PORTO VELHO, RO - O senador Confúcio Moura, pré-candidato à reeleição pelo MDB, afirmou que apoia de maneira aberta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, rejeitou a tentativa de responsabilizá-lo individualmente pela cobrança de pedágios na BR-364 e defendeu a legalidade das 11 unidades de conservação instituídas durante sua passagem pelo Governo de Rondônia. As declarações foram feitas na 15ª edição do podcast RD Entrevista, apresentado pelo jornalista Vinícius Canova e realizado nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia.
Durante a entrevista, Confúcio reconheceu que sua proximidade com Lula deverá ser explorada pelos adversários na campanha eleitoral. O senador afirmou ser o integrante da bancada federal de Rondônia que oferece apoio mais explícito ao atual presidente e justificou a posição com base no resultado das urnas e na necessidade de sustentação política para o funcionamento do governo.
“Eu, dos 11 parlamentares, sou eu que apoio claramente o governo. Ostensivamente, sou eu. Os outros todos, às vezes, são mais mansos, mas ninguém quer aparecer perto do presidente. Eu defendo com muita honra o presidente porque ele é um presidente legítimo. Ele foi eleito pelo povo”, declarou.
Confúcio disse que Lula venceu uma eleição democrática e que precisa de uma base parlamentar para administrar o país. Segundo ele, apoiar o governo não significa obter vantagens pessoais, mas trabalhar para que recursos federais sejam destinados a Rondônia.
“Eu sou da base do governo para ajudá-lo a governar o país que eu vivo. Eu vivo no Brasil. Se ele for mau presidente, para muitos ele é mau presidente, nós todos vamos perder muito”, afirmou.
O senador acrescentou que respeitará outro candidato caso Lula seja derrotado. De acordo com Confúcio, a postura institucional adotada diante do atual governo é semelhante à mantida durante a Presidência de Jair Bolsonaro, embora ele não tenha sido eleitor ou seguidor do ex-presidente.
Confúcio recordou que presidiu uma comissão do Congresso Nacional durante a pandemia e que participou da análise de medidas solicitadas pelo governo federal naquele período. Ele afirmou que manteve diálogo com o então ministro da Economia, Paulo Guedes, e que não tentou dificultar a administração de Bolsonaro.
“Eu não atrapalhei o Bolsonaro em nada. E nunca fiz uma crítica a ele. Nunca fiz. Eu nunca levantei a voz para falar que ele é vagabundo, que isso e aquilo. Nunca, nunca, nunca, nunca. O maior respeito possível pela pessoa dele”, disse.
Ao comparar os dois governos, Confúcio avaliou que Bolsonaro priorizou um ajuste fiscal mais rigoroso e reduziu despesas, enquanto Lula ampliou os investimentos públicos. O senador afirmou que os recursos federais destinados às rodovias de Rondônia passaram de R$ 118 milhões anuais na administração anterior para aproximadamente R$ 600 milhões no atual governo.
“Os investimentos em rodovias do governo Bolsonaro eram de R$ 118 milhões por ano aqui em Rondônia. No governo do Lula, nós chegamos a R$ 600 milhões. Quatro vezes mais de investimento”, declarou.
Segundo Confúcio, também houve crescimento dos investimentos federais nas áreas de saúde, educação, habitação e infraestrutura. Ele afirmou atuar como intermediário entre os municípios rondonienses e os ministérios, buscando incluir projetos do Estado no orçamento do Executivo federal.
“A vantagem que eu recebo são os benefícios de investimento para Rondônia, que não diminuíram, fizeram foi aumentar. Os investimentos grandes no estado de Rondônia, eu sou o porta-voz desses investimentos no estado de Rondônia”, afirmou.
A cobrança de pedágios na BR-364 ocupou outra parte central da entrevista. Questionado sobre a utilização política de sua relação com o governo Lula, Confúcio disse que os adversários precisavam colocar a responsabilidade sobre alguém e escolheram seu nome.
O senador rejeitou, porém, a afirmação de que deputados, senadores ou o presidente da República tenham competência direta para estabelecer os termos do pedágio. De acordo com ele, a concessão resulta de um procedimento administrativo conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, com licitação, contrato e fiscalização do Tribunal de Contas da União.
“Precisava colocar a cruz no lombo de alguém. Colocaram no meu ombro. Mas o pedágio não é competência de deputado, nem de senador, nem de presidente da República. O pedágio é uma negociação contratual, de licitação, feita pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, a ANTT, e fiscalizada pelo Tribunal de Contas”, declarou.
Confúcio afirmou que o projeto de concessão começou a ser preparado durante o governo Bolsonaro, quando Tarcísio de Freitas ocupava o Ministério da Infraestrutura, e teve continuidade na administração Lula. Para ele, esse histórico será omitido pelos adversários durante a disputa eleitoral.
“Começou lá, foram feitas audiências públicas, começou com eles lá e o Lula deu continuidade. Logicamente, no discurso eleitoral, nesse momento político de debates, a turminha me acusa mesmo e bate. Isso eu vou sofrer muito nessa campanha, porque eles vão tentar jogar isso nas minhas costas”, afirmou.
Embora defenda a execução de obras de duplicação e recuperação da rodovia, o senador reconheceu as reclamações sobre os valores cobrados. Ele sugeriu a revisão das tarifas, a ampliação do prazo contratual e a criação de mais pontos de cobrança para que os usuários paguem apenas pelo trecho efetivamente percorrido.
Confúcio também defendeu um tratamento diferenciado para pacientes que viajam regularmente em busca de atendimento médico, pessoas submetidas à hemodiálise e estudantes que precisam se deslocar entre municípios.
“Os doentes de câncer que vêm aqui para o Hospital do Amor todo dia, o pessoal da hemodiálise que vem três vezes por semana e os alunos das universidades que toda noite estão viajando do interior para as cidades maiores para estudar, que têm que pagar pedágio todo dia, não dá. Então, tem que encontrar uma maneira de maneirar isso”, disse.
Segundo o senador, a avaliação da população poderá mudar depois da conclusão das intervenções previstas na concessão. Ele afirmou que a duplicação, a recuperação do pavimento e a redução dos acidentes serão consideradas pelos usuários ao lado dos custos do pedágio.
“Lá na frente, a população vai falar: o Confúcio está certo, fez muito bem em duplicar essas áreas, diminuir os acidentes, eu estou andando melhor, eu não estou furando pneu nos buracos, o balanceamento das rodas está bom. Eles vão ver que valeu a pena”, declarou.
Outro assunto sensível foi a criação de 11 unidades de conservação durante o governo de Confúcio. O senador afirmou que os decretos foram fundamentados na lei estadual de zoneamento, aprovada em 2000, que estabeleceu áreas destinadas à produção, ao manejo florestal, à proteção ambiental e ao domínio da União.
Confúcio declarou que a Estação Ecológica Soldado da Borracha, localizada na região de Cujubim, concentra a maior parte das controvérsias, enquanto as demais unidades possuem extensões menores e não provocaram a mesma repercussão.
“Na realidade, foram 11 reservas pequenas. A que dá mais confusão hoje é a Estação Ecológica Soldado da Borracha, lá em Cujubim. As outras, ninguém fala nada, porque elas são bem pequenininhas”, afirmou.
O senador negou que moradores tenham sido retirados das áreas protegidas. Segundo ele, antigos seringueiros e outros ocupantes permaneceram nos locais depois da criação das unidades.
“Ninguém foi retirado. Até hoje. Ninguém foi retirado. Não tem uma pessoa fora dessas unidades de conservação. Lá na frente, poderá acontecer, mas não houve nada até hoje. Não teve nada, ninguém foi desintrusado delas”, declarou.
Confúcio também afirmou que decretos posteriores tentaram suspender as medidas adotadas em seu governo, mas foram revertidos judicialmente. Ele apresentou a permanência das unidades como argumento de que os atos administrativos respeitaram a legislação.
“Eu fiz tudo dentro da lei. Tão certinho que eu fiz dentro da lei que ninguém derrubou até hoje. Nem o próprio governador, que já editou novos decretos suspendendo o meu, porque a Justiça retomou”, afirmou.
Ao falar sobre as pessoas que vivem nas áreas, o senador declarou que ninguém sofreu prejuízo financeiro diretamente provocado pelos decretos. Reconheceu, entretanto, que a situação criou insegurança entre ocupantes que não sabem se permanecerão definitivamente nos locais.
Confúcio também abordou a polarização política e rejeitou a ideia de que a convivência com integrantes de campos opostos seja impossível. Ele afirmou possuir lado político definido, mas disse manter relações pessoais e institucionais com parlamentares identificados com a direita.
Entre os nomes mencionados estão os senadores Eduardo Girão, Rogério Marinho e Tereza Cristina. Confúcio afirmou que as divergências nas votações não impedem conversas, elaboração conjunta de propostas e relações de amizade.
“O político não tem jeito de não ter um rótulo. Ele tem que ter lado. A pessoa tem que ter um lado. Eu sempre fui desse jeito. Você pode ver meus discursos, minhas manifestações, desde quando eu comecei, quando eu era deputado, nos anos 1990, e eu já estava falando a mesma coisa que falo hoje”, declarou.
O senador afirmou que sua aproximação com pautas de esquerda ocorreu antes mesmo de conhecer essa classificação ideológica. Como exemplo, citou a defesa da saúde pública como direito universal durante o movimento da Reforma Sanitária Brasileira e sua atuação na implantação do Sistema Único de Saúde em Rondônia.
“Eu nem sabia que era de esquerda. Eu não me enquadrei e falei: ‘Eu quero ser de esquerda’. Nem sei o que é isso. Eu sou porque sou, porque acho que isso é importante, não é porque eu tenho rótulo que sou esquerdista”, afirmou.
Ao questionar a utilidade das divisões ideológicas, Confúcio mencionou discussões sobre aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e costumes. Na avaliação dele, essas disputas acabam sendo usadas para alimentar radicalismos e afastar o debate de temas relacionados à administração pública.
“Então, isso é uma tese de extrema direita. Então, são essas besteiras. Esses detalhes que não têm nada a ver. O que tem a ver aborto, casamento de homem com homem? O que tem a ver com governo, com povo, com educação? Nada”, declarou.
Confúcio também criticou pessoas que transformam divergências políticas em hostilidade pessoal. Segundo ele, o problema não está na existência de posições diferentes, mas na recusa ao diálogo.
“Tem o extremista, é duro que ele não conversa. Ele tem um ódio de você sem conhecer. Ele está lá naquela ponta, não quer saber, já xinga a gente. Aí é terrível, porque você nem sabe por que o cara não gosta de você e já te xinga, te ofende”, afirmou.
A entrevista ainda tratou das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Confúcio criticou o presidente Donald Trump e disse que o republicano rompeu com o padrão diplomático tradicionalmente adotado por governos norte-americanos.
Para o senador, Trump coloca os interesses dos Estados Unidos acima das relações comerciais equilibradas e utiliza ameaças tarifárias como instrumento de negociação e pressão política.
“O Trump foge do padrão dos presidentes americanos, que são extremamente respeitosos e mantêm essas relações internacionais com muita diplomacia, com muita cortesia. O Trump passou a colocar o interesse americano como o centro do mundo”, declarou.
Confúcio classificou o presidente norte-americano como um negociador que lança ameaças para depois recuar ou buscar acordos mais vantajosos.
“O Trump é blefador. Ele é um jogador de cassino. Ele é o homem do pôquer. Ele joga para você, blefa e depois volta. É como um jogo de carteado”, afirmou.
O senador declarou que o Brasil deve evitar uma confrontação imediata, ampliar relações comerciais e buscar compradores em outros países. Ele citou a China, nações árabes e mercados asiáticos como alternativas para os produtos brasileiros.
Na área partidária, Confúcio falou sobre a pré-candidatura de Pedro Abib ao Governo de Rondônia pelo MDB. Presidente estadual da legenda, ele afirmou que Abib apresentou uma carta em abril colocando o nome à disposição e recebeu autorização para iniciar a construção da candidatura.
De acordo com o senador, o MDB estabeleceu duas condições: o pré-candidato precisaria alcançar alguma pontuação nas pesquisas até a convenção e assumir as despesas da própria campanha, pois o partido não dispunha de recursos para financiar integralmente o projeto.
“Ele fez, em abril, uma carta para nós, do MDB, colocando-se à disposição do partido para disputar o governo. Nós falamos: ‘Tudo bem, vamos aceitar. Você pode disputar, com um condicionante: você tem que ter alguma pontuação na pesquisa até a convenção e tem que assumir os gastos da sua campanha’”, relatou.
Confúcio negou a existência de um movimento para retirar Pedro Abib da disputa e substituí-lo pelo ex-senador Amir Lando. Ele disse que Abib percorre o Estado acompanhado da família e que tem recebido avaliações positivas.
“Ninguém quer ameaçá-lo de jeito nenhum. Ele está rodando o Estado. Como está com pouco recurso, está ele, a mulher e dois filhos, ele mesmo dirigindo. E o povo está gostando dele. É um menino inteligente, é um menino do futuro”, declarou.
Sobre Amir Lando, Confúcio destacou a experiência como senador, ministro, parlamentar constituinte e advogado ligado ao processo de colonização de Rondônia. Apesar dos elogios, afirmou que o correligionário nunca declarou intenção de disputar o governo.
Ao explicar por que decidiu buscar a reeleição, Confúcio revelou que chegou a planejar o encerramento da carreira política. Depois de dez campanhas, pretendia viajar, ler os livros que ainda não havia conseguido e aprender atividades associadas à aposentadoria.
“Eu falei: ‘Rapaz, mais uma campanha, isso não é fácil. Campanha é difícil. Eu já disputei dez. Agora será a décima primeira’. Falei: ‘Vamos parar por aqui, vou ver se faço umas viagens, dar uma descansada, aprender o que eu não sei’”, contou.
Segundo ele, a intenção de abandonar as eleições perdeu força diante das indefinições jurídicas que envolviam outro nome interessado na disputa pelo Senado. Confúcio afirmou que decidiu colocar-se novamente à disposição e iniciou visitas a prefeitos e lideranças municipais.
A trajetória política foi reconstruída desde a chegada a Ariquemes, em janeiro de 1976. Confúcio relatou que o município ainda era uma vila pertencente a Porto Velho, com aproximadamente mil moradores e acesso por uma BR-364 de terra.
O médico trabalhava em um pequeno hospital de madeira, realizando atendimentos clínicos e cirurgias básicas. Ele acompanhou a chegada dos colonos vindos principalmente do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, além da implantação dos projetos de assentamento e do planejamento urbano da futura cidade.
A aproximação com a política ocorreu durante o processo de redemocratização. Filiado ao MDB, Confúcio passou a acompanhar Jerônimo Santana e, depois da eleição dele para o Governo de Rondônia, recebeu o convite para assumir a Secretaria de Estado da Saúde em 1987.
“Eu não conhecia o Hospital de Base, nunca tinha entrado em Secretaria de Saúde, não sabia o que era licitação, não sabia o que era governo, administração pública, não sabia nada. Eu falei: ‘Não tenho condição. Sou médico do interior, sou roceiro, não tenho condição de assumir esse cargo’”, recordou.
Após aceitar a função, Confúcio deixou o consultório e não retornou à atividade médica regular. A partir daquele momento, disputou sucessivamente cargos de deputado federal, prefeito de Ariquemes, governador de Rondônia e senador.
Ele também relembrou derrotas ocorridas no início da carreira, especialmente contra Ernandes Amorim. Confúcio classificou o adversário como o mais difícil que encontrou e relatou ter reconhecido publicamente o resultado depois de perder uma eleição em Ariquemes.
“Acabou a eleição, no outro dia eu fui à rádio, agradeci os votos da população, parabenizei o Amorim, reconheci a derrota e desejei a ele todo sucesso possível. O momento de combatê-lo seria na campanha. Passou a campanha, não tem nada mais a acrescentar”, afirmou.
Ao mencionar Hermínio Coelho, que fez oposição ao seu governo na Assembleia Legislativa, Confúcio disse que nunca respondeu aos ataques com manifestações pessoais. Segundo ele, as divergências ficaram restritas ao período político e não produziram ressentimento permanente.
Na parte final da entrevista, o senador apresentou a experiência como o principal argumento para a reeleição. Confúcio definiu o Senado como uma casa revisora, responsável por analisar leis aprovadas pela Câmara dos Deputados e avaliar indicações para o Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas da União, Conselho Nacional de Justiça e representações diplomáticas.
Ele também mencionou as competências do Senado em processos de impeachment contra presidentes da República e ministros do Supremo. Para Confúcio, essas atribuições exigem parlamentares experientes, preparados e moderados.
“Eu me sinto capacitado pelo tempo, pela vivência, pelas estradas caminhadas a ocupar esse cargo. Nada contra os jovens. Os jovens são revolucionários e são importantes, porque colocam coisas que nós não temos coragem de colocar. A gente modera, às vezes, o ímpeto dessa juventude”, declarou.
Ao pedir que seu nome seja considerado, Confúcio afirmou que o eleitor deve analisar todos os concorrentes e formar a própria avaliação. O senador declarou que apoiará Lula caso ele seja reeleito, mas que também manterá uma relação institucional com um presidente de outro campo político.
“Eu sei me conduzir com o meu candidato e com o adversário, comportando-me adequadamente. O que eu tenho que dar é sustentação aos governos. Eu não quero fazer uma oposição irresponsável. Eu não faço. Seja o Flávio Bolsonaro presidente, seja o Caiado presidente”, afirmou.
Confúcio encerrou a participação pedindo aos eleitores que observem seu raciocínio, sua atuação e a trajetória acumulada antes de decidir quem deverá representar Rondônia no Senado.
“Vocês viram aí, quem assistiu ao programa, o meu raciocínio, como é que eu discorro, como é que eu sou. Aí você pode fazer um pente-fino. Não quero que me compare a ninguém, nem mais, nem menos. Analisa todos, tira o seu juízo de valor e manda para Brasília quem você quiser”, concluiu.


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