Publicada em 05/02/2026 às 10h00
O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) foi colocado no centro de uma discussão pública sobre comando, influência e rumo político em Rondônia durante entrevista do novo dirigente do partido em Porto Velho, Luciano Walério, ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica. Ao conduzir o diálogo, o apresentador descreveu o MDB como uma legenda que já governou o estado em diferentes momentos e que, apesar de ainda ter um senador, passou a ser vista como encolhida e sem renovação de diretórios. O ponto de tensão que atravessou a conversa foi a tentativa de reposicionar o partido tendo Confúcio Moura como eixo — com pré-candidatura ao Senado confirmada — em um ambiente político que o próprio Robson definiu como de forte marca bolsonarista no estado e com a relação de Confúcio com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sendo tratada como tema inevitável na arena interna.
Robson Oliveira abriu o programa apontando que muitos atribuem a perda de musculatura do MDB à falta de renovação e ao controle prolongado de diretórios, citando o então presidente regional e deputado federal Lúcio Mosquini, que, segundo ele, já teria anunciado saída do partido. A entrevista foi conduzida com perguntas diretas, incluindo a provocação de que Luciano teria “passado a perna” em uma “velha guarda” para vencer a disputa pelo diretório na capital. A resposta do entrevistado foi construída com o argumento de que o partido teria sido isolado e deixado de conversar com a militância. Luciano afirmou que a principal causa do encolhimento foi a ausência de “interação” e de “conversa” por parte da direção regional, atribuindo a Mosquini a responsabilidade por uma fase em que o MDB teria perdido presença e calor interno, inclusive em Porto Velho.
Ao justificar o tom de urgência, Luciano listou dados usados por ele como sinal de declínio: disse que o MDB teria quatro prefeitos no estado e mencionou Jefferson Lima, de Jaru, como parte do eixo da BR-364, além de outras prefeituras em municípios menores. Também afirmou que o partido, que já teria sido maioria em câmaras municipais, teria atualmente 59 vereadores em Rondônia, dos quais 10 seriam mulheres. Em Porto Velho, ressaltou o que chamou de marco negativo: afirmou que, pela primeira vez na história, o MDB não elegeu nenhum vereador na capital e que, somados votos de um vereador que já estava na Câmara com os demais, o partido teria alcançado cerca de 3 mil votos. Para Luciano, o episódio expôs, em suas palavras, “uma vergonha”, apesar de ele ter citado a existência de uma candidatura que considerou “à altura”, a da juíza aposentada Euma, mencionada como um nome que, segundo ele, não teria sido bem tratada internamente.
A entrevista também expôs o conflito entre a ideia de “oxigenação” e as sequelas de uma disputa interna. Luciano relatou que a mobilização para enfrentar a direção vigente teria começado a partir de um chamado de um militante tradicional, Pereira, que o teria convocado para conversar em casa e teria cobrado reação diante do que descreveu como tristeza e sofrimento com a situação do partido. Segundo Luciano, a partir daí ele e aliados, entre eles Carlos Henrique Araújo, passaram a visitar filiados e famílias tradicionais, ouvindo repetidamente reclamações de que “o partido tá fechado”, “isolado” e sem acolhimento, sem ligações e sem visitas, com a perda do hábito de reuniões intensas que, na visão dele, faziam parte do DNA emedebista.
Ao detalhar a vitória interna, Luciano afirmou que era “apenas um militante” e que a campanha para o diretório se apoiou nessa insatisfação, além de apoio de famílias e quadros históricos. Disse que venceu com 60% do diretório e reconheceu que o processo não foi fácil, usando a expressão de que “o couro” teria “comido” em suas costas. Ao mesmo tempo, sustentou que não atacou pessoas durante a disputa, afirmando que buscou apenas demonstrar a necessidade de oxigenação. Ainda assim, admitiu que mudanças geram conflito e que “algumas sequelas” ficam, defendendo, porém, que o objetivo seria recompor unidade, conversar com todos e “chamar todos para o processo”.
A figura de Confúcio Moura apareceu como peça central tanto na reestruturação interna quanto no projeto eleitoral. Luciano disse que Confúcio teria incentivado o confronto interno e que, com ele, “Lenz” e “Vilma”, o partido teria estruturado 48 diretórios que estariam “apagados”, o que, segundo o entrevistado, evidenciaria a gravidade do quadro anterior. O dirigente afirmou que Confúcio estaria percorrendo municípios, sentando para conversar, tomando café e saindo com diretórios definitivos, deixando de lado arranjos provisórios. Ao longo do programa, Robson voltou ao tema da falta de nominata para deputado federal e ao prazo curto de filiações, e Luciano sustentou que o senador estaria trabalhando para construir chapas, inclusive de maneira “mais silenciosa”, e que haveria conversas com nomes para as esferas federal e estadual, embora ele tenha se recusado a revelar identidades, atribuindo sigilo ao próprio Confúcio.
A confirmação mais direta de rumo eleitoral veio quando Robson perguntou se Confúcio era pré-candidato ao Senado. Luciano respondeu que sim e afirmou que o foco do MDB seria a reeleição dele. Em seguida, ele relacionou esse projeto à crítica à polarização, dizendo que a disputa “só traz prejuízo ao Estado” e descrevendo o MDB como “ponto de equilíbrio”, “pluralista” e “um partido que escuta”. Ao defender a atuação de Confúcio, afirmou que o senador teria trabalho nos 52 municípios e que não separaria prefeitos por direita ou esquerda, atuando na “ponta” e oferecendo estrutura, o que, segundo ele, explicaria reconhecimento no interior.
Foi nesse contexto que a relação do emedebista com Lula entrou como elemento sensível. Ao ser provocado sobre o MDB estar circulando pelo estado junto de forças vistas como “progressistas” e o PT, Robson citou o cenário local descrito por ele como majoritariamente bolsonarista e trouxe o debate sobre alianças e sinais de campo político. Luciano respondeu que respeitava trajetórias e que “dar honra a quem dá honra” era necessário ao tratar da relação de Confúcio com o presidente Lula. Disse, no entanto, que esse tipo de aproximação deveria vir acompanhada de questionamentos sobre recursos e entregas. Na sequência, reforçou uma linha identitária usada por ele como síntese política e eleitoral: “Eu não sou 13, eu não sou 22, eu sou 15”, declaração feita para marcar, segundo o próprio entrevistado, que defenderia os interesses do MDB e que pretendia reavivar a militância, especialmente em Porto Velho, para que a capital puxasse o fortalecimento do partido nos demais diretórios.
No terço final da entrevista, Luciano detalhou pormenores do esforço de reorganização e de atração de novos quadros. Disse que a primeira reunião no diretório, com capacidade para 280 pessoas, reuniu cerca de 200 participantes e resultou em 20 filiações, “na sua grande maioria mulheres”. Citou duas pré-candidatas que teriam se filiado: Fernanda Pelúcio, indicada como deputada estadual do grupo e descrita como sobrinha de Milton, e uma ativista chamada Gaudiani, mencionada com 250 mil seguidores. Também relatou a recriação da juventude partidária, que estaria paralisada há quase sete anos, e afirmou que, na executiva, haveria duas mulheres, incluindo a responsável pelas finanças e a secretária da mulher, Franca Charari. Ao final, voltou a citar o aniversário do MDB e disse que o partido completaria 60 anos, convidando Robson para a celebração e prometendo que o apresentador seria avisado “em primeira mão” quando o nome ao governo fosse definido.
A entrevista terminou com Robson Oliveira afirmando que o MDB tem história em Rondônia e no Brasil e que o fortalecimento partidário é fundamental para formar lideranças. Luciano, por sua vez, reiterou a aposta em Confúcio, dizendo que ele seria reeleito senador e que o MDB faria deputados estaduais e federais, além de afirmar que pretende manter o canal aberto com o Resenha Política para anunciar definições futuras sobre o projeto eleitoral do partido no estado.



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