Publicada em 20/02/2026 às 08h10
COLUNAS (RE)PUBLICADAS
Publicada – 14.8.21
Republicada – 20.2.26
BANGALÔ BAR - Um pouco da memória política de Rondônia virou a página
Os anos de 2020/21 e parte de 2022 foram o que se pode chamar “anos loucos”, tempo de covid, período em que muitos foram embora, como foi o caso de Marcellin Champagnat Medeiros Macalé, ou só Macalé, o “rei da noite portovelhense” nas décadas de 1980/90 até o 2000.
Notívagos e não notívagos de Porto Velho amanheceram o dia 14 de agosto de 2021, com juma notícia ruim: O “Macalé” morreu, aos 75 anos, deixando uma lacuna enorme. Seu bar, o “Bangalô”, que começou na Pinheiro Machado e depois foi reinstalado na “Rua Tenreiro Aranha, passou para a história.
Seu “reino” era o comando do mais famoso boteco rondoniense da época, o “Bangalô Bar”, inicialmente instalado num prédio da Pinheiro Machado, onde fincou suas raízes e ganhou corpo para notívagos e notívagas, tornando-se referência aos que gostavam de “trocar uma ideia” ou de “tomar uma para relaxar” depois de pegar no pesado durante o dia.
“Macalé”, eu viera de Brasília e se instalara em Porto Velho, finha duas fiéis escudeiras na administração do boteco, “sua esposa Marilene Gusmão e a Heloisa Helena Floriani Ronchetti”, como citou em coluna publicada em 2020 o jornalista e historiador Anísio Gorayeb.
Marilene Gusmão e a Heloisa Helena Floriani Ronchetti (esposa), os "anjos da guarda" do trabalho de Macalé
O “Bangalô” não foi o primeiro. A noite portovelhense teve outros grandes pontos de encontro, isso desde priscas eras, como “Bar Central” e os “clíperes” na avenida Sete de Setembro, o bar do “Porto Velho Hotel” (hoje Unir Centro), o “Café Santos”, a “Taba do Cacique”, o “Seresteiro”, do Walter Bártolo), o “Araribóia”, do Ferreira .
Era comum depois do expediente começar a chegar ao Bangalô a clientela, em grande parte contumazes frequentadores do que muitos preferiam dizer que iam lá “No Macalé”, onde as conversas se alongavam, alguns mais exaltados, outros tentando contemporizar, mas no final tudo ficava para novas discussões, mais para a frente.
(Quantas vezes jornal Alto Madeira, a cinco quadras de distância, eu saí apressado para checar uma informação que chegava na hora de fechar a primeira página?)
Sem hora para encerrar o trabalho da noite, dali muitos descambavam para outros pontos da noite portovelhense, mas a passagem pelo “Macalé” era, para a maioria, o “bater o ponto” para o novo expediente, onde em torno das mesas era comum ver frequentadores de todas categorias decisórias do Estado.
Não há dúvida que muitas decisões tomadas, inclusive pelos constituintes de 1983 e 1989, ou empresários e membros dos governos de então, tiveram início ou foram melhor encorpadas em torno de algumas cervejas e outras bebidas lá. Era um tempo em que as pessoas conversavam pessoalmente, e não como agora o fazem através do whatsapp.
Sou dos que entendem que cada coisa acontece em seu tempo, mas creio que nunca uma conversa internética vai substituir o gosto de um papo cara a cara, especialmente se for à “sombra” de uns bons goles.
O “Bangalô” era mais que um lugar para sentar, tomar umas poucas e ir adiante, para o trabalho, para casa ou para a “Taba do Cacique” outro local bem frequentado de onde os que buscavam outros ambientes seguiam para o leque de bordéis que vicejavam na noite da capital rondoniense, ou, como diz o ditado, “para outros locais onde se encontram as meninas que não sabem nada com os meninos que sabem tudo”, ou vice-versa.
Para o pessoal da Imprensa, então, era uma espécie de “céu”: Euro Tourinho, Paulo Queiroz, Sérgio Valente, Sérgio Melo, Montezuma Cruz, Evamar Mesquita e de outras profissões, como Walter Bártolo, devem muito do bom que produziram àquelas noitada sob a batuta do Macalé & Cia. Era só chegar, sentar e escutar, nem precisava falar ou escrever, era só escutar, às vezes opinar apenas para demonstrar que estava atento.
Os deputados José Bianco, Osvaldo Piana e Heitor Costa, o senador Claudionor Roriz, personagens como o médico Samuel Castiel, os advogados Amadeu Machado, Ney leal e o sertanista Apoena Meirelles eram contumazes presenças.
Um dos fregueses mais constantes era o jornalista Sérgio Valente que, além de ir lá para contar “as últimas”, aproveitava para ouvir e anotar assuntos que ineressariam para suas colunas.
Na manhã que começava, naquele 14 de agosto, ainda fim de madrugada como acontecia quando fechava o “Bangalô Bar”, Marcellin Champagnat Medeiros Macalé embarcou no “expresso da meia-noite” para ser recebido pelos muitos amigos que fez por aqui que, com certeza, saudosos do bom ambiente do “Bangalô” o receberam para abrir, no céu dos heróis wikingues, o Valhalla, outro ambiente para os amigos se encontrar.



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