O Instituto Patris, Organização Social escolhida para assumir um contrato de R$ 126,6 milhões na saúde pública de Rondônia, voltou ao centro de questionamentos após ser citado em reportagem sobre a atuação de um grupo empresarial investigado pela Polícia Federal em Mato Grosso.
A publicação do portal Goiás24Horas aponta que empresas ligadas ao grupo investigado conquistaram contratos milionários na saúde pública de Goiás, Estado onde o Instituto Patris administra hospitais estaduais e municipais. A reportagem também questiona as relações existentes entre a direção da OS e os integrantes investigados.
Em Rondônia, o Instituto Patris foi escolhido pela Secretaria de Estado da Saúde para assumir progressivamente a gestão, a operacionalização e a execução dos serviços do Hospital Regional Adamastor Teixeira de Oliveira, em Vilhena. A contratação direta emergencial foi estimada em R$ 126.645.823,80.
A entrada da entidade, entretanto, foi suspensa cautelarmente pelo Tribunal de Contas do Estado de Rondônia. O órgão apontou lacunas na transparência do processo, dúvidas sobre os critérios utilizados para a escolha da OS e ausência de comprovação completa de sua capacidade operacional e da vantagem econômica da contratação.
O TCE-RO também determinou que a Secretaria de Saúde apresentasse informações sobre a regularidade jurídica, fiscal, trabalhista, previdenciária e sanitária do Instituto Patris. Foram solicitadas ainda análises relacionadas à integridade, possíveis conflitos de interesse, impedimentos e apontamentos formulados por outros órgãos de controle.
Segundo o site oficial do Instituto Patris, a organização atualmente mantém atuação em unidades de Goiás e do Paraná. Entre os hospitais apresentados estão o Hospital Estadual de Luziânia, o Hospital e Maternidade Dona Íris, o Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara e o Hospital e Maternidade de Contenda. Rondônia não aparece na relação de unidades administradas pela OS.
A página institucional informa ainda que o Instituto Patris recebeu, em junho de 2025, o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, o Cebas, concedido pelo Ministério da Saúde. A entidade afirma que suas atividades são voltadas ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde e ao atendimento de populações vulneráveis.
Até o momento, as informações disponíveis não indicam que o próprio Instituto Patris seja formalmente investigado pela Polícia Federal. Os procedimentos mencionados envolvem integrantes e empresas de um grupo relacionado à organização. Também não existe condenação definitiva vinculada aos fatos citados.
A decisão do TCE-RO sobre o contrato de Vilhena possui caráter cautelar e não representa julgamento definitivo pela existência de irregularidades. O processo permanece sob acompanhamento do órgão de controle, enquanto a OS e os demais envolvidos têm direito ao contraditório e à ampla defesa.


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