Publicada em 26/01/2026 às 14h29
Porto Velho (RO) — O deputado federal Maurício Carvalho (União Brasil), que exerce a função de coordenador da bancada federal de Rondônia em Brasília, declarou que pode entrar na disputa pelo Governo de Rondônia em 2026 caso o vice-governador Sérgio Gonçalves não seja candidato ao cargo. A afirmação foi feita durante entrevista concedida ao programa “De Olho na Notícia”, apresentado por Fábio Camilo, na Rádio & TV Informa na Hora, na edição desta segunda-feira, 26.
Ao ser questionado sobre o cenário eleitoral e “o que está decidido na família Carvalho” para 2026, Maurício afirmou que, neste momento, seu projeto principal é a pré-candidatura a deputado federal, ou seja, à reeleição, mas que passou a discutir também a hipótese de concorrer ao governo, condicionando essa possibilidade ao contexto político no Executivo estadual.
“Sou pré-candidato a deputado federal, mas também coloquei o meu nome e estou debatendo com todas as pessoas que, caso meu cenário continue do jeito que está, para ser candidato”, disse. Na sequência, especificou o recorte que considera determinante: “Eu não saio candidato ao Senado da República, eu sairia candidato, pré-candidato ao governo do Estado caso não tenha uma candidatura do Sérgio Gonçalves ao governo.”
Na entrevista, Fábio Camilo pontuou que a possibilidade de Sérgio Gonçalves se tornar candidato seria consequência de uma eventual permanência do governador Marcos Rocha no cargo, ao não disputar o Senado. Maurício, por sua vez, indicou que seu movimento só faria sentido se houvesse a consolidação de um cenário no qual Rocha “ficar na cadeira” e, portanto, Sérgio assumisse a condição de nome natural do União Brasil para a sucessão. “Eu coloquei meu nome aí pra gente discutir, mas somente se na composição do governador ficar na cadeira mesmo, porque senão o Sérgio vai ser o candidato do União Brasil”, afirmou. E concluiu a lógica: “É pré-candidato ao governo, se ele estiver como governador na cadeira.”
Mariana Carvalho no Senado e janela aberta no tabuleiro
No mesmo bloco, Maurício Carvalho voltou a citar a ex-deputada Mariana Carvalho como peça central do planejamento político do grupo. Segundo ele, a construção interna e as conversas com aliados caminham para que ela seja candidata ao Senado. “Nós estamos construindo esse caminho desde sempre para a Mariana ser a nossa candidata ao Senado da República”, afirmou.
Ao comentar o impacto de declarações públicas do governador Marcos Rocha sobre não disputar o Senado, o deputado disse que esse movimento “muda o cenário político do estado” e pode abrir espaço para novas composições. Fábio Camilo, inclusive, perguntou diretamente se a fala do governador “abre uma janela para que a Mariana seja” candidata ao Senado, e Maurício respondeu: “Com certeza.”
Durante a entrevista, Maurício também afirmou que “até abril vai acontecer muita coisa”, mencionando que o desenho final depende de decisões partidárias e do comportamento das candidaturas em formação.
Sobrevivência a acidente aéreo e a mudança de perspectiva
Antes do debate eleitoral, o programa abriu espaço para um relato pessoal do deputado sobre 2025. Maurício classificou o ano como “um ano de milagre” e detalhou dois fatos que, segundo ele, marcaram sua vida: o nascimento da filha Olívia e a sobrevivência a um acidente aéreo.
“Em 2025, eu recebi... um milagre na vida da minha família. Na verdade, dois milagres. Um, a minha filha, a Olivia, que nasceu, e depois de estar vivo, depois de um acidente aéreo”, afirmou. Em outro momento, disse ser a primeira vez que tratava do episódio em um programa de televisão: “Eu acho que é a primeira vez que estou no programa de televisão falando sobre isso.”
Fábio Camilo insistiu no tema e perguntou se o episódio faz a pessoa “ver a vida de outros olhos”. Maurício respondeu: “Com certeza”, acrescentando que a experiência leva a repensar prioridades e a proximidade com a família, sobretudo por causa da rotina de deslocamentos entre Brasília e Rondônia.
Pedágio na BR-364: críticas, ação judicial e limites de atuação
O pedágio na BR-364 foi outro eixo central da entrevista. Maurício afirmou ter recebido relatos de impacto financeiro para quem trafega entre cidades do estado e classificou a cobrança como elevada, citando custos para veículos e caminhões em conversa com o apresentador.
Ao falar da posição da bancada federal, Maurício disse que o tema não teria passado pela Câmara e que, segundo ele, a bancada foi contrária ao formato adotado. “Na verdade, não passou na Câmara, a gente não tem nem uma mão nisso da bancada federal. Eu fiz reunião com a bancada federal… e o resto da bancada inteira foi contrário a esse movimento da concessão do jeito que foi”, afirmou.
Ele também declarou ser favorável a concessões como instrumento de melhoria, mas não ao modelo que, segundo sua fala, foi implementado. “Se me perguntar, Maurício, você é a favor de uma concessão? Eu sou a favor da duplicação, eu sou a favor da vida… Agora, da forma que foi feita essa concessão... Eu não sou favorável.”
Na entrevista, Maurício relatou que buscou uma via judicial. Disse que entrou com uma ação “junto com a bancada federal inteira”, mas argumentou que, formalmente, a bancada não poderia propor a medida, razão pela qual a iniciativa teria sido protocolada pelo União Brasil municipal, do qual se disse presidente, com assinaturas e procurações dos parlamentares. “Eu entrei pelo partido e toda a bancada embaixo assinou pedindo pra poder se habilitar nesse pedido pra gente poder rever esta concessão”, declarou.
Ele ainda ressaltou que não pretende criar expectativa de reversão imediata sem decisão judicial: “Eu não vou mentir, eu não vou ficar iludindo a população… como se a gente fosse conseguir cancelar uma concessão… Depende do judiciário”, afirmou.
Transposição e Comissão de Educação: pautas para 2026
Na parte institucional, Fábio Camilo questionou quais temas entram na agenda do coordenador da bancada em 2026. Maurício citou a transposição de servidores públicos como “luta diária”, dizendo que há mobilização junto ao presidente da Câmara, Hugo Motta, e interlocução com o governo. “Não tenha dúvida que é uma defesa incansável de todos nós”, declarou.
Sobre a Comissão de Educação, Maurício, que a preside, descreveu o funcionamento anual da escolha e explicou que a permanência do União Brasil na presidência depende da composição partidária e da distribuição de comissões. Ele afirmou que a Presidência ficou com o PL no ano anterior e que, depois, “nós conseguimos que ficasse com a União Brasil”.
Ao tratar de educação e políticas públicas, afirmou defender a educação básica e a valorização de professores, e sugeriu ampliação de escolas em tempo integral em Rondônia. “A gente precisa fortalecer, principalmente a educação em tempo integral… aumentar o número de escolas em tempo integral”, disse, acrescentando: “Fica uma dica ao governador Marcos Rocha.”
Leitura sobre alianças e gestão: elogios a Hildon e diálogo local
Maurício também comentou a situação do ex-prefeito Hildon Chaves. Disse ser amigo e avaliou que, se ele mantiver a candidatura ao governo, teria chances de chegar ao segundo turno, mencionando o perfil de gestor do ex-prefeito e comparando o cenário encontrado por Hildon ao assumir a capital ao momento atual. “Eu acredito muito que se ele colocar o nome dele… ele tem muita chance de chegar ao segundo turno”, afirmou.
Ao encerrar, Maurício abordou o assunto polarização, se definiu como “político de direita”, mas disse não ser a favor de “polarização de nada” e defendeu atuação com foco em entregas. No exemplo local, citou que disputou eleição em Porto Velho, mas que mantém diálogo com o prefeito Léo Moraes após o pleito, apontando entregas e obras com participação de emendas.



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