Por Magna Dos Anjos Queiroz
Publicada em 06/02/2020 às 08h30
Neste capitulo o autor, retrata uma análise da atuação dos parlamentares evangélicos dentro de um contexto específico, denominado a Frente Parlamentar Evangélica, ao passo que a temática central a ser desenvolvida está dentro do campo de estudo da participação e engajamento político no cenário interno à Câmara dos Deputados em Brasília, onde se busca verificar a atuação da Frente Parlamentar Evangélica (FPE) dentro da Casa.
O principal enfoque desta associação suprapartidária quanto à sua efetiva atuação seja na aprovação de projetos de lei que são condizentes com suas propostas defendidas àqueles contrários aos princípios e valores defendidos pela Frente Evangélica, o projeto se divide em quatro partes principais: a primeira que busca esclarecer de forma conceitual as principais e essenciais definições utilizadas na Ciência Política. Por meio da revisão bibliográfica utilizou – se de estudos de vários autores conceituados para corroborar definições e esclarecimentos acerca do sistema político brasileiro; como também aborda o funcionamento de sua dinâmica legislativa.
A mídia brasileira utiliza “Bancada Evangélica” como sinônimo de “Frente Parlamentar”, entretanto, existe uma diferença entre “bancada” e “frente parlamentar”, onde o autor explica que a denominação “bancada” é mais adequada no caso de partidos e coligações, pois nesses grupos é presumível uma unidade programática e a presença de uma liderança efetiva representando os membros e exercendo sua voz e voto em alguns momentos. Uma bancada pode “fechar questão”, votando em bloco sobre determinado tema.
Na visão do autor a Frente Parlamentar, constitui uma associação de parlamentares que se define para defender projetos especificamente de uma área e assim, esta é uma instituição com personalidade jurídica, estatuto próprio e regimento interno. A Frente Parlamentar Evangélica se organiza a partir de reuniões semanais, onde os assessores, todos voluntários, informam sobre os projetos em tramitação, que deverão receber análise especializada. Para a devida análise, ocorre a divisão de parlamentares por áreas temáticas, ficando sob a responsabilidade de cada um deles a análise especializada de projetos específicos, a fim de elaborar um parecer para servir de orientação de voto para os demais membros da Frente Parlamentar Evangélica.
Após a elaboração dos pareceres pelos parlamentares designados, de acordo com suas áreas de formação ou especialização, a assessoria prepara discursos específicos e os distribui aos deputados participantes das comissões que os discutem para justificar seus votos e nas reuniões são utilizadas para tomar decisões e fazer encaminhamentos sobre procedimentos diversos: solicitação de requerimentos de informação, audiências, sendo possível afirmar que maioria deles provém de camadas médias e populares da população brasileira, compartilhando, portanto, a mesma classe social que os fiéis de suas igrejas.
Existe uma preferência, por parte das igrejas por candidatos que sejam atuantes na sua denominação enquanto liderança religiosa, a fim de preservar os valores defendidos pela denominação religiosa, com a finalidade defender interesses religiosos, diversas são as formas de mobilização da Frente Parlamentar Evangélica.
Os parlamentares acreditam que estão fornecendo elementos necessários para o envolvimento dos fiéis em temas específicos, como, por exemplo, aborto, drogas, pedofilia, casamento homossexual, em reuniões com pastores o objetivo principal é difundir ideias e convencer, a partir do ponto de vista moral-cristão, a gravidade de alguns pontos e da importância de se eleger parlamentares que os possam representar no Congresso lutando para que os projetos que, no seu entendimento, atentam contra a vida, a família e os bons costumes, não sejam aprovados. O cenário político brasileiro, nos últimos anos, tem se caracterizado pela quantidade de criação de frentes parlamentares.
O principal intuito na criação de uma frente parlamentar é possibilitar ‘espaços’ de ‘opinião mobilizada’ na definição e imposição de interesses no espaço político, significando uma “articulação” ou agrupamento que envolve tanto deputados como senadores, com afinidade com o “problema” em questão, ou seja, o tema e a definição da “questão” ressaltam que essa articulação entre parlamentares também pode expandida para representantes do poder Executivo que, de alguma forma, tenham alguma relação com a questão.
As frentes parlamentares não apresentam unidade política, pertencem a diferentes igrejas e partidos, de tal modo como não há um apoio nas criações dos projetos de leis entre os vereadores evangélicos. Os vereadores evangélicos da Assembleia e Deus apresentam diferentes filiações partidárias e a organização religiosa não interfere na atividade parlamentar de seus representantes nem orienta como cada um deve voltar, com exceção ao se tratar de pautas relacionadas aos interesses das igrejas e questões morais. Sem dúvida a visibilidade religiosa, midiática e política dos evangélicos nos chamam a atenção principalmente pelo uso da midiatização.
O cenário político brasileiro tem se caracterizado pela expressiva criação de frentes parlamentares que representa uma configuração específica dos modos de relacionamento entre a atuação de grupos de interesse e o espaço político. A dificuldade em se reunir; oposição à aprovação de projetos que ferem os preceitos bíblicos; o apoio da Casa Legislativa de onde agregam, são características comuns entre as frentes parlamentares distribuídas pelo país. A aproximação entre o campo político, religioso e midiático proporcionam estratégias persuasivas a partir de práticas simbólicas geradoras de um conhecimento social específico, direcionadas para uma compreensão do mundo comprometidas com ideias que fazem parte do prêmio concedido pelas conquistas no campo político como o reconhecimento e a notoriedade que muitas vezes extrapola a Casa Legislativa e ganha espaço na sociedade.
A identidade litúrgica das Assembleias estaria mais voltada para a oração do que para qualquer outra experiência de suas celebrações e a Declaração de fé é um documento institucional, sem dúvida relevante, mas seria necessário avançarmos em reflexões teológicas acadêmicas dos próprios assembleianos sobre os ritos e celebrações que constituem pauta em nosso objeto de estudo. No entanto, temos um problema: a escassez de estudos sobre esse tema específico. Não há uma obra específica que fundamente uma teologia do culto assembleiano ou uma teologia litúrgica representativa das Assembleias de Deus, em qualquer dos blocos nacionais, no entanto, mesmo com essa lacuna de uma teologia formalizada, e mesmo com a notável pluralidade das novas práticas inseridas no culto assembleiano em tempos mais recentes, é possível percebermos alguns elementos predominantes de continuidade com a antiga tradição dessa Igreja, independente do ministério ou convenção oficial.
Entre a unidade e a diversidade que existem nas expressões dos pentecostalismos no Brasil, vale ratificar que o culto é uma dimensão teologicamente privilegiada para a identidade pentecostal brasileira clássica. Isso abrange não só as Assembleias de Deus, como, de certo modo, também a Congregação Cristã no Brasil, pois o que acontecia nas reuniões dessas duas Igrejas não ocorria, pelo menos não do mesmo modo, nas demais.

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