PORTO vELHO, RO - O debate entre candidatos ao Senado Federal por Rondônia realizado pela TV Norte, afiliada do SBT, nesta sexta-feira, 11 de setembro, reuniu Aires Mota, do PV; Bruno Bolsonaro Scheid, do PL; Dr. Fernando Máximo, do PL; Luciana Oliveira, do PT; Luis Fernando, do PSD; Mariana Carvalho, do Republicanos; Neidinha Suruí, do PSB; e Sílvia Cristina, do PP. Acir Gurgacz, do PDT, não compareceu. Engenheiro Thulio, da Missão, também não.
A discussão começou por infraestrutura, desenvolvimento e integração. Aires Mota defendeu a criação de um porto público e o uso da hidrovia do Madeira para ampliar o escoamento da produção. Também criticou o contrato de pedágio da BR-364 e afirmou que a bancada federal foi omissa ao não tornar os detalhes conhecidos pela população. Em outros momentos, insistiu que Rondônia precisa manter relação institucional com o presidente da República independentemente de partido ou ideologia.
Fernando Máximo destacou asfaltamento, pontes, integração entre regiões e saneamento básico. Na saúde, citou a experiência como médico, ex-secretário estadual e deputado federal, defendeu a retomada do Opera Rondônia e afirmou que pretende levar especialistas ao interior. Também responsabilizou gestões posteriores pela não continuidade do projeto do novo João Paulo II. Na segurança pública, declarou apoio à castração química para estupradores e à redução da maioridade penal.
Bruno Bolsonaro Scheid concentrou sua participação na fiscalização dos recursos da bancada, no endurecimento da legislação penal e na oposição ao PT. Ao discutir obras inacabadas, afirmou que parlamentares tratam emendas como se fossem recursos próprios e disse que pretende fiscalizar o dinheiro destinado a Rondônia. Na saúde, voltou a defender fiscalização como atribuição central do senador. Em confronto com Luciana Oliveira, declarou que pretende ir a Brasília também “para combater o PT”. No bloco de segurança, defendeu mudanças no Código de Processo Penal e criticou as audiências de custódia.
Luciana Oliveira associou sua candidatura à interlocução com o governo Lula. Ao falar sobre a BR-364, responsabilizou integrantes da atual bancada federal pela condução política do processo de concessão e afirmou que pretende lutar pela revisão da tarifa. Citou obras e programas federais em infraestrutura, saúde e educação e defendeu uma bancada que dialogue com o governo federal. No confronto com Bruno Scheid, respondeu às críticas a Lula com acusações dirigidas a aliados de Jair Bolsonaro. Depois, afirmou que, encerrada a campanha, pretende desmontar o palanque eleitoral e conversar com todos os representantes do estado.
Mariana Carvalho defendeu revisão do contrato da BR-364, duplicação da rodovia e tarifa menor. Na saúde, afirmou ter destinado R$ 100 milhões, quando deputada federal, para a construção do novo João Paulo II e disse que o recurso permanece sem execução desde 2019. Também defendeu regionalização do atendimento, atenção a famílias atípicas e pessoas com doenças raras. Na educação, falou sobre transporte escolar terrestre e fluvial, alimentação e valorização de professores. No desenvolvimento econômico, apresentou-se como defensora de produtores rurais, mais estradas e redução do custo da energia.
Sílvia Cristina apresentou a saúde como principal eixo de sua atuação. Disse que prometeu um hospital e fez quatro, citou ações contra o câncer, cirurgia de catarata, reabilitação e unidades móveis. Também assumiu compromisso com o novo João Paulo II, defendeu substituição de pontes de madeira por estruturas de concreto e aço e revisão da concessão da BR-364. Na segurança, relatou que o pai foi assassinado quando ela tinha 19 anos, declarou apoio à redução da maioridade penal e defendeu inteligência contra facções. Ao responder a Neidinha sobre ataques a mulheres, defendeu ampliar a proteção feminina.
Neidinha Suruí destacou representação feminina, povos indígenas, comunidades tradicionais, saúde, cultura e meio ambiente. Questionou a falta de atendimento em terras indígenas, áreas quilombolas e assentamentos e cobrou Fernando Máximo sobre os resultados de sua atuação anterior na saúde. No bloco de emprego e renda, apresentou a sociobioeconomia e o turismo em território indígena como exemplos de geração de renda. Também pediu maior presença de mulheres no Senado.
Luis Fernando adotou uma linha voltada à gestão, orçamento e desenvolvimento econômico. Defendeu maior participação de Rondônia nos recursos federais, considerando distâncias e potencial produtivo, e falou sobre estradas vicinais e integração de comunidades. Na saúde, defendeu recursos para atenção básica, média e alta complexidade e ampliação de residências médicas no interior. Também abordou saúde da mulher e prevenção da gravidez na adolescência. Na economia, defendeu pagamento por serviços ambientais, segurança jurídica, infraestrutura e crédito, e afirmou que, quando secretário de Finanças, o desemprego caiu de quase 10% para menos de 4%.
Nas considerações finais, os oito retomaram seus principais temas. Mariana falou em saúde, segurança, energia, pedágio e produtores; Luciana reafirmou apoio a Lula; Fernando reforçou a atuação conjunta com Marcos Rogério; Luis Fernando destacou a experiência administrativa; Aires voltou a criticar a polarização; Neidinha enfatizou mulheres, tecnologia, universidades, pesquisa e meio ambiente; Bruno reiterou o confronto com o PT e o Supremo; e Sílvia voltou a apresentar compromissos na saúde.
FRASES DOS CANDIDATOS DURANTE O DEBATE
Aires Mota (PV)
1. “O primeiro passo é aprender com os erros do passado. Aprender com esse erro monstruoso que foi esse pedágio aqui no estado de Rondônia, que vem tanto prejudicando a população.” Aires disse a frase ao responder Sílvia Cristina sobre infraestrutura e escoamento da produção. Na sequência, acusou a bancada federal de omissão na discussão da concessão da BR-364 e voltou a defender um porto público ligado à hidrovia do Madeira.
2. “Rondônia é muito maior do que ideologia.” A declaração surgiu quando Aires defendeu que senadores mantenham diálogo com o presidente da República independentemente de partido. Ele argumentou que disputas ideológicas não poderiam criar barreiras para recursos destinados ao estado.
3. “Lá em Brasília, nós não precisamos de um galo de briga.” Nas considerações finais, Aires voltou ao discurso contra a polarização e disse que Rondônia precisaria de alguém que a representasse “com elegância, com educação, com sabedoria” e compromisso com o estado.
Bruno Bolsonaro Scheid (PL)
1. “O dinheiro será do rondoniense e ponto final.” Bruno falou sobre emendas e obras inacabadas ao responder Fernando Máximo. Criticou parlamentares que, segundo ele, tratariam recursos públicos como se fossem próprios e prometeu fiscalizar a aplicação do dinheiro destinado a Rondônia.
2. “Discurso de bunda mole não vai resolver o problema do rondoniense.” A frase antecedeu uma pergunta direta a Fernando Máximo sobre castração química de estupradores. Bruno afirmou que pretendia tornar o debate mais objetivo e acusou parte do discurso eleitoral de se repetir a cada quatro anos.
3. “Nós vamos tratar de saúde, de educação, de tecnologia. Mas, sobretudo, ir para Brasília para combater o PT.” Foi uma das sínteses mais claras da candidatura apresentada por Bruno nas considerações finais, quando também citou o Supremo Tribunal Federal e Alexandre de Moraes entre os alvos de sua atuação política.
Dr. Fernando Máximo (PL)
1. “Educação transforma vidas.” Fernando utilizou a própria trajetória ao falar sobre educação. Disse ser filho de professores, ter estudado em escola pública e relacionado a formação em Medicina à mudança de vida de sua família.
2. “Eu sou a favor da redução da maioridade penal.” A declaração ocorreu no bloco de segurança pública. Fernando argumentou que jovens de 16 e 17 anos que tenham consciência dos crimes praticados deveriam responder com maior rigor perante a lei.
3. “Ninguém faz nada sozinho.” Fernando abriu e encerrou suas considerações finais com essa ideia. A partir dela, defendeu uma composição política conjunta com Marcos Rogério e Bruno Scheid e afirmou que recursos parlamentares precisam ser executados pelo governo estadual para chegar à população.
Luciana Oliveira (PT)
1. “Eu quero ser senadora pra fazer o que o presidente Lula tá fazendo, pra entregar.” Luciana pronunciou a frase no bloco da saúde. Na sequência, citou recursos, hospitais, maternidade, casa de parto, unidades básicas, carreta da saúde e veículos do Samu entre ações atribuídas ao governo federal.
2. “Terminada a campanha. Desmonta o meu palanque, vou conversar com todo mundo.” A fala ocorreu durante a discussão sobre a relação da futura bancada com o governo federal. Luciana afirmou que não manteria uma “campanha permanente” depois da eleição e que buscaria diálogo com outros representantes de Rondônia.
3. “Amor para construir, coragem para transformar.” Luciana utilizou a frase nas considerações finais ao se apresentar como “uma mulher do povo, da luta popular” e dizer como pretendia representar esse eleitorado no Senado.
Luis Fernando (PSD)
1. “Como senador, eu vou defender que os mecanismos de pagamento dos serviços ambientais gerem riqueza para a Rondônia e também gerem maior emprego.” A declaração foi feita na discussão sobre bioeconomia. Luis Fernando também associou o tema a emprego e citou a experiência como secretário de Finanças.
2. “Criar o ambiente significa melhorar a legislação, trazer segurança jurídica para quem produz, regras claras para quem produz, quem trabalha, quem empreende, trazer também infraestrutura, trazer viabilidade para obter o crédito necessário para o investimento.” Ao responder Mariana Carvalho sobre agronegócio e industrialização, Luis Fernando apresentou essa combinação como caminho para o crescimento econômico do estado.
3. “É como se você estivesse fazendo uma seleção de pessoal. Então escolha quem tem demonstrado capacidade pra te representar.” Nas considerações finais, comparou a escolha de um senador a uma seleção profissional e disse que o eleito deve servir e representar Rondônia durante os oito anos de mandato.
Mariana Carvalho (Republicanos)
1. “Candidata, essa concessão só foi boa para a concessionária.” Mariana pronunciou a frase no primeiro confronto com Luciana Oliveira sobre a BR-364. Defendeu revisão do contrato, tarifa menor e duplicação da rodovia.
2. “O dinheiro está lá, parado, desde 2019, uma indicação do mandato como deputada.” Mariana se referia aos R$ 100 milhões que afirmou ter destinado quando deputada federal para a construção do novo João Paulo II. Disse que pretendia usar o Senado para fazer o projeto sair do papel.
3. “Parar de tratar o produtor como bandido.” A declaração ocorreu no bloco de emprego e renda. Mariana defendia o produtor rural, mais estradas, redução do custo da energia e melhores condições para transformar a produção de Rondônia em desenvolvimento econômico.
Neidinha Suruí (PSB)
1. “É a hora de vocês colocarem mulheres no Senado.” Neidinha começou a defender maior representação feminina ainda no bloco de infraestrutura, após falar sobre saneamento em áreas rurais, assentamentos, terras indígenas e reservas extrativistas. A pauta feminina voltou diversas vezes durante o programa.
2. “Pelo amor de Deus, troca esse povo que esse povo não tá fazendo nada.” Foi uma das frases mais contundentes de Neidinha. Ela criticava a bancada federal por, segundo sua avaliação, não manter interlocução suficiente com o presidente Lula e defendia renovação dos representantes de Rondônia.
3. “Nunca fui política, mas já fiz muito por essa rondônia e faço muito por essa rondônia.” Neidinha utilizou sua trajetória fora de cargos eletivos como argumento de campanha durante o debate sobre emprego, renda, cultura e bioeconomia. Citou atuação com povos indígenas, periferia e setor cultural.
Sílvia Cristina (PP)
1. “Candidato Aires, saúde eu sei fazer e tá no nosso DNA.” Sílvia respondeu a uma pergunta sobre o que já havia realizado na saúde. Relacionou sua atuação à experiência pessoal com o câncer e afirmou ter prometido um hospital e feito quatro, além de citar ações de diagnóstico, catarata, reabilitação e unidades móveis.
2. “Eu sou vítima da violência. Meu pai foi assassinado quando eu tinha 19 anos.” Sílvia apresentou o relato pessoal ao discutir segurança pública. Em seguida, mencionou atuação legislativa por penas mais rigorosas, declarou apoio à redução da maioridade penal e defendeu inteligência contra facções.
3. “Dá para acreditar em alguém que prometeu um hospital e que fez quatro?” A candidata utilizou a pergunta retórica nas considerações finais para resumir o principal argumento de sua campanha no debate: apresentar o histórico na saúde como credencial para o Senado. Depois, mencionou compromissos com um hospital de câncer infantil e uma casa do autista em Porto Velho.


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