Eleições são mesmo surpreendentes. Apesar de várias décadas de jornalismo, principalmente acompanhando política, alguns acontecimentos foram realmente surpreendentes nas eleições em primeiro turno de 4 de outubro, que, inclusive, já definiram o futuro governador de Rondônia, senador Marcos Rogério, presidente regional do PL.
Em Rondônia desde 1993, jamais acreditaria que o senador Flávio Bolsonaro (PL) fosse o vencedor no primeiro turno, superando o presidente Lula da Silva (PT). A eleição de Marcos Rogério no primeiro turno também foi um fato surpreendente, pois a maioria das pesquisas indicava que teríamos segundo turno.
Surpresas nas reeleições dos deputados estaduais Laerte Gomes (PSD/Ji-Paraná), com mais de 31 mil votos; Jean Mendonça (PL-Pimenta Bueno), Nim Barroso (PL/Ji-Paraná), Taíssa Sousa (PL-Guajará-Mirim), Cássio Góes (PSD-Cacoal) e delegado Lucas Torres (PL-Buritis), com 28.231 votos, não por conseguirem mais um mandato, mas pelo volume de votos.
Laerte somou, em 2022, 25.603 votos; agora, 32.241. Nim Barroso, com 7.609 votos, foi o último colocado em 2022 e foi reeleito com 29.662 votos, o segundo mais bem colocado. Mendonça obteve 17.125 votos em 2022 e foi reeleito pela segunda vez com 26.107 votos.
Decepcionantes as votações de Ieda Chaves (União), segunda mais bem votada em 2022, com 24.667 votos, e, em 4 de outubro, com 11.913 votos, menos da metade. O presidente da Ale-RO, Alex Redano (Republicanos-Ariquemes), também reduziu a votação em relação às eleições anteriores, de 19.549 votos para 15.709 votos, e Marcelo Cruz (Avante-PVH), também ex-presidente, de 18.798 votos para 12.048 votos.
Na área federal, destaque para Lúcio Mosquini (PL), que estava na lista de favoritos para a reeleição, mas não com 158.421 votos, proporcionalmente o terceiro mais bem votado do Brasil. O Coronel Chrisóstomo (PL) e Cristiane Lopes (Podemos) sempre realizaram um trabalho silencioso, mas eficiente; as reeleições não foram surpresas. Thiago Flores (União) está na mesma situação de Cristiane e Chrisóstomo: corre por fora, mas sempre chega. Já Joliane Fúria (PSD) se superou. Nas eleições de 2022, somou 24.483 votos, foi a quinta mais bem votada e ficou fora devido à legenda. Este ano, obteve 42.528 votos e está no Congresso Nacional, a exemplo de Jaime Gazola (Podemos), de Porto Velho, de quem se esperava uma boa votação pelo trabalho que realiza há tempos.
O deputado Maurício Carvalho (União) surpreendeu, mas negativamente, pois somou 36.242 votos, pouco mais de 3,6 mil votos em relação às eleições de 2022, apesar de ter em mãos uma enorme equipe de campanha.
A decepção para o Senado foi a deputada federal Sílvia Cristina, presidente regional do PP, sempre apontada nas pesquisas como a mais bem votada e com uma enorme folha de bons serviços prestados à área de saúde no Estado. Ficou na terceira colocação. Foram eleitos o deputado federal Fernando Máximo e o pecuarista Bruno Scheid, ambos do PL, com 570.799 votos e 474.226 votos, respectivamente. Sílvia obteve 304.601 votos e a ex-deputada federal Mariana Carvalho (Republicanos), 207.398 votos. Os demais candidatos não conseguiram atingir mais de 10% dos votos válidos.
A eleição do senador Marcos Rogério, que preside o PL no Estado, nos surpreendeu. Não que fosse o mais bem votado, mas atingir, no mínimo, 50% mais um dos votos válidos era uma missão considerada por nós como impossível. Para Marcos Rogério, não foi. Ele será o governador de Rondônia a partir de 6 de janeiro, quando ocorrerão as posses do presidente da República, dos governadores e dos respectivos vices.
Felizmente, nem sempre as expectativas se consolidam, principalmente na política. Espera-se que os eleitos, no caso, os representantes no Congresso Nacional — os três senadores e os oito deputados —, além dos deputados estaduais, do governador e do vice, deputado Marcos Rogério e deputado Rodrigo Camargo (Podemos), respectivamente, possam realizar ao menos parte do que apresentaram como propostas de campanha, pois temos ciência de que 100% é impossível.
Rondônia é um Estado ainda em formação, uma das poucas, se não a única, fronteiras econômicas do País, onde há muito a ser feito, como fortalecer o agronegócio, investindo na agricultura e na pecuária, na educação, em boas estradas e, principalmente, na saúde, um dos problemas que mais prejudicam o povo.
É necessário formar uma equipe eficiente. Sempre defendemos que, onde houver um técnico na cabeça, o adjunto seja político, e vice-versa. Que sejam pessoas realmente qualificadas para cada função, política ou técnica.
Que os brasileiros saibam escolher seu futuro presidente nas eleições em segundo turno do dia 25. Rondônia já está definida politicamente para o período 2027/30, no voto. A expectativa, agora, é para a equipe do governador Marcos Rogério e do vice, Rodrigo Camargo.


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