Publicada em 10/01/2026 às 10h46
As regras para concessão de empréstimos seguem critérios legais e variam conforme a idade, a capacidade civil e o tipo de contrato, exigindo comprovação de renda e responsabilidade jurídica
A procura por crédito tem aumentado entre os brasileiros, especialmente entre os mais jovens. Dados da Serasa Experian indicam que, em 2024, houve um crescimento de 27% nas solicitações de empréstimos por pessoas entre 18 e 25 anos, movimento impulsionado pela popularização das plataformas digitais e pela necessidade de equilibrar o orçamento diante do aumento do custo de vida.
Apesar desse avanço, o acesso ao crédito não é irrestrito. O sistema financeiro brasileiro adota regras claras para a formalização de contratos, que levam em conta a idade do solicitante e sua capacidade legal de assumir compromissos financeiros. Mais do que um critério etário, trata-se de garantir segurança jurídica tanto para o consumidor quanto para as instituições financeiras.
Qual é a idade mínima para contratar um empréstimo
No Brasil, a idade mínima para contratar um empréstimo é 18 anos, conforme estabelece o Código Civil. A partir dessa idade, a pessoa passa a ter capacidade civil plena, podendo firmar contratos e responder legalmente por suas obrigações financeiras.
Jovens de 16 e 17 anos podem acessar crédito apenas em situações específicas, quando há emancipação legal. Esse processo precisa ser formalizado em cartório e constar nos documentos oficiais, permitindo ao adolescente realizar atos da vida civil, como abrir conta bancária, financiar bens ou contratar empréstimos.
Já menores de 16 anos são considerados absolutamente incapazes para firmar contratos financeiros. Nessas situações, qualquer operação envolvendo crédito deve ser realizada por um responsável legal e sempre com finalidade direta em benefício do menor, como ocorre em aplicações financeiras educacionais.
Quais critérios os bancos analisam antes de liberar crédito
A idade é apenas um dos fatores avaliados na concessão de empréstimos. As instituições financeiras também analisam a renda, o histórico de crédito e a capacidade de pagamento do solicitante. O objetivo é reduzir o risco de inadimplência e garantir que as parcelas não comprometam o orçamento do cliente.
De acordo com orientações do Banco Central, as políticas de crédito devem ser transparentes e baseadas na análise de risco. Por isso, bancos costumam solicitar comprovantes de renda, extratos bancários ou declarações de imposto de renda, além de consultar cadastros de proteção ao crédito.
Para jovens adultos que ainda estão construindo histórico financeiro, algumas modalidades costumam ser mais acessíveis. Linhas de crédito voltadas a estudantes, estagiários ou trabalhadores com renda formal tendem a ter critérios mais flexíveis e juros reduzidos, especialmente quando há desconto direto em folha ou em benefício.
Existe idade máxima para contratar empréstimos
A legislação brasileira não estabelece uma idade máxima para a contratação de crédito. No entanto, bancos e financeiras costumam adotar limites próprios, que variam conforme o tipo de operação e o prazo de pagamento.
Em empréstimos tradicionais, muitas instituições fixam a idade máxima em torno de 80 anos ao final do contrato. No caso do empréstimo consignado, bastante utilizado por aposentados e pensionistas, esse limite costuma ser mais elevado, chegando a 85 anos, já que o risco de inadimplência é menor devido ao desconto automático na renda.
Segundo dados da Febraban, pessoas com mais de 60 anos representam cerca de 35% dos tomadores de crédito pessoal no país, reflexo da estabilidade de renda e da oferta de produtos financeiros direcionados a esse público.
Jovens, crédito e educação financeira
Com a expansão das fintechs e dos serviços bancários digitais, o público jovem passou a ter acesso mais rápido e simples a linhas de crédito. Embora essa facilidade traga vantagens, especialistas alertam para os riscos do endividamento precoce.
Uma pesquisa da CNDL aponta que cerca de um em cada quatro jovens entre 18 e 24 anos já possui alguma dívida em atraso, muitas vezes relacionada ao uso inadequado de crédito pessoal e cartão. Por isso, a educação financeira se torna essencial antes de assumir compromissos de longo prazo, ajudando a compreender o impacto dos juros e das parcelas no orçamento mensal.
Quando o empréstimo pode ser uma escolha estratégica
O crédito pode ser um recurso útil quando utilizado de forma planejada. Ele pode ajudar na organização das finanças, na consolidação de dívidas ou no investimento em projetos pessoais e profissionais. A escolha da modalidade adequada faz toda a diferença para evitar problemas futuros.
Entre as alternativas disponíveis, o empréstimo com garantia de veículo tem ganhado espaço. Nessa modalidade, o consumidor utiliza um carro quitado como garantia, o que reduz o risco para a instituição e resulta em juros mais baixos. Segundo a Serasa, esse tipo de crédito registrou crescimento de 34% em 2024, especialmente entre autônomos e pequenos empreendedores.
Com a garantia, é possível obter valores mais altos, prazos mais longos e taxas médias em torno de 1,5% ao mês, bem abaixo das praticadas no crédito pessoal tradicional, que frequentemente superam 6% mensais.
Planejamento é fundamental em qualquer idade
Independentemente da faixa etária, contratar um empréstimo exige análise cuidadosa e responsabilidade. Especialistas recomendam que o valor das parcelas não ultrapasse 30% da renda líquida mensal, preservando o equilíbrio financeiro.
Comparar propostas, avaliar o Custo Efetivo Total (CET) e verificar a reputação da instituição são passos essenciais antes de fechar qualquer contrato. Em um mercado cada vez mais digital e competitivo, o consumidor precisa estar atento para evitar ofertas abusivas ou condições pouco transparentes.
O crédito pode ser um aliado importante tanto para quem está iniciando a vida financeira quanto para quem busca reorganizar o orçamento em fases mais avançadas da vida. No entanto, compreender a idade legal para contratar um empréstimo e planejar o uso do crédito com responsabilidade são fatores decisivos para transformar essa ferramenta em uma solução, e não em um problema.



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