um ambiente mais favorável à agricultura familiar. Nesse processo, a Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric), atua com políticas públicas voltadas às famílias que cultivam o solo e garantem a produção de alimentos que chegam diariamente à mesa da população urbana. A trajetória do agricultor Abrelino Alves, morador do distrito de Extrema, reflete essa transformação vivida pelo município ao longo de seus 111 anos.
Filho de agricultor, Abrelino é natural do Rio Grande do Sul e chegou a Rondônia em 1986, vindo do Paraná com a esposa, Helena Alves, e os filhos, em busca de um pedaço de terra para trabalhar. Em 1998, vendeu a casa que possuía na cidade e adquiriu o primeiro lote em Extrema, onde criou os filhos e construiu seu patrimônio.
“Quando cheguei, muita gente dizia que Rondônia era perigosa, mas eu queria um pedaço de chão. Fui ficando, trabalhando, comprando e aumentando a propriedade”, relembra.
Trabalho, adaptação e diversificação no campo
No início, Abrelino cultivava diferentes culturas até compreender a dinâmica do mercado local. Aprendeu a produzir farinha, colher castanha, participar de associações e diversificar a produção como estratégia de permanência e crescimento no campo. “Quem tem terra nunca passa necessidade. Da terra a gente tira tudo. Aqui aprendi a trabalhar com castanha, fazer farinha e viver da agricultura”.
Com o tempo, o cultivo da mandioca, do café e da castanha se consolidou como base da produção, impulsionado pela melhoria da logística e pelo crescimento do distrito, que reduziram a distância entre o campo e a cidade.
Agrofloresta, qualidade e renda sustentável
Atualmente, Abrelino trabalha com sistema de agrofloresta em uma área de oito hectares, sendo cinco destinados ao cultivo de café consorciado com castanheira. A propriedade também conta com cacau clonal e produção de mel, integrando floresta, produção e renda. “Eu cultivo a floresta porque ela traz retorno. O café melhora, a castanha produz e tudo o que a gente investe volta”.
O cuidado com a pós-colheita e a busca por qualidade levaram o café da propriedade a obter boa avaliação em eventos como a Agrotec – 1ª Feira Tecnológica de Agroindústria e Agricultura Familiar, fortalecendo a renda da família.
Semagric ao lado de quem produz
A Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric) tem sido parceira de trajetórias como a de Abrelino, com apoio técnico, distribuição de mudas de café, incentivo a sistemas produtivos sustentáveis e facilitação do acesso a mercados. O primeiro plantio de café da propriedade foi viabilizado com suporte da secretaria, marcando um passo importante para a consolidação da atividade.
Segundo o secretário municipal de Agricultura, Rodrigo Ribeiro, o exemplo do produtor representa o caminho do desenvolvimento rural em Porto Velho. “Histórias como a do seu Abrelino mostram que tecnologia e sustentabilidade caminham juntas. Nosso papel é estar presente no campo, oferecendo condições para que o produtor aumente a produção, reduza custos e tenha renda com qualidade”.
Campo, cidade e futuro integrados
Com estradas melhores, serviços ampliados e distritos em crescimento, o escoamento da produção se tornou mais eficiente, fortalecendo a economia rural e aproximando o campo da mesa do consumidor. Para Abrelino, o futuro do município é promissor. “Hoje está mais fácil produzir e vender. Porto Velho é lugar de futuro. Quem tem terra aqui tem oportunidade”.
Aos 80 anos, o agricultor segue ativo e orgulhoso da terra que cultiva. Sua história se soma à do município e reforça que Porto Velho avança quando investe em quem produz, fortalecendo a agricultura familiar como base do desenvolvimento sustentável.



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