PORTO VELHO, RO - O prefeito de Cacoal, Tony Pablo, e o ex-prefeito do município Adaílton Fúria voltaram a aparecer publicamente no mesmo campo político depois de um período marcado por declarações de independência administrativa, exposição de dificuldades financeiras da prefeitura e respostas públicas entre os dois. O novo cenário ficou registrado em publicação feita no perfil de Fúria no Instagram, na qual o candidato do PSD ao Governo de Rondônia associa diretamente Tony Pablo à sua mobilização eleitoral e convoca apoiadores para um adesivaço.
Na postagem, Fúria escreveu: “Vamos juntos @tonypablo. Pela transformação de Rondônia. Bora pro adesivaço, meu povo! É Adailton Furia 55”. A mesma mensagem também foi reproduzida no perfil público do político no Facebook. A publicação marca, de forma pública, a recomposição da aliança entre o atual prefeito de Cacoal e seu antecessor, agora candidato ao Governo do Estado.
O movimento ocorre pouco mais de três meses depois de Tony Pablo protagonizar uma sequência de declarações que evidenciaram distanciamento político em relação a Fúria. O episódio ocorreu depois que Adaílton Fúria renunciou à Prefeitura de Cacoal para disputar o Governo de Rondônia e Tony Pablo, até então vice-prefeito, assumiu definitivamente o comando do Executivo municipal.
Em 30 de abril, Tony Pablo respondeu publicamente a críticas feitas em meio à discussão sobre sua relação com o antigo titular da prefeitura. Na ocasião, afirmou que não tinha obrigação de seguir orientações de Fúria ou de outras lideranças políticas e ressaltou que passaria a tomar as decisões da administração conforme seu próprio entendimento.
Tony declarou naquele momento: “Eu não tenho compromisso nenhum de ser pautado ou guiado por outros políticos ou pelo ex-prefeito”. Também sustentou que seu compromisso, como prefeito, era com Cacoal e com a população do município.
A manifestação ganhou maior repercussão porque, além de afastar qualquer ideia de subordinação política ao ex-prefeito, Tony Pablo apresentou números sobre a situação financeira encontrada na administração municipal. Ele informou que a Saúde acumulava déficit de R$ 2,9 milhões e que o município apresentava fluxo de caixa negativo de quase R$ 8 milhões. Também mencionou dificuldades relacionadas ao funcionamento do hospital que havia sido aberto.
Embora Tony Pablo não tenha declarado expressamente que Adaílton Fúria havia deixado uma dívida de R$ 8 milhões, as informações foram apresentadas logo depois da mudança no comando da prefeitura e durante uma manifestação em que o novo prefeito buscava deixar clara sua autonomia em relação ao antecessor. Na mesma fala, pediu ajuda parlamentar para que o município pudesse enfrentar as obrigações financeiras existentes.
Tony também rejeitou naquele episódio a compreensão de que, por ter sido vice-prefeito e sucessor de Fúria, deveria manter obediência política ao ex-prefeito. Disse considerar ultrapassada a ideia de que um vice teria de permanecer “cego, surdo e mudo” ou agir como “capacho” ou “boneco” do antigo titular depois de assumir o cargo.
Apesar do tom de independência, Tony Pablo afirmava naquele momento que Fúria continuava sendo seu amigo e aliado de 17 anos. Ele relatou que a relação política entre ambos havia começado em 2009 e mencionou ter acompanhado diferentes etapas da trajetória do atual candidato ao Governo, desde a eleição para vereador até a passagem pela Assembleia Legislativa e posteriormente pela Prefeitura de Cacoal.
O prefeito sustentou, porém, que essa relação histórica não criava obrigação automática de seguir as decisões eleitorais do ex-prefeito. Naquele momento, Tony dizia não possuir acordo com Fúria ou qualquer outra liderança para apoiar uma pré-candidatura ao Governo e afirmava que tomaria suas decisões de acordo com seus princípios e com aquilo que considerasse adequado para Cacoal.
As declarações provocaram reação de Adaílton Fúria. Em entrevista concedida à Rádio Terra FM 89.9, de Cerejeiras, o então pré-candidato contestou a interpretação de que a prefeitura teria herdado uma dívida de aproximadamente R$ 7 milhões. Segundo Fúria, parte dos valores mencionados correspondia a programações previstas para o decorrer do ano e que dependeriam da obtenção de recursos externos para serem executadas.
O CASO DO "NOME SUJO"
Fúria argumentou que municípios como Cacoal dependem de emendas parlamentares e outras fontes externas para financiar novos investimentos e expansões de serviços. Ele também afirmou que, durante sua administração, buscava recursos junto à bancada federal e a outras instituições para financiar ações que não poderiam ser suportadas exclusivamente pelas receitas próprias do município.
Na resposta, o ex-prefeito ainda utilizou como elemento de defesa o histórico de apreciação de suas contas pelos órgãos de controle. Segundo declarou à época, suas contas municipais haviam recebido aprovação por cinco exercícios consecutivos pelo Tribunal de Contas do Estado de Rondônia, sem apontamentos, e sua administração havia sido submetida a auditorias.
O distanciamento não ficou restrito ao debate administrativo. Naquele período, Tony Pablo também apareceu publicamente ao lado de políticos vinculados a outros projetos para a disputa estadual, entre eles Hildon Chaves, Cirone Deiró e Marcos Rogério. A movimentação ocorreu enquanto Adaílton Fúria estruturava sua própria candidatura ao Governo de Rondônia.
O quadro registrado agora é diferente. Com a campanha eleitoral de 2026 em andamento e Fúria concorrendo ao Governo pelo PSD, Tony Pablo voltou a ser apresentado pelo ex-prefeito como aliado. A publicação mais recente não trata das divergências administrativas expostas em abril nem dos números apresentados pelo prefeito naquela ocasião. O conteúdo é direcionado à campanha e coloca os dois novamente juntos em uma ação de mobilização eleitoral.
Assim, a relação política que, depois da renúncia de Fúria, passou por uma fase pública de tensão e afirmação de autonomia por parte de Tony Pablo chega à campanha eleitoral com os dois novamente no mesmo grupo. O prefeito que em abril dizia não possuir compromisso com qualquer pré-candidatura aparece agora associado diretamente à mobilização do candidato do PSD ao Governo de Rondônia.


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