Sigla Rússia Unida conquistou 355 das 450 cadeiras na Duma, a câmara baixa do Parlamento russo, em pleito com oposição vetada. Kremlin celebrou resultado e falou em 'coesão' em torno do presidente, já o bloco europeu chamou eleição de 'erosão da democracia'.
O partido Rússia Unida, do presidente Vladimir Putin, conquistou um número recorde de 355 cadeiras na Duma, a câmara baixa do Parlamento russo, que tem 450 assentos, segundo resultados preliminares divulgados nesta segunda-feira (21) pela chefe da comissão eleitoral, Ella Pamfilova.
Com quase todos os votos apurados após a eleição de três dias, da qual não participaram partidos críticos a Putin, os resultados mostraram que o partido presidencial terá uma supermaioria superior ao recorde anterior, registrado em 2016.
Essa eleição era tratada pelo Kremlin como particularmente importante, porque foi a primeira a ser realizada após o início da guerra da Ucrânia. O pleito serviria a Putin e sua equipe para medir o apoio do público russo ao conflito, que está em seu 5º ano sem perspectiva de ser finalizado.
Assim como o restante do aparato estatal russo, o Duma é subordinado ao governo Putin e as eleições parlamentares foram rigorosamente controladas e sem a participação de forças políticas contrárias à guerra na Ucrânia.
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante discurso em 18 de setembro de 2026. — Foto: Sputnik/Alexander Kazakov/Pool via REUTERS
O Kremlin celebrou nesta segunda o resultado da eleição e afirmou que a vitória esmagadora do partido de Putin mostra que os russos apoiam o presidente.
“Esses indicadores apontam, é claro, para o mais alto nível de coesão da sociedade russa em torno do chefe de Estado”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, durante uma entrevista coletiva.
A Comissão Europeia afirmou que as eleições parlamentares russas mostraram uma “erosão contínua e crescente da democracia” e uma “repressão sistemática e institucionalizada” do governo Putin contra a oposição.
“As supostas eleições para a Duma representaram mais um grande retrocesso para a democracia russa. Seu resultado nunca esteve em dúvida. O Kremlin silenciou a dissidência, impediu a participação do único partido registrado que se opunha à sua guerra na Ucrânia e excluiu observadores eleitorais internacionais. O verniz de democracia é tudo o que resta na Rússia”, afirmou a alta representante da UE para a política externa, Kaja Kallas.
A oposição russa afirmou que a votação ficou longe de ser justa.


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