PORTO VELHO, RO – Ao comparar os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro em Rondônia, o candidato a deputado estadual Sid Orleans (PT) afirmou que, em sua avaliação, a administração anterior não deixou obras identificáveis no Estado e provocou adversários a apontarem onde estariam essas entregas.
A declaração foi feita no RD Entrevista, programa apresentado pelo jornalista Vinícius Canova nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia. A discussão começou quando Sid apresentou um balanço de sua passagem pela Superintendência do Ministério da Saúde em Rondônia.
O candidato citou unidades básicas de saúde, centros de atenção psicossocial, centros de reabilitação, ambulâncias e unidades odontológicas móveis entre as ações que associou ao período em que esteve à frente do órgão federal.
Ao concluir a relação, fez uma comparação direta entre o governo atual e o anterior.
“Entre a política que está aí e a política que esteve existe uma diferença que precisa entrar na razão das pessoas e chegar ao coração: é um governo que tudo fez e outro que nada fez”, afirmou.
O jornalista perguntou então se a comparação dizia respeito diretamente às administrações Lula e Bolsonaro. Sid confirmou o sentido da crítica por meio de uma provocação.
“A gente só precisa encontrar um tijolo e saber onde ele foi colocado, porque ninguém sabe de nenhum tijolo que tenha sido colocado”, respondeu.
O tema reapareceu mais adiante, quando a entrevista passou pela atual configuração do PT em Rondônia.
Sid afirmou que, em sua avaliação, obras e estruturas públicas implantadas no Estado nas últimas décadas tiveram participação dos governos Lula e Dilma Rousseff.
“Não existe nada que tenha sido feito nos últimos 25 anos em Rondônia que não tenha passado pelas mãos do presidente Lula e da presidente Dilma. Todas as pontes, todas as escolas novas, todas as unidades novas, todos os institutos federais. E, do outro lado, a gente tem o nada”, declarou.
A candidatura de Expedito Netto ao Governo pelo PT também entrou na conversa.
Questionado se se sentia confortável em pedir votos para um político cuja trajetória esteve, durante anos, em outro campo político, Sid respondeu que sim.
O ex-vereador contou que conhecia Expedito desde a época em que ambos ocupavam mandatos legislativos em esferas diferentes. Disse que sempre manteve uma relação respeitosa com ele e afirmou que determinadas votações do então deputado federal chamavam sua atenção.
“Quando havia um tema muito vinculado ao trabalho, ao trabalhador, como a reforma trabalhista, a reforma previdenciária, entre outros projetos, a gente tinha certeza de que o Expedito votaria contra o trabalhador, porque ele sempre esteve à direita. E o Expedito votava a favor do trabalhador”, afirmou.
Sid relatou, então, como participou da aproximação que terminou na filiação de Expedito ao PT.
De acordo com ele, Expedito conversou primeiro com Lula e posteriormente telefonou para tratar de sua entrada na legenda em Rondônia.
“Ele me ligou e disse: ‘Eu não queria entrar pela porta dos fundos. Eu queria também ser bem aceito pelo Partido dos Trabalhadores aqui em Rondônia’”, contou Sid.
O candidato afirmou ter respondido que, se aquela era a decisão de Expedito e havia abertura do presidente da República, ele também seria recebido no partido em Rondônia.
A partir daí, segundo Sid, começaram as conversas internas.
“Eu comecei a ligar para as nossas lideranças, para as nossas tendências, e conversar com todas elas. Nós montamos uma reunião e, naquele mesmo dia, eu disse: ‘Você vai sair de lá filiado’. E foi isso que aconteceu”, declarou.
Sid afirmou que esteve ao lado de Expedito durante a filiação justamente porque participou dessa articulação.
Outro bloco da entrevista tratou de preconceito, fake news e polarização.
O jornalista mencionou um áudio de teor racista que circulava naquele dia e que havia sido atribuído a um candidato ao Senado. Durante a pergunta, foram apresentadas as hipóteses então levantadas sobre a origem do material, incluindo a possibilidade de manipulação por inteligência artificial, sem afirmar qual delas correspondia aos fatos.
Sid não atribuiu autoria ao áudio e direcionou a resposta para o ambiente político.
“Essa violência e essa dicotomia que existem entre esquerda e direita não surgiram agora. Foram estrategicamente construídas ao longo dos anos”, afirmou.
Na sequência, criticou o uso de referências a Deus, família, liberdade e patriotismo por pessoas que, segundo ele, adotam comportamentos incompatíveis com esses discursos.
“Hoje nós temos na política pessoas que cultuam Deus e matam os outros; cultuam a família e traem suas mulheres, inclusive praticam a própria pedofilia. E a liberdade? A liberdade é para mentir, para fazer fake news”, disse.
Sid não associou essa declaração nominalmente a qualquer político específico.
A religião permaneceu na discussão. Ao tratar da influência que lideranças religiosas podem exercer sobre fiéis, o candidato afirmou que essa relação pode ter peso significativo na formação de opiniões.
“O líder religioso, na cabeça de muitas pessoas mais humildes, inclusive intelectualmente, tem o poder de levar a pessoa para o céu ou para o inferno. Isso é muito poderoso”, declarou.
Segundo Sid, esse poder de influência também pode ser utilizado na propagação de preconceitos. Ele defendeu que manifestações dessa natureza sejam rejeitadas pela sociedade.
A partir desse ponto, a entrevista passou a abordar a produção legislativa do período em que Sid exerceu mandato na Câmara Municipal de Porto Velho.
O candidato afirmou que muitas das propostas que apresentou surgiram de situações presenciadas pessoalmente no cotidiano da cidade.
Uma das leis citadas foi a proibição de cobrança pela emissão de diplomas.
Sid relatou casos de estudantes cujo curso era custeado pelo governo, mas que, segundo ele, enfrentavam cobranças adicionais para receber o documento ao final da formação.
“Se você vai a uma loja e compra uma televisão, a loja tem que lhe dar a nota fiscal da televisão que você pagou. Ora, se o governo pagou o curso, qual é a nota fiscal daquele curso? É o diploma. E isso não acontecia”, afirmou.
Segundo o candidato, instituições contestaram a legislação judicialmente.
“Eu fiz a lei proibindo a cobrança. As faculdades recorreram, foram até o STF e perderam. Até hoje essa lei beneficia milhares de pessoas”, disse.
Em outro caso, Sid contou que estava em um shopping quando viu uma mulher grávida, com uma criança pequena no colo e um guarda-chuva na outra mão, tendo de percorrer uma longa distância até o veículo durante uma chuva.
Segundo ele, o episódio levou à apresentação da norma destinada a reservar vagas de estacionamento próximas às entradas para gestantes.
Sid também citou medidas voltadas aos agentes comunitários de saúde e aos agentes de combate às endemias. De acordo com seu relato, uma lei promoveu a transposição das duas categorias para o regime estatutário, garantindo benefícios vinculados a esse regime.
O candidato falou ainda sobre uma lei que determinou a disponibilização de carrinhos menores em supermercados.
Nesse caso, contou ter presenciado uma mulher com nanismo sendo alvo de chacotas enquanto tentava alcançar produtos dentro de um carrinho convencional.
“Os nossos mandatos são assim: muito vinculados à vida das pessoas”, afirmou.
A trajetória na saúde pública foi outro eixo extenso do programa.
Sid contou que, antes de assumir funções políticas de maior visibilidade, dirigiu a Policlínica Oswaldo Cruz. Disse ter encontrado a unidade em reforma e afirmou que, ao concluir seu período na direção, segundo seu próprio relato, a estrutura oferecia 25 especialidades médicas, cinco especialidades cirúrgicas e oito programas de saúde pública de referência estadual.
A entrada formal no PT ocorreu em 2003. Segundo Sid, até então sua principal motivação era atuar na área pública, embora já declarasse voto em Lula.
A primeira disputa para vereador veio no ano seguinte.
Sid descreveu uma campanha de estrutura pequena, baseada no contato direto com os eleitores.
“A gente ia para os semáforos pedir voto. Eu fiz uma folha digitada com as coisas que já tinha feito de bom para as pessoas e a gente foi entregar”, lembrou.
Depois, passou pela administração do então prefeito Roberto Sobrinho.
Sid afirmou ter participado do processo de transição após a eleição e contou que recebeu convite para ser secretário adjunto de Saúde, função que decidiu não assumir naquele momento. Posteriormente, segundo ele, foi chamado para coordenar o plano de saúde do IPAM.
A experiência na Secretaria Municipal de Saúde também foi abordada. Sid relacionou sua passagem pela gestão à Maternidade Municipal e a outras estruturas da rede de atendimento implantadas durante o período em que esteve à frente da pasta.
Já no governo federal, destacou sua atuação na Superintendência do Ministério da Saúde em Rondônia e entrou no debate sobre o Hospital Universitário.
Segundo Sid, ao assumir a função procurou a Universidade Federal de Rondônia para discutir a retomada do projeto. De acordo com seu relato, ouviu que a implantação exigiria uma articulação financeira de grande porte e decidiu trabalhar politicamente pela proposta.
O candidato relatou que mais tarde levou o tema a Léo Moraes, então candidato à Prefeitura de Porto Velho.
“Porto Velho precisa de um hospital”, disse ter afirmado durante a conversa.
Sid contou que sugeriu a Léo que abraçasse o projeto do Hospital Universitário e mencionou, entre as possibilidades discutidas naquele momento, a aquisição de uma unidade hospitalar já existente.
Ao longo desse bloco, o candidato também apresentou uma crítica mais ampla à privatização da saúde.
Segundo ele, o enfraquecimento do serviço público pode gerar na população a impressão de que o SUS não funciona e abrir espaço para outros interesses.
“A privatização da saúde é um negócio. É um negócio em que alguns se dão bem e a população se dá muito mal”, declarou.
A tentativa de voltar ao Legislativo, agora por meio de uma candidatura à Assembleia Legislativa, foi apresentada por Sid como uma forma de ampliar sua capacidade de articulação institucional.
“Como deputado estadual, eu tenho mais portas abertas e tenho o poder de um mandato parlamentar. Consequentemente, consigo ser mais útil”, afirmou.
A entrevista ainda passou por cultura e esporte.
Sid relatou participação na formulação do Sistema Municipal de Cultura e relembrou a destinação de uma emenda de R$ 50 mil para um projeto esportivo vinculado ao Santos Futebol Clube em Porto Velho.
Ao falar sobre crianças que teriam avançado no futebol depois da iniciativa, disse enxergar esse tipo de resultado como uma das finalidades de sua atuação pública.
“A gente não está na política para fazer negócio. A gente está na política para melhorar a vida das pessoas”, afirmou.
Na reta final, Sid foi questionado diretamente sobre acreditar ou não na reeleição do presidente Lula.
“Com certeza”, respondeu.
Ao desenvolver a resposta, Sid disse acreditar que muitos eleitores evitam declarar publicamente o voto no atual presidente por causa da violência política.
“As pessoas que votam no presidente Lula poucas vezes dizem isso na rua. É por causa da violência. Às vezes, o silêncio é a melhor resposta”, afirmou.
Sid encerrou a participação apresentando saúde, ensino profissionalizante, emprego, renda, esporte e cultura entre as áreas que pretende priorizar caso conquiste uma cadeira na Assembleia Legislativa.
RD Entrevista é apresentado por Vinícius Canova e produzido nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia. O programa é dirigido por Roberto Lamarão, também responsável pela pós-produção e motion.


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