O ex-prefeito de Porto Velho Roberto Sobrinho afirmou que as operações policiais que marcaram o fim de sua administração tiveram como resultado a construção de uma imagem negativa perante a população. Em entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado pelo jornalista Robson Oliveira, ele disse que, após 13 anos de disputas judiciais, as acusações que enfrentou não confirmaram a tese de enriquecimento ilícito atribuída ao seu nome.
Ao comentar as investigações, Sobrinho afirmou que o objetivo das operações era associá-lo à corrupção. "O objetivo era colocar no imaginário da população a imagem de um Roberto corrupto", declarou. Segundo ele, ao longo dos anos surgiram versões de que seria proprietário de fazendas, imóveis de luxo, empresas e outros patrimônios que nunca existiram. Em tom de ironia, resumiu: "Me deram a fama, mas não me deram a grana".
"O objetivo era colocar no imaginário da população a imagem de um Roberto corrupto. Me deram a fama, mas não me deram a grana"
Durante a entrevista, o ex-prefeito também questionou pontos das investigações que resultaram em seu afastamento da Prefeitura no final de 2012. Entre os exemplos citados, afirmou que uma conversa envolvendo um bolo moca e uma Coca-Cola chegou a ser interpretada como referência ao pagamento de propina. Roberto sustentou ainda que relatórios produzidos durante os processos concluíram que seu patrimônio era compatível com sua renda.
Outro trecho que chamou atenção foi a referência ao chamado "fogo amigo". Sem citar nomes, Sobrinho afirmou que integrantes do próprio PT contribuíram para o desgaste político que enfrentou. "O fogo amigo é muito cruel", disse. Segundo ele, pessoas que integravam seu grupo político forneceram informações e se aproximaram de adversários durante o período em que esteve sob investigação.
"Quando a acusação vem de fora da sua entourage, da sua turma, do seu grupo político, tudo bem, isso faz parte. Mas quando vem de dentro, o fogo amigo é muito cruel."
Roberto também falou sobre o cenário político atual, declarou apoio ao senador Acir Gurgacz e descartou disputar novos cargos eletivos. Ao fazer uma autocrítica, reconheceu que poderia ter adotado uma postura mais conciliadora durante sua passagem pela Prefeitura, mas afirmou que pretende deixar para trás os episódios que marcaram os últimos anos de sua vida pública. "Eu quero olhar para frente", declarou.
Assista à entrevista na íntegra:



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