O Irã negou nesta quinta-feira (16) que os Estados Unidos e Israel tenham conseguido destruir sua Marinha e sua Força Aérea durante os ataques realizados durante a guerra.
Em pronunciamento na TV estatal, o comandante das Forças Armadas iranianas disse que a frota do país "segue firme e o inimigo se mantém a uma distância de 300 quilômetros" do país, e afirmou:
"Dizem que a Força Aérea do Irã foi destruída. Ontem, tivemos um convidado; assim que ele entrou no espaço aéreo do país, anunciamos que não havia necessidade dos aviões dele. Com o dobro do número de aeronaves que eles pretendiam trazer para escolta, nós mesmos escoltamos nosso convidado".
EUA se dizem prontos para reiniciar guerra se acordo não ocorrer
O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que as Forças Armadas americanas estão "prontas para retomar o combate se o Irã não aceitar um acordo".
Em uma coletiva de imprensa no Pentágono, o secretário de Trump fez provocações ao Irã. Disse que o país afirma ter o controle do Estreito de Ormuz, porém não tem mais Marinha, que Hegseth alega ter sido completamente destruída durante os ataques dos EUA e Israel.
O secretário também afirmou que manterá o bloqueio militar no estreito, que entrou em vigor na segunda-feira (13), "pelo tempo que for necessário".
"Nossas forças estão posicionadas para reiniciar as operações de combate caso o Irã faça uma escolha ruim e não aceite um acordo. Vocês, Irã, podem escolher um futuro próspero e esperamos que o façam pelo povo iraniano. Mas se o Irã fizer escolhas ruins, bombas cairão sobre a infraestrutura, o setor elétrico e energético. Espero que escolha um acordo que esteja ao seu alcance", ameaçou.
Questionado por um jornalista sobre o líder supremo do Irã, Motjaba Khamenei, afirmou: "Acredita-se que esteja ferido, mas vivo". Há um mês, ele disse que o iraniano estava escondido em um bunker e provavelmente "desfigurado".
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, discursa durante uma reunião informativa sobre a guerra com o Irã, no Pentágono — Foto: REUTERS/Nathan Howard
O comandante das forças, o general Dan Caine, deu mais informações sobre o bloqueio militar vigente em Ormuz. Disse que a fiscalização ocorre tanto em águas territoriais iranianas quanto em águas internacionais, e que até o momento não houve nenhum navio interceptado.
O Irã, no entanto, afirmou nesta quarta-feira (15) que duas embarcações iranianas conseguiram furar o bloqueio marítimo e atravessaram o Estreito de Ormuz.
"Deixe-me ser claro: este bloqueio se aplica a todos os navios, independentemente da nacionalidade, que se dirijam a ou partam de portos iranianos. A ação dos EUA é um bloqueio dos portos e da costa do Irã, não um bloqueio do Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos perseguirão qualquer embarcação que tente fornecer apoio ao Irã. Se não obedecerem, usaremos a força", alertou.
Escalada de tensão entre EUA e Irã se intensifica
A menos de uma semana do fim do prazo de um cessar-fogo e em meio a tensas negociações de paz, EUA e Irã vivem uma escalada de tensões.
Ambos os países vêm trocando ameaças desde o fracasso das conversas do último sábado (11) em Islamabad, no Paquistão. Na quarta (15), o governo Trump ordenou o envio de mais de 10 mil militares para o Oriente Médio, de acordo com o jornal "The Washington Post".
Segundo autoridades ouvidas pelo "Washinton Post", o Pentágono ordenou o envio de mais de 10 mil militares para o Oriente Médio.
"As forças que se deslocam para a região incluem cerca de 6.000 soldados a bordo do porta-aviões USS George H.W. Bush e vários navios de guerra que o escoltam. Cerca de 4.200 outros militares do Grupo Anfíbio de Prontidão Boxer e sua força-tarefa embarcada do Corpo de Fuzileiros Navais, a 11ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais, devem chegar perto do final do mês", diz a reportagem.
Os militares vão devem somar a outros cerca de 50 mil americanos já envolvidos na guerra contra o Irã.
EUA fazem missão para retirar minas navais do Estreito de Ormuz — Foto: Divulgação/ Central de Comando dos EUA/@CENTCOM
Washinton discute segunda rodada de negociações com Irã no Paquistão
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos estudam a possibilidade de uma segunda rodada de negociações de paz com o Irã no Paquistão, e se mostram otimistas quanto à possibilidade de alcançar um acordo, informou a Casa Branca na quarta-feira.
"Essas conversas estão em andamento" e "estamos otimistas quanto às perspectivas de um acordo", declarou a porta-voz do Executivo americano, Karoline Leavitt.
O envio de tropas adicionais é visto por analistas como uma possível forma de pressionar Teerã antes de as partes sentarem novamente na mesa de negociações.
EUA afirmam ter impedido passagem por Ormuz de 10 embarcações procedentes do Irã
Segundo o Comando Central das Forças Armadas, 10 navios iranianos foram impedidos de atravessar o estreito desde que ele entrou em vigor, na segunda-feira (13), às 11h em Brasília.
Na quarta, a Centcom divulgou um áudio em que militares americanos estariam dando ordem para navios "darem meia-volta" e para se prepararem para ser "abordados".
Com a medida, os EUA pretendem pressionar financeiramente o Irã.
O Comando Militar conjunto do Irã disse que as Forças Armadas do país agirão para bloquear o fluxo comercial no Mar Vermelho caso o bloqueio dos EUA contra embarcações iranianas persista.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que não permitirá importações e exportações no Golfo Pérsico e no Mar de Omã.
O Irã também questionou a efetividade da medida ameracana, afirmando que duas embarcações iranianas conseguiram furar o bloqueio marítimo e atravessaram o Estreito de Ormuz.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, recebeu uma delegação paquistanesa chefiada pelo comandante do Exército Asim Munir, dias depois de conversas fracassadas entre Estados Unidos e Irã no Paquistão para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã disse também que mantém contatos com os Estados Unidos por meio do Paquistão desde o retorno de sua delegação que viajou a Islamabad para as negociações.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, reafirmou que ninguém pode "tirar" do Irã o seu direito de fazer um uso pacífico da energia nuclear, mas que a porcentagem deste enriquecimento é "negociável".



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