PORTO VELHO, RO - O primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Rondônia nas eleições de 2026 reuniu Hildon Chaves, do União Brasil; Marcos Rogério, do PL; Adaílton Fúria, do PSD; Pedro Abib, do MDB; Expedito Netto, do PT; e Samuel Costa, do PSB. Transmitido pelo Grupo RondovisãoTV, afiliada da Rede Bandeirantes em Rondônia, o encontro percorreu pouco mais de duas horas e meia, entre perguntas temáticas, confrontos diretos, questionamentos formulados por entidades representativas e as considerações finais dos seis concorrentes.
A transmissão apresentou alguns problemas técnicos compatíveis com a dinâmica de um programa ao vivo, todos contornados pelo mediador Marcelo Reis.
No primeiro bloco, os candidatos responderam individualmente a perguntas sobre áreas previamente definidas. Expedito Netto defendeu a regularização de propriedades rurais em diálogo com o Governo Federal, associada à responsabilidade ambiental, ao acesso ao crédito e ao investimento em tecnologias capazes de ampliar a produção no mesmo espaço, como secadores utilizados na cafeicultura.
Samuel Costa recebeu a pergunta sobre educação. Ele propôs bolsas de mestrado e doutorado, formação continuada dos profissionais, gratificação permanente, cumprimento do piso nacional do magistério, escolas bilíngues e ensino em tempo integral. Também afirmou que buscaria reproduzir experiências adotadas no Ceará e defendeu a formação de equipes técnicas interdisciplinares e multiprofissionais nas escolas.
Adaílton Fúria respondeu sobre saneamento básico. O candidato utilizou a experiência administrativa em Cacoal, mencionou obras na estação de tratamento de água, a ampliação das ligações de esgoto e os investimentos na companhia municipal. Declarou-se contrário à privatização das companhias de água e afirmou que, se considerasse necessário, revisaria contratos envolvendo a Caerd.
Pedro Abib tratou de segurança pública. Ele declarou que o Estado precisava integrar as polícias Militar e Civil com órgãos federais e autoridades dos países vizinhos, utilizar inteligência e valorizar os profissionais que já atuam no sistema. Também citou os efeitos da falta de estrutura sobre a saúde mental dos servidores da segurança.
Hildon Chaves respondeu sobre tecnologia e serviços públicos. O ex-prefeito utilizou como referência a administração de Porto Velho, defendeu a digitalização da máquina pública e relacionou a transformação tecnológica à qualidade da gestão e à capacidade de entregar serviços à população.
Marcos Rogério encerrou o bloco temático com uma resposta sobre saúde. O candidato prometeu instituir um gabinete de crise liderado pelo governador, descentralizar o atendimento atualmente concentrado em Porto Velho, construir o novo hospital de urgência e implantar um hospital de traumas no interior, com financiamento do Detran. Também defendeu a participação da bancada federal na captação de recursos.
O primeiro confronto direto começou com Hildon Chaves perguntando a Expedito Netto sobre o Hospital João Paulo II. Expedito defendeu o sistema público, criticou a terceirização, afirmou que o atendimento no interior ainda dependia do transporte de pacientes em ambulâncias até Porto Velho e propôs a reconstrução do João Paulo II e a regionalização da saúde. Hildon concordou com o diagnóstico e assumiu o compromisso de entregar um novo hospital em dois anos e meio.
Pedro Abib questionou Adaílton Fúria sobre ciência, tecnologia e inovação, além do papel da Fapero. Fúria iniciou sua resposta falando sobre a interrupção de energia e, posteriormente, disse considerar necessária uma mudança na direção da fundação. Pedro rebateu afirmando que o candidato havia utilizado o tempo sem apresentar uma resposta completa para a política de ciência, tecnologia e inovação.
“Adailton, a gente percebe que o senhor está preparado para o debate, de fato, porque usou os dois minutos muito bem, mas não para governar o estado de Rondônia. Porque a política mais importante que existe para a gente transformar o estado, não para amanhã, para o presente é saúde, segurança pública, educação pública gratuita. Mas para o amanhã, para futuro, é ciência, tecnologia e inovação”, declarou Pedro Abib.
Fúria respondeu citando sua passagem pelos cargos de vereador, deputado estadual e prefeito. Ele sustentou que um candidato ao Governo deveria ter experiência administrativa e afirmou estar preparado para comandar o Estado.
Expedito Netto escolheu Marcos Rogério para discutir as privatizações da Eletrobras e da BR-364. Expedito disse ter sido contrário à desestatização e cobrou explicações sobre o apoio dado por Marcos Rogério à privatização da Eletrobras. O candidato do PL respondeu que a medida havia sido apresentada pelo governo Jair Bolsonaro, que ele próprio relatou a matéria no Senado e que a privatização da antiga Ceron ocorrera em outro momento e não havia passado pelo Congresso.
Em relação à BR-364, Marcos Rogério atribuiu a concessão ao Governo Federal comandado por Luiz Inácio Lula da Silva. Disse ser contrário ao modelo implantado, por prever cobrança de pedágio sem a execução imediata das duplicações, e defendeu a construção de rotas alternativas estaduais.
Expedito reafirmou sua posição política durante a réplica. “Se ser contra a privatização, defender o serviço público e defender um serviço mais barato e um serviço de qualidade significa ser de esquerda, pode ter 100% de certeza que eu me considero de esquerda. Se defender o que o presidente Lula tem feito no estado de Rondônia e tem feito pelo país é ser de esquerda, pode ter certeza que eu sou 100% de esquerda”, declarou.
Adaílton Fúria perguntou a Samuel Costa sobre educação. Samuel voltou a defender o piso do magistério, equipes interdisciplinares, climatização das salas e melhores condições salariais para professores e servidores de apoio. Na tréplica, apresentou a proposta de criação da Universidade Estadual de Rondônia, com reserva de vagas para estudantes provenientes da rede pública e cursos definidos de acordo com as atividades econômicas de cada região.
Marcos Rogério questionou Hildon Chaves sobre infraestrutura. Hildon citou a pavimentação realizada em Porto Velho, disse que a gestão deveria ser sustentada pelo combate à corrupção e pela qualidade administrativa e afirmou que o orçamento estadual estava comprometido. Marcos cobrou uma resposta que alcançasse todo o Estado e mencionou as rodovias 101, 458 e 420.
Samuel Costa perguntou a Pedro Abib sobre feminicídio, violência doméstica e segurança das mulheres. Pedro defendeu a integração dos órgãos de segurança e o fortalecimento da estrutura de fronteira. Samuel propôs concursos públicos e uma rede de proteção em funcionamento durante 24 horas por dia, nos sete dias da semana, com delegacias especializadas, psicólogas e delegadas mulheres. Pedro respondeu que o aumento do efetivo deveria ser acompanhado por inteligência e integração entre as instituições.
O bloco de entidades representativas ampliou a discussão econômica. Em pergunta da Fecomércio, Pedro Abib defendeu estímulos ao comércio e aos serviços, política de inovação e apoio ao empreendedorismo. Fúria comentou que a agricultura poderia gerar renda e movimentar o comércio, recorrendo novamente aos resultados que atribuiu à sua administração em Cacoal.
A pergunta da Aprosoja Rondônia levou Marcos Rogério a tratar das estradas utilizadas para o escoamento da produção. Ele afirmou que Rondônia possuía entre 6 mil e 7 mil quilômetros de rodovias estaduais, mas somente cerca de 1,5 mil quilômetros estavam asfaltados. Pedro Abib, responsável pelo comentário, mencionou os efeitos das condições da RO-421 sobre os produtores e defendeu que a soja fosse transformada em proteína dentro do próprio Estado.
Ao responder à CDL, Samuel Costa anunciou que pretendia tributar o setor da soja para financiar medidas destinadas ao comércio, aos serviços e aos trabalhadores de menor renda. Também propôs isenção de IPVA para pequenos agricultores. Hildon Chaves discordou da abordagem e afirmou que os empresários eram fundamentais para a economia, além de defender a importância da cadeia produtiva da soja.
O Cremero questionou Hildon sobre plano de cargos e salários, equiparação da classe médica e terceirização. O candidato concentrou sua resposta na gestão financeira da saúde, nas filas por exames e no combate à corrupção. Samuel, encarregado do comentário, prometeu combater o que chamou de eventual cartelização de determinadas especialidades médicas e defendeu convênios para ampliar a formação de especialistas.
Na pergunta da Fiero, Fúria falou sobre a reforma tributária, a perda progressiva de incentivos, a necessidade de diálogo com a indústria e a recuperação das rodovias. Ao final, prometeu enfrentar a cobrança de pedágio. Marcos Rogério respondeu que a reforma tributária prejudicava estados dependentes de incentivos e mencionou conversas com Flávio Bolsonaro sobre a necessidade de rediscutir o modelo.
Expedito Netto respondeu sozinho à pergunta do Sebrae sobre os pequenos negócios. O candidato diferenciou pequenos empreendedores de detentores de grandes fortunas, defendeu uma reforma do ICMS, o fortalecimento de associações e cooperativas e a industrialização da produção rondoniense.
Ao longo do programa, Samuel Costa concentrou os ataques pessoais mais explícitos. Adaílton Fúria foi colocado repetidas vezes na posição de defender sua experiência administrativa, sua relação política com o governador Marcos Rocha e as diferenças que alegou existirem entre seu projeto e a administração estadual. Expedito Netto, por sua vez, protagonizou a reação defensiva mais tensa do encontro, depois de ser alvo de uma sequência de acusações de Samuel. Marcos Rogério também precisou responder a cobranças sobre privatizações, pedágio e antigas promessas relacionadas ao hospital de Ji-Paraná.
Os embates mais incisivos
A troca mais contundente entre Samuel Costa e Adaílton Fúria começou quando o candidato do PSB perguntou quais áreas do governo Marcos Rocha seriam integralmente modificadas por Fúria. Samuel utilizou a expressão “quando se casa com a viúva, assume os filhos” para questionar se o candidato do PSD representava ou não a continuidade da administração estadual.
Fúria respondeu que aproveitaria os técnicos capazes de apresentar resultados e substituiria integrantes que não cumprissem as metas. Disse ser apoiado pelo governador, mas negou que sua candidatura representasse a continuidade do governo.
Na réplica, Samuel ampliou o ataque. “Porque o que está dando a entender aqui é o seguinte, é que parece que o senhor quer tratar o governador Marcos Rocha como uma garota de programa, na madrugada. Aí quando é a luz do dia, não quer assumir o governo. A gente tem que vir e dizer: ‘Ó, eu apoio o governador Marcos Rocha’”, declarou.
Fúria reagiu afirmando que a comparação era desnecessária. “Cara, o que você falou é muito ruim, né? É um governador de Estado, ele é pai de família, ele tem a família dele, tem a esposa, tem os filhos. Uma garota de programa, um governador do Estado... dizendo que eu tô tratando o governador do Estado dessa maneira, como se fosse uma garota de programa. Um homem cristão, um homem cristão, um homem que enfrentou pandemia, que enfrentou vários desafios, que foi governador reeleito. Isso é ruim, cara”, respondeu.
Fúria acrescentou que Marcos Rocha tinha acertos e erros, mas que as perguntas sobre a administração deveriam ser dirigidas ao próprio governador. Reafirmou que estava no debate para apresentar o governo que pretendia iniciar em 2027. A assessoria jurídica foi orientada a formalizar eventual pedido de resposta.
Outro confronto de grande intensidade começou com uma pergunta de Expedito Netto a Samuel Costa sobre a Caerd. Expedito citou planos de privatização e pediu a opinião do adversário. Samuel, entretanto, direcionou a resposta para a disputa política envolvendo o PSB, o PT, sua própria candidatura e a candidatura de Neidinha Suruí.
“Netto, eu fico lisonjeado e eu me causo até estranheza, né? Porque, nas últimas horas, tu tentou puxar meu tapetão. Tu implorou para o ministro Paulo me prometer emprego de secretário nacional do consumidor para eu abrir mão da candidatura. E assim, Netto, eu não sei o que está acontecendo contigo, irmão. Na boa, eu te conheço há 18 anos. Tenho uma boa relação com teu pai, com tua mãe, que é uma pessoa maravilhosa. E assim, parece que tu está sendo dissimulado, meu irmão”, afirmou Samuel.
O candidato do PSB também cobrou Expedito pelo voto favorável ao impeachment da então presidente Dilma Rousseff, mencionou Luciana Oliveira e Neidinha Suruí e acusou o adversário de atuar para retirar candidaturas. Ao final da resposta, declarou-se contrário a qualquer privatização.
Durante a mesma resposta, Samuel afirmou que Marcos Rogério seria o único bolsonarista entre os participantes. “Todo mundo aqui é igual. O único que é Bolsonaro aqui é o Marcos Rogério. O PSD é do Lula. O PT também. O MDB faz parte. União Brasil, desculpe, doutor, também”, declarou.
Expedito respondeu que não tinha responsabilidade sobre as decisões internas do PSB. “Samuel, eu tenho um grande apreço pela sua pessoa, tenho um grande apreço e reconheço toda a defesa da Neidinha Suruí pelas mulheres, pelo meio ambiente, pelos indígenas. Tenho um grande apreço pelo PSB. Agora, tudo que você falou são ataques pessoais e eu não estou aqui para responder. Você sabe qual é o meu partido? Meu partido é o Partido dos Trabalhadores. É o 13. O seu é o 40. Se você tem alguma coisa para resolver com o partido, eu acho que não é comigo”, declarou.
Na tréplica, Samuel voltou a fazer acusações contra Expedito e encerrou sua manifestação com um ataque direto. “Isso é frio, cara. Para de ser psicopata. Isso é doença. Vamos se tratar, viu?”, declarou. Expedito solicitou direito de resposta, mas a comissão julgadora negou os pedidos apresentados durante o bloco.
Hildon Chaves também protagonizou uma declaração incisiva ao responder a Pedro Abib sobre regularização fundiária. Depois de abordar as terras que permaneciam sob responsabilidade da União, Hildon utilizou sua tréplica para criticar, sem mencionar nominalmente o alvo, promessas de encerramento da cobrança de pedágio.
“Eu me sinto desconfortável quando candidatos aqui, recentemente, garantiram, prometeram resolver a questão do pedágio. Isso é falta de responsabilidade e de respeito com a população. Nós sabemos que isso não se resolve por uma questão imediata. Houve ação ou omissão no passado? Ok. Vamos, sim, buscar agora, num momento eleitoral, assumir que vai acabar com o pedágio? Isso aí denota fraqueza moral”, afirmou Hildon.
O confronto entre Fúria e Marcos Rogério teve como centro o hospital de Ji-Paraná. Fúria afirmou que o adversário prometia a unidade desde campanhas anteriores. “Senador, as suas promessas continuam as mesmas. O senhor virou vereador prometendo construir um hospital de Ji-Paraná. Aí o senhor virou deputado federal prometendo construir o hospital de Ji-Paraná. Aí o senhor foi reeleito deputado federal prometendo construir o hospital de Ji-Paraná. Aí o senhor virou senador prometendo construir o hospital de Ji-Paraná. Aí o senhor ficou oito anos como senador falando que construiria o hospital de Ji-Paraná. E o hospital não saiu do papel”, declarou.
Marcos Rogério reconheceu a frustração com a demora, mas atribuiu a execução aos gestores municipais. Disse ter destinado recursos em diferentes oportunidades e afirmou que havia R$ 20 milhões na conta da prefeitura e mais R$ 10 milhões empenhados para o novo hospital.
“É verdade que há muito tempo eu quero construir um novo hospital em Ji-Paraná. E é por isso que eu sou candidato a governador. Porque, como parlamentar, a gente pode mandar o recurso. Mas quem tem a caneta e o poder da execução é o gestor”, respondeu Marcos Rogério.
No restante do segundo confronto, Marcos e Expedito discutiram a descentralização da saúde e convergiram na necessidade de levar especialistas e exames para o interior. Pedro Abib e Hildon trataram da regularização fundiária. Hildon e Pedro também discutiram assistência técnica, crédito, tecnologia e estrutura para a agricultura familiar.
Antes das considerações finais, a RondovisãoTV informou que todos os pedidos de direito de resposta haviam sido negados pela comissão julgadora. A emissora também reafirmou que a queda de energia havia ocorrido dentro de suas instalações e não tinha sido provocada pela distribuidora.
Samuel Costa abriu as considerações finais denunciando o que classificou como tentativa de golpe democrático contra sua candidatura e a chapa do PSB. Também afirmou ter se sentido “enojado” com a conduta de um candidato, sem identificá-lo naquele trecho, e pediu votos para sua chapa.
Pedro Abib encerrou defendendo o fim da polarização e do radicalismo, apresentou sua formação profissional e afirmou que o eleitor deveria examinar a honestidade, a integridade e os valores de cada candidato.
Adaílton Fúria utilizou o tempo para recordar sua administração em Cacoal, especialmente os serviços de saúde, a maternidade, o atendimento pediátrico e o transporte público gratuito.
Marcos Rogério falou sobre sua origem em uma linha rural, o potencial econômico de Rondônia e a necessidade de reunir uma equipe política para atrair recursos e realizar obras. Também apresentou Flávio Bolsonaro como seu candidato à Presidência e Bruno Scheid e Fernando Máximo como seus candidatos ao Senado.
Expedito Netto mencionou a família, a experiência política e o apoio ao presidente Lula. Defendeu a continuidade do debate de propostas e disse que as divergências partidárias deveriam ficar restritas ao período eleitoral. Nas considerações finais, Expedito Netto também protagonizou uma gafe ao tentar ironizar a ausência de obras do governo Jair Bolsonaro em Rondônia. Ao relembrar a aposta do ex-senador Ernandes Amorim, que ofereceria um carro a quem encontrasse uma obra de Bolsonaro no Estado, o candidato do PT trocou os nomes e mencionou justamente o presidente que apoiava. “A quem achar uma obra do presidente Lula, o Ernandes Amorim, ele dá um carro”, declarou. Pelo contexto da manifestação, Expedito pretendia fazer referência a Bolsonaro, mas acabou citando Lula durante a transmissão ao vivo.
Hildon Chaves encerrou recordando sua atuação como promotor de Justiça, sua trajetória empresarial na área da educação e sua experiência como prefeito de Porto Velho. Ao final, o mediador agradeceu aos candidatos, às entidades, aos convidados e ao público que acompanhou a transmissão pela televisão, pelo YouTube e pelo portal da Rondovisão.


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