A crise aberta no PSB de Rondônia ganhou um novo capítulo com a reação de Samuel Costa. Candidato ao Governo do Estado, ele afirmou que não pretende recuar após a intervenção da direção nacional da sigla, classificou a medida como um “golpe” e responsabilizou Expedito Netto (PT) pela articulação que, segundo sua versão, buscou inviabilizar sua candidatura. Em entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira, Samuel ainda endureceu o discurso contra o petista e disse que levará a disputa às instâncias competentes.
Samuel disse que considera a movimentação “sorrateira” e “antidemocrática” e, ao falar sobre Expedito, elevou o tom. Afirmou que o adversário é “despreparado” e “inculto” e disse esperar enfrentá-lo diretamente nos debates da campanha.
“Analisando todos os candidatos, ele é a pessoa mais inculta, ele é despreparado.”
Apesar da decisão da direção nacional do PSB, Samuel sustentou que a situação ainda deverá passar pelo crivo das instâncias competentes. Segundo ele, os atos realizados pelo partido em Rondônia seguiram o calendário eleitoral, com convenção realizada em 20 de julho e registro da ata no dia seguinte.
“A palavra final não é minha, não é do João Campos, é da Justiça Eleitoral”, afirmou Samuel. Em outro momento, disse que a candidatura permanece aguardando julgamento e que sua defesa poderá recorrer ao Judiciário caso considere necessário.
“A palavra final não é minha, não é do João Campos, é da Justiça Eleitoral.”
O candidato afirmou ainda que sua equipe jurídica identificou 14 pontos que considera controversos no processo conduzido pela direção nacional. Entre os argumentos mencionados durante a entrevista estão questões relacionadas a prazos, contraditório, ampla defesa e procedimentos internos adotados para a dissolução da direção estadual.
Samuel também relatou ter sido procurado antes da intervenção para discutir uma composição política. Segundo ele, o ministro Paulo Pereira, ligado ao PSB, teria insistido para que houvesse um entendimento e, posteriormente, mencionado a possibilidade de Samuel ocupar uma função no governo federal caso deixasse a disputa.
“Renuncia, que você tem um bom currículo, você vem aqui com a gente, numa secretaria”, relatou Samuel, ao reproduzir o que afirma ter ouvido. O candidato disse ter recusado a possibilidade. “Eu não tô à procura de emprego”, afirmou.
Outro ponto levantado por Samuel envolve documentos utilizados no processo partidário. Ele afirmou que uma advogada citada em uma ata teria informado que não participou da reunião e que a assinatura atribuída a ela não seria sua. Samuel disse que pretende reunir esses elementos e encaminhá-los às autoridades competentes para eventual apuração.
A intervenção também alcança as demais candidaturas construídas pelo PSB em Rondônia. Samuel citou a nominata proporcional e a candidatura de Neidinha Suruí ao Senado e afirmou que o grupo pretende buscar alternativas para permanecer na campanha mesmo diante da possibilidade de dificuldades no acesso a recursos partidários. Segundo ele, estão entre as opções o uso de recursos próprios dentro dos limites legais, doações de pessoas físicas e financiamento coletivo.
Samuel afirmou ainda que a repercussão do episódio ampliou o interesse em torno de sua candidatura e disse ter registrado aumento no engajamento de suas redes sociais nas horas seguintes à decisão nacional. Para ele, a exposição do caso poderá ter efeito político contrário ao pretendido por seus adversários.
Ao final da entrevista, o candidato reiterou que pretende continuar na disputa enquanto a controvérsia estiver sendo analisada. A estratégia, segundo Samuel, será combinar a reação jurídica à intervenção com a continuidade da campanha e a apresentação de propostas ao eleitorado.
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