PORTO VELHO, RO – O deputado federal Lúcio Mosquini (PL), coordenador da equipe de transição do governador eleito de Rondônia, Marcos Rogério (PL), revelou, em entrevista exclusiva, que um levantamento identificou 505 policiais militares cedidos a outros órgãos, além de profissionais da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros e da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus). Segundo o parlamentar, os atuais atos de cessão serão cancelados pela próxima administração estadual, que pretende reavaliar a distribuição desses servidores e identificar quais atividades justificam a permanência de profissionais fora de suas instituições de origem.
Deputado federal mais votado de Rondônia nas eleições de 2026, com mais de 100 mil votos, Mosquini informou que a equipe de transição também identificou 271 cessões já renovadas para 2027. O levantamento, conforme explicou, deverá subsidiar decisões administrativas do governador eleito, especialmente quanto à necessidade de disponibilizar mais profissionais para as atividades de segurança pública.
Ao antecipar as providências previstas para a próxima gestão, o coordenador da transição declarou: “Essas cedências, todas elas, todas serão canceladas pelo governador Marcos Rogério”.
De acordo com os números apresentados por Mosquini, a Polícia Militar concentra a maior quantidade de profissionais cedidos, com 505 integrantes. Outros 106 pertencem à Polícia Civil, 48 ao Corpo de Bombeiros e 40 estão vinculados à Sejus. Somadas, essas quatro categorias representam 699 servidores que, segundo o deputado, atualmente desempenham funções em outras estruturas administrativas.
Durante a entrevista, o parlamentar também mencionou um contingente de 751 profissionais cedidos. Inicialmente, apresentou estimativas de aproximadamente 400 e 540 policiais militares, antes de consultar os dados e especificar o quantitativo de 505 integrantes da corporação. O detalhamento final das quatro categorias totalizou 699 servidores, sem que fosse esclarecida a diferença em relação aos 751 mencionados anteriormente.
Entre os locais que recebem esses profissionais, Mosquini citou a Assembleia Legislativa, o Ministério Público, Tribunal de Justiça, Trinunal de Contas, prefeituras e estruturas vinculadas a deputados. O coordenador informou ainda que determinado órgão, cujo nome não revelou, mantém aproximadamente 70 policiais à disposição. A situação foi apresentada como um dos exemplos que deverão ser considerados na revisão administrativa.
A quantidade de profissionais cedidos foi relacionada pelo deputado à necessidade de reavaliar a disponibilidade do efetivo de segurança pública. Questionado sobre a situação do policiamento ostensivo, Mosquini reconheceu a existência de deficiência de pessoal e explicou que uma das orientações da futura administração será examinar quais servidores podem retornar às atividades de suas corporações.
“O governador Marcos Rogério quer a polícia na rua”, afirmou o parlamentar, ao apresentar a diretriz que, segundo ele, deverá orientar parte das decisões sobre a distribuição dos policiais militares.
O coordenador da transição ressaltou, entretanto, que o cancelamento das autorizações existentes não significa o encerramento definitivo de todas as cessões. A intenção é permitir que a nova administração examine cada situação e decida quais atividades externas às corporações continuam necessárias.
“Não é que nós vamos proibir, mas nós vamos rever”, explicou Mosquini, depois de mencionar os diferentes órgãos que atualmente contam com profissionais cedidos.
Segundo o deputado, a revisão também não será executada por meio de uma retirada indiscriminada de servidores imediatamente após a posse. O próximo governo deverá avaliar as funções desempenhadas, as demandas das instituições e as circunstâncias que justificam a presença de profissionais da segurança pública em determinadas atividades.
“Nós vamos fazer um estudo”, declarou o coordenador, ao esclarecer que as decisões deverão considerar as necessidades específicas de cada órgão.
Entre as situações que poderão justificar a manutenção de policiais em outras instituições, Mosquini destacou a segurança de integrantes do sistema de Justiça. O parlamentar mencionou promotores ameaçados e magistrados expostos a riscos em razão de sua atuação em processos envolvendo organizações criminosas, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Essas circunstâncias, conforme explicou, exigem uma avaliação diferenciada. O objetivo apresentado pelo deputado é revisar as autorizações existentes sem desconsiderar situações nas quais a presença de profissionais de segurança seja necessária à proteção de autoridades ou ao funcionamento de determinadas atividades institucionais.
Outro ponto do levantamento envolve as renovações para o exercício seguinte. Mosquini afirmou que o governador Marcos Rocha vem prorrogando cessões para 2027 e informou que 271 autorizações já teriam sido renovadas. Segundo o coordenador da transição, esses atos serão cancelados pela administração de Marcos Rogério, a quem caberá decidir sobre eventuais novas autorizações após assumir o governo.
Ao contextualizar a situação, o deputado explicou que as cessões normalmente têm encerramento previsto para 31 de dezembro. Também mencionou que a posse do novo governador ocorrerá em 5 de janeiro, diferentemente da data tradicional de 1º de janeiro, relacionando esse intervalo à renovação das autorizações para o próximo exercício.
Questionado sobre a responsabilidade pela execução das medidas anunciadas, Mosquini confirmou que os atos administrativos caberão ao governador eleito, após a posse. Como coordenador da transição, sua atribuição consiste em identificar a situação encontrada, reunir os dados disponíveis e apresentar as informações que orientarão as decisões da nova administração.
Durante a entrevista, o parlamentar também esclareceu que o levantamento não tinha como finalidade estabelecer um confronto com os profissionais cedidos. Segundo ele, a exposição dos números representa uma prestação de informações sobre a situação identificada durante os trabalhos de transição, sem a intenção de promover perseguições individuais.
A revisão anunciada, portanto, deverá envolver o cancelamento das autorizações atuais e a posterior análise das necessidades de cada instituição. Mosquini reiterou que a decisão final sobre a permanência de servidores em outros órgãos será de Marcos Rogério, que poderá avaliar novas cessões conforme as demandas identificadas.
Até a posse do governador eleito, os quantitativos apresentados permanecem como informações fornecidas pelo coordenador da transição. A efetivação das mudanças dependerá dos atos administrativos da próxima gestão, enquanto a continuidade de atividades consideradas necessárias deverá ser examinada individualmente, especialmente nas situações relacionadas à proteção de integrantes do sistema de Justiça.


Comentários
Seja o primeiro a comentar!