PORTO VELHO, RO - A construção de uma candidatura ao Senado diretamente associada à reeleição do presidente Lula e articulada com outras forças do campo progressista em Rondônia ocupou espaço central na participação de Luciana Oliveira (PT) no programa Povo na TV, nesta quinta-feira (27). Durante cerca de 15 minutos de sabatina, a candidata também tratou de meio ambiente, trajetória profissional, passagem pela China, relação com Expedito Netto e das características que pretende levar para um eventual mandato de oito anos.
Luciana foi entrevistada por Jemima Queren no programa veiculado pela TV Norte, afiliada do SBT em Rondônia. Ao longo da conversa, procurou apresentar sua experiência anterior ao ingresso na disputa eleitoral como parte da preparação para o Senado, recorrendo principalmente à atuação como jornalista, ao contato com movimentos sociais e ao acompanhamento de demandas de trabalhadores, mulheres e setores ligados à saúde e à educação.
A candidata afirmou que não considera a ausência de um mandato eletivo anterior um impedimento para apresentar experiência ao eleitor. Segundo Luciana, a atividade profissional permitiu que ela participasse diretamente de questões de interesse público e utilizasse o jornalismo como instrumento de prestação de serviço.
“Eu larguei o meu conforto para fazer um jornalismo independente ao serviço do povo. E isso também é prestação de serviço, sabe? Eu não precisei de um mandato para estar com o povo, para lutar pelo povo. Com o mandato eu vou poder fazer muito mais, eu tenho certeza disso”, declarou.
A relação entre o trabalho jornalístico e a atuação pública voltou a aparecer em outro momento da sabatina. Luciana contou que recebeu recentemente uma ligação de um defensor público informando que uma reportagem produzida por ela havia sido utilizada em uma ação envolvendo direitos de pescadores.
De acordo com o relato apresentado pela própria candidata, mais de mil pescadoras foram beneficiadas a partir do caso. Luciana utilizou o episódio como exemplo do tipo de resultado que atribui à atuação desenvolvida antes de entrar formalmente na política eleitoral.
“Isso para mim é incrível, é serviço prestado. A força que eu tinha, eu coloquei onde eu tinha que colocar”, afirmou.
A ligação política com Lula apareceu em diferentes momentos da entrevista. Luciana reafirmou sua identificação com o presidente e apresentou a capacidade de diálogo como uma das características que considera relevantes no atual governo federal.
Ao explicar essa avaliação, a candidata citou um episódio acompanhado por ela durante a COP30, envolvendo mobilização de povos indígenas. Segundo Luciana, houve naquele momento interlocução com representantes do governo federal e encaminhamento das reivindicações apresentadas pelos participantes.
A candidata relacionou essa experiência à forma como pretende atuar no Senado, especialmente em temas ambientais. Ela afirmou que deseja manter contato com organizações ambientais, pesquisadores e agentes públicos responsáveis por fiscalização e controle, defendendo que decisões envolvendo a Amazônia sejam sustentadas pelo conhecimento científico e pela escuta de quem acompanha diretamente esses problemas.
“Eu sempre vou estar ouvindo as organizações ambientais, os agentes públicos que cuidam da fiscalização e do controle dos danos ao meio ambiente, eu vou estar ouvindo. E sempre que eu tiver oportunidade com o presidente, eu vou defender a ciência, eu vou defender essas pessoas que dedicam a vida à defesa do meio ambiente e dos povos”, disse.
O posicionamento ambiental foi apresentado junto à defesa de uma interlocução permanente com diferentes segmentos envolvidos nas decisões sobre a Amazônia e as populações que vivem na região. Luciana indicou que pretende levar essas discussões ao Senado sem abandonar a relação política com o governo federal.
A configuração da campanha estadual também foi abordada. Questionada sobre Expedito Netto, candidato ao Governo de Rondônia apoiado pelo PT, Luciana afirmou que a construção eleitoral atual reúne forças empenhadas tanto na reeleição de Lula quanto em um projeto político para Rondônia.
Segundo ela, Expedito passou a defender publicamente a candidatura presidencial de Lula e vem participando das atividades eleitorais dentro desse mesmo campo. Luciana relatou que ambos estão percorrendo o estado com uma mensagem de campanha associada ao presidente.
“Está dando certo, ele está conseguindo transmitir a mensagem da campanha do presidente Lula junto comigo, então bola que segue”, afirmou.
Na configuração apresentada durante a campanha, Luciana Oliveira concorre ao Senado com o número 133. Lula disputa a reeleição presidencial com o número 13, enquanto Expedito Netto também utiliza o número 13 na candidatura ao Governo de Rondônia.
As alianças para a eleição ao Senado receberam atenção específica durante a sabatina. Ao ser perguntada sobre Acir Gurgacz, Luciana explicou inicialmente que a Federação Brasil da Esperança é formada por PT, PV e PCdoB, mas destacou que a dinâmica eleitoral permite a aproximação com outras candidaturas situadas no mesmo campo político.
Segundo Luciana, Acir participa do palanque que apoia Lula e desenvolve atividades de campanha junto a integrantes desse grupo.
“Ele está no nosso palanque, estamos andando juntos, fazendo campanha juntos, sim”, declarou.
A candidata ampliou a resposta ao mencionar outros nomes com os quais mantém interlocução. Aires Mota e Neidinha Suruí foram citados como integrantes de um espaço político no qual Luciana considera importante construir diálogo e atuação conjunta durante a campanha.
A relação com Neidinha ganhou um tom mais pessoal. Luciana destacou a amizade entre as duas e manifestou apoio à candidatura da representante do PSB.
“Eu amo a Neidinha, ela é minha irmã, minha amiga”, afirmou.
Luciana também disse que estará ao lado de Neidinha e classificou a candidatura dela como valiosa. Ao falar da presença feminina na política, relacionou a experiência das duas aos obstáculos enfrentados por mulheres que entram em espaços tradicionalmente ocupados por outros grupos.
Nesse contexto, utilizou a imagem de peixes que percorrem grandes distâncias e afirmou que ambas seguem “nadando contra a correnteza”. A referência foi empregada para descrever a experiência compartilhada entre as duas candidatas e o diálogo mantido durante o processo eleitoral.
Outro bloco da entrevista tratou da recente passagem de Luciana pela China. A candidata relatou ter estado em Xangai acompanhando um evento mundial dedicado à inteligência artificial. Durante a viagem, encontrou a ex-presidente Dilma Rousseff.
Luciana relacionou o reencontro a um episódio anterior de sua trajetória. Ela recordou que havia acompanhado Dilma em Belo Horizonte antes do afastamento da então presidente e contrapôs aquela lembrança ao encontro anos depois na China, onde Dilma ocupa posição de destaque no Novo Banco de Desenvolvimento.
A lembrança serviu de ponto de partida para Luciana reafirmar sua identificação com os governos petistas. Ao explicar o que considera mais importante nessa trajetória política, a candidata destacou políticas sociais e ações direcionadas às parcelas mais vulneráveis da população.
“A minha é de que os governos da presidenta Dilma e do presidente Lula sempre foram focados no combate à desigualdade, no bem-estar social, em acolher quem mais precisa”, declarou.
A passagem pela China também apareceu como parte de uma trajetória que Luciana procura conectar à discussão sobre desenvolvimento, tecnologia e futuro, embora a sabatina tenha concentrado a maior parte das perguntas na construção política da candidatura e nas posições que ela pretende defender caso seja eleita.
Ao ser provocada a apontar diferenças de sua candidatura em relação aos demais concorrentes, Luciana voltou à origem no jornalismo e às lutas populares. Ela apresentou o contato com comunidades, movimentos e grupos sociais como parte do caminho que a levou à disputa eleitoral.
A candidata argumentou que a experiência pública não deve ser medida exclusivamente pelo exercício de cargos políticos. Para ela, a atuação profissional e o acompanhamento de demandas coletivas também constituem formas de participação na vida pública.
Nos momentos finais do programa, Luciana direcionou a fala aos eleitores e pediu que acompanhem suas redes sociais, suas entrevistas e os posicionamentos que pretende apresentar durante a campanha. A candidata disse que quer ser observada a partir das propostas e das posições que assumirá ao longo da eleição.
Ela também afirmou esperar que sua trajetória seja associada às lutas populares e indicou que pretende levar ao Senado uma postura ao mesmo tempo crítica, propositiva e aberta ao diálogo.
A sabatina terminou reforçando os três eixos políticos que Luciana vem apresentando nesta fase da campanha: sua candidatura ao Senado, a campanha de Expedito Netto ao Governo de Rondônia e a reeleição de Lula. Ao mesmo tempo, a entrevista mostrou que a petista pretende ampliar esse campo de interlocução, mantendo diálogo com nomes como Acir Gurgacz, Aires Mota e Neidinha Suruí.
Ao longo da participação no Povo na TV, a candidata utilizou episódios de sua trajetória jornalística para responder às dúvidas sobre experiência política, apresentou a defesa da ciência como referência para questões ambientais, recuperou a passagem recente pela China e o encontro com Dilma Rousseff e explicou como enxerga a composição eleitoral formada em Rondônia.
Luciana Oliveira disputa uma das duas vagas ao Senado com o número 133. Nesta quinta-feira, diante das perguntas de Jemima Queren, procurou resumir a candidatura como uma extensão da atuação que afirma ter desenvolvido fora de cargos eletivos, agora vinculada diretamente à campanha de Lula e à composição estadual construída em torno de Expedito Netto.


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