A Rússia aceitou uma proposta dos Estados Unidos para retomar as negociações trilaterais com a Ucrânia pelo fim da guerra, afirmou uma autoridade do governo Trump à agência de notícias Reuters.
O governo Putin disse nesta quarta que está aberto a retomar as tratativas, que ficaram pausadas após não gerarem progresso no primeiro semestre do ano. O principal assessor do presidente russo, Yuri Ushakov, afirmou que "o conflito na Ucrânia está chegando perto do fim", sem dar mais detalhes.
O avanço ocorreu após uma reunião entre Vladimir Putin e o enviado especial do governo Trump, Steve Witkoff, em São Petesburgo. O encontro também gerou a libertação do professor norte-americano Stephen Hubbard.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em uma entrevista à TV norte-americana, propôs nesta quarta-feira "congelar" a frente de batalha na guerra contra a Rússia como primeiro passo para iniciar negociações por um cessar-fogo.
Apesar dos avanços, ainda não estava evidente até a última atualização desta reportagem se houve algum avanço real rumo ao fim da guerra da Ucrânia —que completará cinco anos em fevereiro— além do acordo sobre o novo encontro tripartite. Também não havia evidências de que uma reunião que envolva Trump, Putin e Zelensky tenha sido acordada.
"Neste momento, precisamos congelar, e acredito que essa seja a maneira de encerrar esta guerra. Chamamos isso de cessar-fogo... congelar e parar", disse Zelensky em entrevista à emissora americana Fox News. Ele foi questionado se aceitaria um acordo de paz que mantivesse a linha de frente nas posições atuais, após a invasão russa.
Zelensky reiterou que a Ucrânia precisa participar de qualquer negociação para encerrar o conflito.
"Sempre disse que estamos abertos a negociar em qualquer formato, sobre qualquer tema. Mas não falem sobre nós sem a nossa presença, por favor", afirmou.
Ainda no encontro entre Putin e Witkoff, a Rússia anunciou que começaria em breve a enviar carregamentos de diesel aos Estados Unidos, em um acordo com o presidente americano, Donald Trump. Moscou também informou que libertou um cidadão americano que estava detido no país desde o início da guerra.
O presidente ucraniano também defendeu que um eventual acordo de paz inclua garantias de segurança oferecidas por parceiros internacionais, como os Estados Unidos e países europeus.
Segundo Zelensky, essas garantias são necessárias para evitar que a população ucraniana volte a enfrentar a ocupação e a violência.
"Isso permitiria que os ucranianos não tivessem medo de que a ocupação retorne, de que a agressão retorne, de que os assassinatos retornem", disse.
Durante a entrevista, Zelensky também comentou os serviços de comunicação por satélite operados pela empresa americana SpaceX, de Elon Musk. Ele mencionou o Starshield, utilizado em operações militares, e o Starlink, sistema de internet via satélite.
Segundo o presidente ucraniano, os serviços dos dois sistemas "continuam limitados". A declaração foi feita depois que Kiev acusou, dias antes, Washington de reduzir deliberadamente a velocidade do Starshield.
Zelensky afirmou, porém, que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, se comprometeu a trabalhar para resolver o problema.
"Mas o secretário me disse que trabalhará com sua equipe para resolver a situação", declarou.
Na terça-feira (20), o jornal americano The Wall Street Journal informou que Elon Musk havia ordenado a redução dos serviços do Starshield.
O empresário, por sua vez, havia afirmado anteriormente que qualquer restrição ao sistema teria sido determinada por Trump. O presidente americano negou a acusação.


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