O Ministério do Comércio da China afirmou nesta segunda-feira (27) que se opõe "firmemente" às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos chineses sob a justificativa de combate ao trabalho forçado. Pequim classificou as medidas como "injustificadas" e pediu a retirada das taxas adicionais.
A manifestação ocorre após os EUA anunciarem tarifas de 10% e 12,5% sobre produtos de 60 parceiros comerciais. Entre os atingidos estão a União Europeia, que recebeu a taxa de 10%, o Brasil e a China, ambos com uma alíquota de 12,5%.
Segundo Washington, os países atingidos não adotaram medidas suficientes para restringir importações associadas ao trabalho degradante.
Pequim rejeitou a acusação e reagiu criticando o histórico dos próprios EUA na área trabalhista. O ministério afirmou que Washington voltou a recorrer à Seção 301 para justificar uma investigação comercial e impor tarifas unilaterais com base em acusações de trabalho forçado.
Em nota, o órgão classificou a medida como "um ato típico de unilateralismo e protecionismo" e afirmou que a China mantém uma ampla estrutura de leis trabalhistas.
O governo chinês também acusou os EUA de não terem ratificado a Convenção sobre Trabalho Forçado de 1930 e de utilizarem o tema de forma política.
Apesar de alertar que reserva o direito de "tomar todas as medidas necessárias", Pequim indicou disposição para manter o diálogo "baseado em respeito mútuo, igualdade e benefício mútuo".
O ministério afirmou que os EUA haviam se comprometido, em negociações anteriores, a limitar eventuais tarifas adicionais a 20%.
Como a nova taxa aplicada à China ficou em 12,5%, Pequim indicou que ainda vê espaço para manter a trégua comercial e avançar nas conversas antes da possível visita do presidente Xi Jinping a Washington, prevista para setembro.
Além das tarifas, a China criticou a possibilidade de os Estados Unidos abrirem uma investigação sobre o setor chinês de inteligência artificial.
Pequim acusou Washington de promover um "hegemonismo por IA" e de recorrer a medidas unilaterais para conter o avanço tecnológico chinês.
O governo também condenou o que chamou de "difamação" e ameaças de sanções contra empresas do setor.
O governo chinês afirmou que acompanhará os desdobramentos e prometeu adotar "todas as medidas necessárias" para proteger os direitos e interesses de suas empresas. A reação amplia a lista de atritos entre as duas maiores economias do mundo, que já disputam espaço em áreas como comércio, semicondutores e inteligência artificial.


Comentários
Seja o primeiro a comentar!