Publicada em 27/01/2026 às 10h08
As autoridades iranianas estão forçando muitas pessoas a fazer confissões forçadas na televisão, como parte de uma campanha de repressão que também deixou milhares de mortos nas ruas, segundo o grupo de direitos humanos Human Rights Activists News Agency (HRANA).
Para o grupo, ao menos 240 "confissões forçadas" foram transmitidas pela televisão estatal iraniana nas últimas semanas, um número "sem precedentes".
O fenômeno ocorreu após milhares de pessoas serem detidas nos protestos que abalaram o regime teocrático.
Interrogados por um "entrevistador", os detidos aparecem confessando uma série de supostos crimes, como agredir integrantes das forças de segurança, aceitar dinheiro de elementos monarquistas ou inimigos do Irã, ou até compartilhar imagens com organismos proibidos ou veículos de imprensa.
Há casos em que algumas pessoas foram acusadas de seguir contas de opositores nas redes sociais.
Segundo ativistas, as supostas confissões são obtidas por meio de tortura psicológica e física e constituem uma tática que as autoridades iranianas já usaram no passado contra detidos que, em alguns casos, acabaram executados.
A Anistia Internacional classifica o material como "vídeos propagandísticos" e afirma ter recebido relatos de que as "autoridades obrigam os detidos a ler 'confissões' forçadas de crimes que não cometeram, assim como de atos de dissidência pacífica".
A relatora especial da ONU para direitos humanos no Irã, Mai Sato, disse ao Conselho de Direitos Humanos da ONU que as "confissões falsas" buscam "reforçar a narrativa do Estado de que os manifestantes são criminosos perigosos".



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