O pesquisador Gesson Magalhães fez críticas duras ao mercado de pesquisas eleitorais em Rondônia e afirmou que existem institutos que, segundo ele, não trabalham apenas com a medição da intenção de voto, mas com a entrega de resultados. A declaração foi feita durante entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado pelo jornalista Robson Oliveira. Ao tratar da confiabilidade dos levantamentos divulgados no Estado, Gesson sustentou que o simples registro de uma pesquisa na Justiça Eleitoral não deve ser confundido com uma certificação de qualidade metodológica ou de independência do instituto responsável pelo trabalho. Sem citar nomes, disse conhecer casos em que o produto oferecido ao contratante seria o próprio resultado, e não a fotografia efetivamente encontrada nas ruas.
“Eu vendo pesquisa, não resultado. Eu sei que tem alguns que vendem resultado. E, pasme, todas as pesquisas são registradas.” — Gesson Magalhães
Na avaliação do pesquisador, o problema não se restringe à conduta dos institutos. Ele também chamou atenção para falhas na construção das amostras de pesquisas recentes realizadas em Rondônia, especialmente quanto à representação de Porto Velho. Gesson afirmou que a capital corresponde a aproximadamente 28% do eleitorado estadual e que aumentar excessivamente esse peso dentro de uma pesquisa pode favorecer artificialmente candidatos que apresentam desempenho melhor na capital. Para ele, a leitura eleitoral de Rondônia exige atenção às diferenças regionais entre Madeira-Mamoré, Vale do Jamari, Cone Sul, Zona da Mata e demais regiões, sob risco de o levantamento apresentar uma fotografia distorcida do conjunto do Estado.
“Se você transforma Porto Velho com mais de 35%, chegando até 42% da amostra, você vai pesar candidatos que são efetivamente melhores em Porto Velho. [...] É o que nós chamamos de erro amostral. Você acaba contaminando a amostra.” — Gesson Magalhães
Ao entrar no cenário eleitoral de 2026, Gesson também rejeitou qualquer tentativa de tratar a sucessão estadual como definida antecipadamente. O pesquisador reconheceu que existem candidatos que aparecem à frente dos adversários e que alguns já conseguiram construir alguma vantagem nas pesquisas, mas considerou precipitado transformar essa liderança momentânea em favoritismo absoluto. Ele criticou profissionais que, por envolvimento com campanhas, passam a anunciar candidatos como eleitos antes do voto e afirmou que a disputa pelo Governo de Rondônia deverá permanecer competitiva até o fim. Na avaliação apresentada ao Resenha Política, o quadro atual ainda comporta movimentações e mudanças à medida que o eleitor passe a acompanhar de forma mais direta a eleição estadual.
“Isso é um absurdo, eu não cometo esse erro. A eleição está aberta.” — Gesson Magalhães
Se a disputa pelo Governo ainda está aberta, a corrida pelas duas vagas ao Senado apresenta, segundo Gesson, um grau de indefinição ainda maior. O pesquisador afirmou que, no cenário analisado, cerca de 80% dos eleitores não sabiam em quem votar para o primeiro voto ao Senado. O dado, na leitura dele, demonstra que a eleição ainda está longe de uma consolidação, mesmo com candidatos aparecendo numericamente à frente. Gesson lembrou ainda que, em 2026, o eleitor terá direito a dois votos para senador, fator que amplia as possibilidades de combinação e torna a disputa mais sensível ao avanço da campanha, à exposição dos candidatos e às alianças políticas que serão percebidas pelo eleitorado.
“Existem candidatos que estão sim se sobressaindo com alguma margem à frente dos outros. [...] Nós temos 80% de gente que não sabe quem vai votar para o primeiro candidato ao Senado.” — Gesson Magalhães
Ao final da entrevista, Gesson projetou uma eleição de forte competitividade em Rondônia, tanto para o Governo quanto para o Senado. Sem apontar vencedores e mantendo a ressalva de que pesquisas representam fotografias de determinado momento, ele avaliou que o processo eleitoral ainda tem espaço para mudanças importantes conforme a campanha avance e o eleitor estadual passe efetivamente a se envolver na disputa. Para o pesquisador, a tendência é de uma eleição marcada por equilíbrio, pressão sobre as candidaturas e definição apenas nas etapas finais da campanha.
“Nós temos uma grande eleição pela frente [...] e vai ser uma eleição disputada para todos até o final.” — Gesson Magalhães
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