O calor mais intenso, a redução das chuvas, a baixa umidade do ar e o aumento do risco de queimadas são situações que podem fazer parte da rotina dos moradores de Porto Velho nos próximos meses. A causa está em um fenômeno climático natural conhecido como El Niño, que tem sido acompanhado por instituições meteorológicas e ambientais em todo o mundo.
Embora o nome seja bastante conhecido, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre como esse fenômeno funciona e de que forma ele pode influenciar a vida na Amazônia. O El Niño ocorre quando há um aquecimento acima da média das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e provoca mudanças no comportamento do clima em diversas regiões do planeta.
Para o prefeito Léo Moraes, o acompanhamento antecipado dos cenários climáticos é fundamental para reduzir os impactos da estiagem no município. “Estamos trabalhando de forma preventiva, acompanhando os estudos e fortalecendo as ações que ajudam a proteger a população. A estiagem afeta diretamente a saúde, o meio ambiente, a mobilidade das comunidades ribeirinhas e a qualidade de vida das pessoas. Por isso, nossa orientação é unir esforços entre o poder público e a população para enfrentar esse período com responsabilidade e preparação”.
Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema), Arthur Borin, os estudos divulgados por órgãos especializados indicam a possibilidade de um evento climático mais intenso nos próximos meses. “Esse fenômeno já foi registrado em outros períodos, como em 1982, 1983, 1997, 1998 e também entre 2015 e 2016. O El Niño é provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico e influencia diretamente a região amazônica, aumentando os períodos de seca e estiagem. Neste ano existe uma previsão de que os efeitos possam se prolongar por mais tempo, chegando até o início de 2027”.
A Defesa Civil Municipal reforça que o El Niño é um fenômeno natural e ocorre independentemente de ações locais. Seus efeitos são observados em diferentes partes do planeta e fazem parte dos ciclos climáticos que influenciam o comportamento das chuvas, das temperaturas e da umidade do ar.
De acordo com o superintendente municipal de Proteção e Defesa Civil, Marcos Berti, os avanços da ciência e da tecnologia permitem que esses cenários sejam identificados com antecedência, possibilitando a adoção de medidas preventivas antes do agravamento das condições climáticas. “Em algumas regiões ele provoca excesso de chuva, enquanto em outras, como a Amazônia, aumenta a estiagem. Hoje temos monitoramento científico e tecnológico que permite acompanhar essas mudanças e prever cenários com antecedência, o que nos ajuda a planejar ações preventivas para proteger a população”.
Além do calor acima da média, os reflexos do fenômeno podem incluir a redução do nível dos rios, dificuldades de navegação, aumento da fumaça e crescimento dos focos de queimadas, fatores que afetam diretamente a qualidade de vida da população e exigem atenção dos órgãos públicos.
Por isso, a Prefeitura de Porto Velho já mantém uma série de ações voltadas para prevenção e conscientização. A Sema atua no fortalecimento da educação ambiental, nas orientações à população, na fiscalização de terrenos urbanos e em campanhas voltadas à prevenção de queimadas.
“A Secretaria tem trabalhado na conscientização ambiental, na notificação de áreas com risco de queimadas urbanas e também no apoio às comunidades que sofrem os impactos da estiagem. O nível do rio Madeira já apresenta redução e sabemos que a navegabilidade pode ser afetada. Por isso estamos atuando desde agora para minimizar os impactos e garantir mais qualidade de vida aos moradores”, afirmou Arthur Borin.
Paralelamente, a Defesa Civil mantém o acompanhamento constante dos indicadores climáticos, das áreas mais vulneráveis e das projeções para os próximos meses. O objetivo é antecipar medidas que permitam respostas mais rápidas caso os efeitos do fenômeno se intensifiquem.
“Quando falamos em estiagem severa na Amazônia, falamos também em fumaça, queimadas e impactos na saúde da população. Esses fatores afetam toda a dinâmica do município, tanto na zona urbana quanto nas comunidades rurais e ribeirinhas. Por isso, estamos trabalhando de forma integrada com diversas instituições e secretarias, planejando ações de prevenção, mitigação e resposta. A orientação é sempre estar preparado para o pior cenário, trabalhando para alcançar o melhor resultado possível para a população”, ressaltou Marcos Berti.



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