PORTO VELHO, RO - A retirada de Confúcio Moura não cria um espólio eleitoral disponível para apropriação automática. Nas eleições de 2026, cada eleitor deverá escolher dois candidatos diferentes ao Senado. Isso significa que parte do eleitorado do emedebista provavelmente já possuía uma segunda preferência definida. Sua saída não coloca necessariamente todo esse contingente novamente no mercado eleitoral, mas obriga esses eleitores a completar ou reorganizar uma combinação que, em muitos casos, já estava parcialmente construída.
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Uma migração absoluta para apenas uma candidatura seria o cenário de maior impacto, mas também o menos provável. Caso ocorresse uma concentração excepcional em torno de um nome de perfil pragmático, menos dependente da polarização nacional e mais associado à entrega de resultados, esse movimento poderia redesenhar a disputa pela segunda vaga. Candidaturas como as de Sílvia Cristina e Mariana Carvalho estariam inseridas nesse campo de possibilidades, cada uma por características próprias e sem que isso represente transferência automática ou equivalência política com Confúcio.
O cenário mais plausível, entretanto, é o da pulverização. Os antigos votos de Confúcio podem escorrer em pequenas parcelas para Sílvia, Mariana, Luciana Oliveira, Luís Fernando e outros concorrentes, conforme a motivação particular de cada eleitor.
Uma parte poderá seguir a identificação com o governo Lula; outra poderá procurar experiência administrativa, moderação, presença municipal ou capacidade de produzir resultados concretos. Nesse pinga-pinga, vários candidatos ganhariam alguma musculatura, mas nenhum necessariamente receberia volume suficiente para transformar de maneira isolada uma candidatura ainda distante das primeiras posições.
Essa dispersão também modifica a forma de avaliar os candidatos do PL. Fernando Máximo e Bruno Scheid dificilmente seriam os principais destinatários diretos do eleitorado de Confúcio, sobretudo entre aqueles que acompanhavam o senador por sua relação com o governo federal. Ainda assim, poderiam ser beneficiados pela incapacidade dos adversários de concentrar os votos liberados. Se o eleitorado de Confúcio se espalhar entre vários nomes, deixar incompleto o segundo voto ou apenas reforçar candidaturas sem força suficiente para alcançar o bloco principal, a chapa do PL poderá preservar as performances registradas antes da desistência.
O efeito contrário também é possível. Caso uma parcela relevante desses votos se concentre em uma ou duas candidaturas pragmáticas já competitivas, a vantagem relativa do PL poderá diminuir. A pesquisa Real Time Big Data* mostrava Fernando Máximo com 19%, Sílvia Cristina com 14%, Confúcio Moura e Bruno Scheid com 13% cada e Mariana Carvalho com 12%, deixando os principais concorrentes pela segunda vaga separados por poucos pontos. Nesse ambiente, uma transferência moderada, mesmo muito distante de uma migração integral, já seria capaz de mudar a ordem do grupo.
Por isso, a saída de Confúcio não beneficia nem prejudica automaticamente uma candidatura. Seu efeito dependerá menos do tamanho bruto do eleitorado que ele deixa e mais do grau de concentração alcançado na redistribuição. Se houver convergência, o pragmatismo poderá ganhar força e impor um revés à estratégia do PL de conquistar as duas cadeiras. Se houver pulverização, os adversários receberão acréscimos insuficientes para produzir um novo favorito, enquanto Fernando Máximo e Bruno Scheid poderão conservar suas posições relativas sem precisar herdar diretamente os votos do emedebista.
O verdadeiro peso de Confúcio, portanto, não está na existência de um herdeiro natural. Está na capacidade — dele, do MDB ou das circunstâncias da campanha — de impedir que seu eleitorado se transforme apenas em pequenas gotas distribuídas pelo tabuleiro. Concentrado, esse voto pode alterar a disputa. Pulverizado, poderá mudar números individuais sem modificar substancialmente a correlação de forças.
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*A pesquisa Real Time Big Data foi realizada entre os dias 14 e 15 de julho de 2026. O instituto entrevistou 1.600 eleitores em Rondônia. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RO-04369/2026.


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