Luana Rocha e Adaílton Fúria / Montagem-IA
PORTO VELHO, RO - Quando Coronel Marcos Rocha venceu o segundo turno das eleições de 30 de outubro de 2022 com 52,47% dos votos válidos, derrotando Marcos Rogério por uma margem que os analistas consideraram apertada mas decisiva, havia uma variável pouco discutida pela imprensa rondoniense que compunha a arquitetura daquela vitória: onze dias antes do pleito, a secretária de Estado da Assistência e do Desenvolvimento Social, Luana Nunes de Oliveira Rocha Santos, havia sido exonerada do cargo que ocupava desde o primeiro dia do governo. A publicação no Diário Oficial, em 19 de outubro de 2022, não foi um ato burocrático qualquer. Foi o movimento de uma gestora que, ao longo de quase quatro anos à frente da principal pasta social de Rondônia, havia construído um dos maiores patrimônios políticos do estado — e que optou por colocá-lo integralmente a serviço da campanha do marido na reta decisiva da disputa. A leitura política daquele gesto é simples e inequívoca: Luana saiu do governo para entrar na campanha. E Marcos Rocha ganhou.
Esse episódio, por si só, já seria suficiente para fundamentar a tese de que Luana Rocha é o nome mais qualificado para coordenar a campanha de Adaílton Fúria, do PSD, ao Governo do Estado de Rondônia. Mas a trajetória dela é muito mais extensa e documentada do que um único gesto de lealdade conjugal e estratégia eleitoral. Trata-se de uma gestora pública que passou mais de seis anos construindo, tijolo por tijolo, uma rede de presença social que atravessa todos os 52 municípios rondonienses, que tem o rosto reconhecido desde as ribeirinhas do Baixo Madeira até as cidades do Cone Sul, e que transformou programas de assistência em instrumentos de vinculação afetiva entre o governo e a população mais vulnerável. Em política, esse tipo de vínculo tem outro nome: voto.
A história de Luana Rocha na política estadual começa antes mesmo da posse do governador. Em dezembro de 2018, quando Marcos Rocha ainda era governador eleito, ela já havia sido anunciada para o comando da SEAS e iniciado o planejamento das ações da pasta, buscando apoio técnico para montar o programa de metas. O próprio governador eleito destacou à época que Luana queria dar atenção especial às crianças portadoras de deficiências. Havia, desde o primeiro momento, uma clareza de propósito que distinguia sua entrada no governo de uma mera nomeação protocolar de primeira-dama.
Ao assumir em janeiro de 2019, ela encontrou uma secretaria sem servidores efetivos, com orçamento de R$ 24 milhões e sem estrutura para entregar resultados. Anos depois, em entrevista, descreveu aquele ponto de partida com a objetividade de quem já havia virado o jogo: "A gente pegou a casa um pouco bagunçada." A frase, desprovida de drama, resume com precisão a disposição com que encarou o desafio. Ao longo da gestão, o orçamento da pasta ultrapassou R$ 100 milhões — mais de quatro vezes o valor inicial —, e a secretaria passou a contar com quadro de servidores efetivos, estrutura técnica e programas com alcance em todo o território estadual.
A construção desse percurso foi metódica e presencial. Em setembro de 2019, Luana percorreu o Cone Sul do estado acompanhada do governador, visitando o Lar dos Idosos Maria Tereza da Lamarta em Vilhena, onde conversou pessoalmente com os idosos e percorreu toda a área interna da instituição, e a APAE local, onde os alunos apresentaram uma performance de dança que, segundo os registros da época, emocionou a todos os presentes. Naquele mesmo período, reuniu-se com o deputado estadual Geraldo da Rondônia para apresentar os projetos prioritários da SEAS, listando iniciativas que iam do Programa Criança Feliz — então com adesão de 23 dos 52 municípios — à construção de academias ao ar livre para idosos, passando pelos projetos Bombeiro Mirim e Policial Mirim e pelo Proerd. Já no início de 2020, durante visita a Rolim de Moura, fez balanço público do primeiro ano de gestão e apresentou o planejamento para o ano seguinte.
Foi nesse ritmo — de presença física nos municípios, diálogo com prefeitos e vereadores, construção de parcerias institucionais e entrega progressiva de resultados — que Luana Rocha foi tecendo o tecido político que, em 2022, converteu-se em apoio eleitoral concreto. Em dezembro de 2021, no Fórum Estadual de Prefeitos e Vereadores, ela apresentou o cofinanciamento estadual do SUAS, informou que mais de R$ 15 milhões haviam sido repassados aos municípios em 2020 e anunciou a meta de superar R$ 10 milhões em repasses até o final de 2021. Naquele mesmo evento, detalhou o Mamãe Cheguei, que já atendia mais de 50 municípios com 1.712 kits enxoval entregues, e o Criança Feliz+, com 1.580 famílias beneficiadas. Eram números. Mas eram também rostos, nomes, famílias distribuídas pelos 52 municípios do estado — todas com razão concreta para lembrar de quem havia chegado até elas.
O Mamãe Cheguei é, nesse sentido, um dos programas mais representativos da estratégia política-social de Luana Rocha. Criado em 2019, com entregas iniciadas em 2020, o programa tem como objetivo promover o fortalecimento do vínculo entre a gestante e o bebê, incentivar a realização do pré-natal na rede pública e reduzir a mortalidade materno-infantil. Cada kit enxoval entregue — contendo banheira, travesseiro, fraldas, roupinhas e outros itens essenciais — é precedido de um encontro de acolhimento e orientação. Não é apenas distribuição de material: é presença do estado no momento mais vulnerável da vida de uma família. Ao longo dos anos, o programa foi sendo aprimorado: primeiro vieram as fraldas ecológicas, depois o berço portátil. Em maio de 2025, o Mamãe Cheguei havia contemplado 20.254 bebês em todo o estado.
O Prato Fácil, lançado em maio de 2021, é o outro eixo estrutural da gestão. Concebido para oferecer refeições saudáveis à população inscrita no CadÚnico ao custo de R$ 2 — com o restante do valor subsidiado pelo Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza —, o programa foi desenhado com um modelo operacional inteligente: ao invés de construir restaurantes públicos, credenciou estabelecimentos privados, o que permitiu uma expansão rápida pelo interior. Em junho de 2024, atingiu 3 milhões de refeições servidas. Em março de 2025, ultrapassou 4 milhões. Em dezembro de 2024, Luana esteve pessoalmente em Rolim de Moura para inaugurar mais uma unidade, anunciando que o programa já estava presente em Porto Velho, Vilhena, Ariquemes, Cacoal, Guajará-Mirim, Ji-Paraná, Jaru e Rolim de Moura. Na ocasião, ela sintetizou o que o programa representava: "Com mais de 3,6 milhões de refeições servidas em Rondônia, o Prato Fácil é um dos maiores projetos de segurança alimentar do estado."
O Mulher Protegida, por sua vez, evidencia a dimensão de proteção social que Luana incorporou à agenda da SEAS. Direcionado a mulheres em situação de violência doméstica cadastradas no CadÚnico, o programa oferece acompanhamento psicossocial, auxílio financeiro de R$ 2.400 divididos em seis parcelas e cursos de capacitação profissional para inserção no mercado de trabalho. "Sabemos que é grande o número de mulheres que sofrem algum tipo de violência, por isso foi necessário estabelecer critérios, com prioridades para a concessão do auxílio financeiro com base no CadÚnico", disse a secretária ao explicar a lógica do programa. Em março de 2023, o Mulher Protegida já havia atendido 1.218 mulheres em um ano e dois meses de existência.
Ao conjunto desses programas soma-se o Rondônia Cidadã, que desde 2019 percorre os 52 municípios levando serviços essenciais à população, com mais de 100 mil atendimentos registrados, 17.247 apenas em Porto Velho. E o Vencer, lançado em janeiro de 2024, voltado à qualificação profissional de jovens e adultos em situação de vulnerabilidade, com prioridade para mulheres atendidas pelo Mulher Protegida, mães atípicas, pessoas com deficiência e catadores de materiais recicláveis. É uma arquitetura de políticas públicas que cobre o ciclo completo da vulnerabilidade social: da gestante ao idoso, da vítima de violência ao desempregado, da criança em risco ao trabalhador informal.
Esse conjunto de entregas não passou despercebido fora de Rondônia. Em março de 2026, a coluna "Brasília-DF", do Blog da Denise no Correio Braziliense, um dos espaços mais acompanhados da política nacional, citou Luana Rocha ao tratar do cenário eleitoral de 2026, registrando que ela pretende concentrar esforços em projetos voltados à população mais vulnerável. A menção foi interpretada por analistas regionais como um "selo" de relevância: Brasília raramente abre espaço para personagens da política rondoniense sem que haja movimento político real e entrega pública concreta por trás.
A Assembleia Legislativa do Estado também já expressou esse reconhecimento de forma institucional. Em novembro de 2025, Luana Rocha foi homenageada com Voto de Louvor no evento "Mulheres Relevantes", por proposição do deputado Eyder Brasil. Ao receber a comenda, durante a inauguração do Natal de Luz no Palácio Rio Madeira, ela estendeu a homenagem "a todas as mulheres que estão na luta pela sociedade e pela família" e à equipe da SEAS "pelas ações realizadas em prol da população, transformando em realidade tudo aquilo que sonhamos e planejamos juntos."
É nesse ponto que a trajetória de Luana Rocha converge com a disputa eleitoral de 2026 de uma forma que vai além da lógica convencional de coordenação de campanha. Uma coordenadora de campanha típica organiza agenda, mobiliza militância, distribui material e articula apoios. Luana Rocha faz tudo isso — e ainda carrega consigo seis anos de relacionamento construído com prefeitos, vereadores, líderes comunitários, beneficiários de programas sociais e lideranças do interior em todos os 52 municípios do estado. Ela esteve pessoalmente em Pimenta Bueno, Colorado do Oeste, Vilhena, Rolim de Moura, Ji-Paraná, Ariquemes, Cacoal, Jaru, no Baixo Madeira, no Cone Sul, na capital. Não como cabo eleitoral. Como gestora que entregou resultados e que, por isso, tem a confiança das pessoas que receberam esses resultados.
O episódio de outubro de 2022 permanece como o dado mais eloquente dessa análise. Luana Rocha abriu mão da cadeira de secretária de Estado — com toda a visibilidade, estrutura e poder institucional que o cargo confere — para trabalhar pela vitória do marido no segundo turno. Marcos Rocha ganhou. Agora, a mesma disposição estratégica, a mesma capilaridade territorial, o mesmo capital de confiança popular estão disponíveis para a campanha de Adaílton Fúria. Para quem acompanha a política rondoniense com atenção, a pergunta não é se Luana Rocha tem as credenciais para coordenar uma campanha ao governo do estado.
Todo governo de dois mandatos acumula desgastes. É a natureza do exercício do poder. O de Marcos Rocha não é exceção. Mas Luana Rocha atravessou esses oito anos de gestão numa posição singular: à frente do flanco que mais entregou resultados concretos e mensuráveis à população mais vulnerável do estado. Enquanto outras áreas sofreram o atrito natural da administração pública, a SEAS foi se consolidando como a vitrine administrativa do governo — e Luana, como o rosto dessa vitrine. Sair de um ciclo político longo sem arranhões não é sorte. É gestão.
A pergunta é: existe, hoje em Rondônia, alguém com credenciais maiores?



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