Opresidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar o Papa Leão XIV nesta quarta-feira, mesmo após críticas da comunidade internacional. Desta vez, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) também entrou na mira do republicano.
"Alguém pode, por favor, dizer ao Papa Leão que o Irã matou pelo menos 42.000 manifestantes inocentes e completamente desarmados nos últimos dois meses, e que é absolutamente inaceitável que o Irã possua uma bomba nuclear? Agradeço a vossa atenção a este assunto. A AMÉRICA ESTÁ DE VOLTA!!!", escreveu Trump na rede Truth Social.
Poucos minutos depois, o magnata voltou a publicar, desta vez com críticas à OTAN. "A OTAN não nos apoiou, e não nos apoiará no futuro!", afirmou.
Na terça-feira, Trump já havia declarado que o pontífice “não faz ideia do que está acontecendo no Irã”, em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera.
"Não compreende e não deveria andar a falar sobre a guerra, porque não faz ideia do que está a acontecer. Não compreende que 42.000 manifestantes foram mortos no Irão no mês passado", disse.
Antes disso, o republicano fez críticas diretas ao Papa Leão XIV, afirmando que, "se não estivesse na Casa Branca, [o Sumo Pontífice] não estaria no Vaticano".
"O Papa Leão é FRACO no combate ao crime e péssimo em política externa. Fala do ‘medo’ da Administração Trump, mas não menciona o MEDO que a Igreja Católica, e todas as outras organizações cristãs, sentiram durante a Covid-19, quando estavam a deter padres, pastores e toda a gente por celebrarem missas, mesmo quando saíam ao ar livre e mantinham uma distância de três ou até seis metros", escreveu em uma longa publicação na segunda-feira.
Trump também afirmou que prefere o irmão do pontífice. "Gosto muito mais do seu irmão Louis do que dele, porque Louis é totalmente MAGA", disse.
"Ele percebe e Leão não! Não quero um Papa que ache que não há problema em o Irão ter uma arma nuclear. Não quero um Papa que ache terrível que a América tenha atacado a Venezuela, um país que estava a enviar quantidades massivas de droga para os Estados Unidos e, pior ainda, a esvaziar as suas prisões, incluindo assassinos, traficantes de droga e homicidas, para o nosso país. E não quero um Papa que critique o presidente dos Estados Unidos porque estou a fazer exatamente aquilo para que fui eleito, POR MAIORIA ESMAGADORA, estabelecendo níveis de criminalidade historicamente baixos e criando o melhor mercado bolsista da história", continuou.
O presidente ainda afirmou que o Papa deveria ser grato por sua eleição. "Leão devia estar grato porque, como todos sabem, foi uma surpresa chocante", disse, acrescentando que ele “não estava em nenhuma lista para ser Papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era norte-americano”.
"Acharam que essa seria a melhor maneira de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano", declarou.
Trump também criticou o comportamento do pontífice e suas relações. "Não me agrada o facto de Leão ser brando com o crime e com as armas nucleares", afirmou, acrescentando que desaprova reuniões com figuras ligadas ao ex-presidente Barack Obama.
"Leão devia recompor-se como Papa, usar o bom senso, deixar de ceder à esquerda radical e concentrar-se em ser um grande Papa, não um político. Isto está a prejudicá-lo gravemente e, mais importante ainda, está a prejudicar a Igreja Católica!", concluiu.
Em resposta, o Papa Leão XIV afirmou que continuará defendendo a paz. Ele disse que não pretende recuar em sua missão de “anunciar a mensagem do Evangelho e convidar todas as pessoas a procurarem formas de construir pontes de paz e reconciliação”.
"Não vou entrar em debate. O que digo não pretende, de forma alguma, ser um ataque. A mensagem do Evangelho é muito clara: ‘Bem-aventurados os pacificadores’", afirmou. "Não tenho medo da Administração Trump."
As críticas de Trump também se estenderam à primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. Em entrevista ao Corriere della Sera, ele demonstrou frustração com a postura da líder italiana no conflito com o Irã.
"Estou chocado. Pensava que tinha coragem, mas estava enganado", disse.
Segundo Trump, Meloni afirmou que a Itália não quer se envolver diretamente. "Mesmo que Itália obtenha o seu petróleo de lá [do Irão], mesmo que os Estados Unidos sejam muito importantes para Itália. Ela não acha que Itália deva envolver-se. Acha que os Estados Unidos devem fazer o trabalho por ela", criticou.
O presidente também voltou a atacar a OTAN ao comentar a possibilidade de apoio militar europeu. "Pedi que enviassem tudo o que quisessem, mas não querem porque a OTAN é um tigre de papel", afirmou.
Por fim, Trump voltou a criticar a Europa, dizendo que o continente está “a destruir-se a si próprio por dentro” com suas políticas de imigração e energia, e afirmou que depende dos Estados Unidos para manter rotas estratégicas abertas.



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