Com a Copa do Mundo em evidência, com o planeta ligado no futebol, a política, que é o norte de tudo (saúde, educação, cultura, economia, dentre outras prioridades), além do esporte, que é a pauta do momento, pouco tem a comentar na semana. E, nesse contexto, está a Seleção Brasileira, que teve uma estreia melancólica com o empate (1x1) no jogo contra o Marrocos.
Na sexta-feira (13), na estreia do Brasil na Copa do Mundo, da seleção comandada pelo renomado treinador Carlo Ancelotti, ficou evidente que teremos muitas dificuldades para disputar o título do Mundial deste ano. A seleção esteve apática e até conformada com o empate, pois apresentou um futebol muito abaixo da crítica.
A vitória (3x0) no jogo de sexta-feira (19) não serviu como um alento para o futuro. Após o resultado, dificilmente o Brasil deixará de se classificar para a fase seguinte, muito mais pela ruindade das demais seleções do grupo do que pelos méritos da seleção verde e amarela.
A pré-campanha política em Rondônia também esteve equiparada ao desempenho da seleção na Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá: devagar, quase parando. Durante a semana, os principais pré-candidatos a governador, Hildon Chaves (UB), Marcos Rogério (PL), Expedito Netto (PT), Pedro Abib (MDB), Adailton Fúria (PSD) e Samuel Costa (PSB), praticamente estiveram fora do noticiário regional.
A prioridade nos órgãos de comunicação foi a Copa do Mundo, e o Brasil, pela estreia nada convincente diante do Marrocos, ocupou as principais manchetes nos sites, rádios, TVs, redes sociais e nos poucos jornais que circulam no Estado. E não poderia ser diferente.
A preocupação era com o jogo de sexta-feira (19) contra o fraquíssimo Haiti. E foi assim até boa parte do primeiro tempo. E, como sempre ocorre nessas ocasiões, a individualidade do jogador brasileiro, hoje esquecida pelos treinadores, resultou na abertura do placar aos 23 minutos. Vinícius Júnior, após driblar o zagueiro, chutou forte; o goleiro defendeu e, no rebote, Matheus Cunha concluiu. Foi Matheus Cunha quem marcou o segundo, e Vinícius Júnior fechou o placar, ainda no primeiro tempo, em 3x0, que acabou sendo o resultado final.
O Brasil assumiu a liderança do grupo, com quatro pontos, e, na quarta-feira (24), enfrentará a Escócia. Um empate já garante a classificação para a próxima fase.
Não é saudosismo, mas quem viu jogar as seleções de 1958, 1962, 1970, 1994 e, mais recentemente, a de 2002 sabe o quanto caiu a qualidade do futebol brasileiro. Se antes as melhores seleções do mundo se preocupavam em não ser goleadas pela Seleção Brasileira, devido à qualidade dos jogadores, mesmo quando perdíamos as Copas.
As seleções do saudoso Telê Santana (1982 e 1986) não conseguiram títulos, mas jogavam um futebol com a maioria dos jogadores talentosos, além de apresentarem um futebol envolvente e ofensivo. Em 82, tínhamos Sócrates, o capitão, além de Zico, Falcão, Éder, Paulo Isidoro, Reinaldo, Serginho (Chulapa), Júnior e Toninho Cerezo.
A de 86 não ficava atrás. Além de Zico, Sócrates, Falcão e Júnior, compunham o elenco Careca, Muller, Josimar e Valdo. Leão era o goleiro e, na defesa, Alemão e Carlos. Ambas não conseguiram o título, porque o futebol, como sempre argumentamos, é o único esporte coletivo do mundo em que um time ruim pode ganhar de um ótimo. E sempre citamos o exemplo do Santos, com um ataque formado por Durval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, perder para Jabaquara, Juventus e Portuguesa Santista.
Concluindo e fazendo um comparativo, principalmente para os mais jovens, que não tiveram condições de conhecer o futebol-arte do Brasil, que encantou o mundo e garantiu cinco títulos mundiais.
Em 1982, tínhamos um ataque envolvente, que jogava sempre para vencer, para a frente. Não se sabia o que era retranca. A seleção tinha como base o Flamengo, que continua sendo um dos melhores clubes do mundo.
Já em 1986, era uma mescla de jogadores veteranos e jovens, mas todos com qualidade, técnica, ações coletivas e individuais. Fomos eliminados nas quartas de final pela França. Coisa do futebol.
Sobre a seleção atual, formada pelos empresários da maioria dos jogadores, que impõem a convocação, inclusive com nomes de atletas dos quais boa parte dos brasileiros nunca ouviu falar, pode até chegar mais à frente na competição, inclusive à final, e ganhar. Mas, com certeza, seria um milagre se continuar praticando o futebol desqualificado tecnicamente, sem individualidade e ações coletivas, mesmo com os 3x0 contra o Haiti, um arremedo de seleção de futebol.
E seja o que Deus quiser...



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