Bruno Scheid (PL) levou para o debate dos candidatos ao Senado, promovido pela TV Norte Rondônia, afiliada do SBT, nesta sexta-feira (11), um discurso abertamente identificado com as principais bandeiras da direita. Escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para disputar uma das vagas de Rondônia, o candidato confrontou o PT, reagiu aos ataques dirigidos ao governo Bolsonaro e colocou segurança pública, endurecimento das leis, oposição à esquerda e enfrentamento político em Brasília no centro de sua participação.
O momento de maior tensão ocorreu quando uma candidata do PT aproveitou o debate sobre saúde para defender Lula e atacar o governo anterior. Bruno não recuou. Na réplica, respondeu diretamente às críticas e deixou clara a posição que pretende assumir caso chegue ao Senado.
“Eu, como senador, não vou lá só pra trazer o que é nosso, não. Vou lá pra combater o PT.”
Antes, Scheid afirmou que o brasileiro “não aguenta mais quatro anos de PT e de Lula”, transformando o confronto em uma divisão clara entre os dois projetos políticos representados no debate.
A segurança pública foi outra área em que Bruno buscou marcar posição ideológica. O candidato defendeu mudanças no Código de Processo Penal, maior respaldo à atuação policial e endurecimento contra criminosos. Para ele, não basta destinar recursos: é preciso mudar as leis que, na avaliação do candidato, dificultam a atuação das forças de segurança.
“A segurança pública de verdade que o rondoniense e o brasileiro precisam não vai acontecer se o Senado e a Câmara não trabalharem pra fazer as alterações necessárias na lei.”
Bruno também criticou mecanismos que, segundo ele, acabam beneficiando criminosos e defendeu que o Congresso dê condições legais para que policiais possam atuar com maior segurança jurídica.
O confronto com a esquerda apareceu novamente quando Scheid colocou em discussão a castração química para estupradores. Ao abordar o tema, citou o posicionamento contrário de partidos do campo progressista a propostas semelhantes.
“Quem votou contra? PT, PSOL e toda a esquerda.”
Na mesma intervenção, Bruno voltou a atacar Lula e Alexandre de Moraes e reforçou sua identificação com o grupo político de Jair Bolsonaro.
A participação de Scheid, entretanto, não ficou restrita ao embate ideológico. Ao discutir infraestrutura e obras inacabadas, ele criticou a maneira como parte da classe política trata recursos públicos e afirmou que emendas parlamentares não pertencem a deputados ou senadores.
“O recurso é destinado para atender a necessidade do rondoniense.”
Bruno defendeu uma bancada federal mais integrada, fiscalização sobre a aplicação do dinheiro público e prioridade para obras consideradas estratégicas para Rondônia. Também citou a necessidade de investimentos na estrutura hospitalar e afirmou que o Senado precisa cobrar resultados concretos dos recursos enviados ao Estado.
Na saúde, Scheid defendeu fiscalização permanente sobre verbas federais e regionalização do atendimento, com fortalecimento da estrutura no interior para reduzir a dependência de Porto Velho. A proposta apresentada por ele é fazer com que pacientes possam receber tratamento mais próximo de suas cidades.
Nas considerações finais, Bruno condensou o discurso que sustentou ao longo do debate: identidade política definida, oposição ao PT e enfrentamento aos setores que considera responsáveis pelos principais problemas nacionais.
“Pra enfrentar o PT, pra enfrentar o Supremo, pra enfrentar Alexandre de Moraes.”
Em seguida, voltou a deixar explícito que sua atuação no Senado pretende combinar pautas administrativas com confronto político.
“Nós vamos tratar de saúde, de educação, de tecnologia. Mas, sobretudo, ir pra Brasília pra combater o PT.”
Também afirmou que não pretende assumir um “personagem político” durante a campanha e criticou parlamentares que adotam um discurso diante do eleitor e outro nos bastidores de Brasília.
No debate da TV Norte Rondônia, Bruno Scheid procurou apresentar uma candidatura sem ambiguidades ideológicas: defendeu posições tradicionalmente associadas à direita na segurança pública, confrontou diretamente o discurso petista, reiterou suas críticas ao Supremo e reafirmou a ligação política com Jair Bolsonaro. O embate deixou evidente a estratégia adotada pelo candidato nesta reta da campanha: marcar território no campo conservador e levar para a disputa pelo Senado o confronto nacional entre direita e esquerda.


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