Prof. Herbert Lins – MTE 1143
A eleição revelou quem tinha voto, quem tinha máquina e quem tinha apenas discurso
CARO LEITOR, a eleição de 2026 escancarou uma ironia política: preso em casa e acusado de tentativa de golpe de Estado pelo 8 de Janeiro, Jair Bolsonaro ainda conseguiu fazer o que muitos líderes livres, com máquina, dinheiro e palanque, não fizeram. O ex-presidente influenciou a eleição da esposa Michelle Bolsonaro (PL) ao Senado pelo Distrito Federal, os filhos Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado e Jair Renan (PL) à Câmara dos Deputados por Santa Catarina. Já o irmão Renato Bolsonaro (PL) à Assembleia de São Paulo e o fiel escudeiro Bruno Scheid (PL) senador em Rondônia. Enquanto isso, a cozinha do presidente Lula (PT-SP) queimou o jantar: Gleisi Hoffmann (PT-PR), Fernando Haddad (PT-SP), Zé Dirceu (PT-SP), Patrus Ananias (PT-SP), João Campos (PSB-PE), Renan Calheiros e Renan Filho, ambos do MDB de Alagoas, perderam a eleição. No fim, ficou a pergunta incômoda: quem tem voto próprio e quem depende do poder para parecer forte? A urna, como sempre, não tem medo de contrariar os donos do poder.
Liderança
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) mostrou que liderança política não depende de cargo, palanque ou liberdade para circular. Mesmo preso, seu sobrenome mobilizou eleitores e elegeu familiares e aliados. A sobrenome Bolsonaro saiu maior das urnas, apesar da pressão judicial.
Fracassaram
Já o presidente Lula (PT-SP) descobriu, nas urnas, que sua popularidade não é mais aquela cantada pelos aliados. Nomes históricos do PT e do campo governista naufragaram na eleição. O resultado expôs desgaste, falta de renovação e uma dificuldade incômoda: transformar poder em voto.
Líder
Na política, o verdadeiro líder se revela quando a urna fecha e o resultado contraria suas expectativas. É no pronunciamento oficial que se mede sua grandeza: quem assume responsabilidades, reconhece o resultado e aponta caminhos.
Liderança
Na coletiva após a vitória, o governador eleito Marcos Rogério (PL) reafirmou sua liderança ao agradecer aos rondonienses e destacar que o resultado não era obra de um homem só, mas de um time. Uma vitória construída com esperança, compromisso e mudança em Rondônia.
Escolheu
O candidato derrotado ao governo, Adailton Fúria (PSD), escolheu comemorar nas ruas de Cacoal a vitória da esposa, Joliane Fúria (PSD), eleita deputada federal. A celebração contrasta com o papel que se esperava de quem terminou a disputa em segundo lugar.
Postura
Fúria (PSD) poderia ter usado a coletiva a imprensa para reafirmar o seu Plano de Governo apresentado aos rondonienses e anunciar uma postura de fiscalização da futura administração. Em vez disso, prevaleceram a emoção e a comemoração familiar. A política também se mede depois da urna.
Mensagem
O ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves (União), terceiro colocado na disputa pelo governo, reconheceu o resultado das urnas. Em mensagem após a eleição, destacou o respeito à democracia, a humildade diante da derrota e o compromisso de continuar contribuindo com Rondônia.
Destino
Falando em derrota, Hildon Chaves (União) entra na galeria dos ex-prefeitos de Porto Velho que disputaram o Governo de Rondônia e perderam nas urnas. Antes dele, Chiquilito Erse e Carlinhos Camurça também conheceram esse destino.
Único
Na história recente, Jerônimo Santana (MDB) foi o único ex-prefeito de Porto Velho a deixar o cargo e chegar ao Governo de Rondônia. Renunciou no meio do mandato e evitou um vácuo entre a prefeitura e a disputa ao governo.
Agradeceu
Em mensagem nas redes sociais, Expedito Netto (PT) agradeceu os votos e a confiança recebida nas urnas. Com o apoio do palanque do presidente Lula, o candidato não conseguiu ultrapassar a marca de 100 mil votos na disputa.
Desafios
Os candidatos Pedro Abib (MDB) e Samuel Costa (PSB) também agradeceram a confiança dos eleitores. Abib não conseguiu se consolidar como liderança de renovação do MDB, enquanto Samuel já mira novos desafios e poderá disputar vaga na Câmara Municipal de Porto Velho.
Desempenho
Falando em consolidar, Célio Lopes e Euma Tourinho, que somaram 29.358 (11,74%) e 24.481 (9,79%) votos respectivamente na disputa pela Prefeitura de Porto Velho nas eleições municipais de 2024, não repetiram o desempenho ao buscar vaga na Câmara de Deputados.
Resultado
Na eleição para deputado federal, Célio Lopes obteve 8.924 (0,95%) votos e Euma Tourinho, 7.432 (0,79%). O resultado mostra a dificuldade de converter uma votação majoritária municipal em força eleitoral para uma disputa proporcional estadual.
Força
Falando em força, a deputada estadual Dra. Taissa Souza (PL) ampliou sua votação entre 2022 e 2026. Eleita com 7.649 votos (0,88%), passou a 22.249 (2,36%), praticamente triplicando sua votação em apenas quatro anos.
Ampliou
O resultado de Taissa Souza ganha peso político porque ocorreu em meio à oposição dos prefeitos Marcélio Brasileiro (PL), de Nova Mamoré, e Fábio Netinho (PP), de Guajará-Mirim, a parlamentar ampliou sua votação e manteve a cadeira na Assembleia.
Demonstrou
Quem também demonstrou força política nas urnas foi o prefeito de Vilhena, delegado Flori Cordeiro (Podemos). Ao desistir da disputa pelo governo, declarou apoio a Marcos Rogério (PL). Cavou o poço primeiro, garantindo para si o direito de beber da água limpa.
Unido
Flori reuniu prefeitos, vereadores e lideranças do Cone Sul em apoio a Marcos Rogério (PL). O grupo permaneceu unido, sem deserções, mesmo diante da pressão do governo para aderir à candidatura de Adailton Fúria (PSD).
Influência
Flori também apoiou Fernando Máximo (PL) ao Senado e Jaime Gazola (Podemos) à Câmara dos Deputados. Ambos foram eleitos, reforçando a influência do prefeito de Vilhena na articulação política regional e no resultado das urnas.
Cereja
A cereja do bolo foi a eleição do ex-secretário de Obras Laércio Torres (Avante), que, mesmo acamado após grave acidente, obteve votação expressiva. O resultado ainda marcou a aposentadoria política de Rosângela Donadon (PRD) e Natan Donadon (União) nas urnas.
Lamentos
A Câmara Municipal de Porto Velho registrou na sessão plenária de ontem (05) lamentos de vereadores que tentaram conquistar cadeira na Assembleia Legislativa de Rondônia (ALERO) ou na Câmara dos Deputados. Nenhum deles já conseguiu transformar campanha em mandato nas urnas.
Recalcular
Pedro Geovar (Novo), Dr. Breno Mendes (Avante), Jeovane Ibiza (Avante), Zé Paroca (Avante), Marcos Combate (Avante), Adalto do Bandeirantes (Republicanos), Marcio Pacele (Republicanos), Dr. Santana (União), Everaldo Fogaça (PSD), Ellis Regina (União) e pastor Evanildo (PSD) terão de recalcular sua rota política e avaliar os próximos passos para as eleições de 2028.
Sério
Falando sério, no fim das contas, a urna não perdoa improviso, vaidade nem candidatura construída apenas no palanque. Quem tinha território, estratégia e voto sobreviveu. Quem apostou no barulho descobriu que, na política, fazer barulho não significa necessariamente fazer votos.


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