PORTO VELHO, RO - O senador Confúcio Moura (MDB-RO) defendeu que médicos contrários à vacinação sejam cassados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e afirmou que o Sistema Único de Saúde (SUS) deve ser preservado independentemente de quem esteja no poder. Durante pronunciamento no plenário do Senado, divulgado em suas redes sociais, o parlamentar foi enfático ao cobrar punições contra profissionais que rejeitam as vacinas: “Hoje, por mais conservador que ele seja, que abomina a vacina, ele devia ser cassado pelo Conselho Federal de Medicina. Devia tomar o diploma dele.” Único integrante da bancada federal de Rondônia aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Confúcio decidiu não concorrer à reeleição e está encerrando sua trajetória na política.
Ao abordar a responsabilidade dos governantes com a saúde pública, o senador cobrou uma postura que ultrapasse as divisões ideológicas. A manifestação ocorre durante a administração de Lula, que sucedeu o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, embora o parlamentar não tenha mencionado Bolsonaro nominalmente no trecho divulgado. “Eu acho que o SUS, qualquer governo que entre, de direitos ou de esquerda, tem que criar vergonha na cara”, declarou.
Confúcio reforçou a declaração com uma defesa categórica da vacinação e do sistema público brasileiro. “O SUS é intocável. A vacina é soberana. Não tem essa não.” A manifestação também foi acompanhada de críticas à resistência à imunização, especialmente quando parte de profissionais que exercem a medicina.
O parlamentar mencionou a queda nos indicadores nacionais de imunização. “No ano passado caíram os índices de vacinação no Brasil”, afirmou, sem apresentar números no trecho divulgado. A referência temporal corresponde a 2025, já durante o governo Lula, e não à gestão Bolsonaro.
Na avaliação do senador, o presidente Lula e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, precisaram realizar esforços para recuperar a confiança da população na vacinação infantil. Confúcio afirmou que os dois tiveram que “fazer das tripas coração” para que as famílias voltassem a vacinar seus filhos e acreditassem na importância preventiva das vacinas.
A parte mais dura do discurso foi dirigida aos médicos que se posicionam contra a vacinação. Confúcio, que também é médico, defendeu a intervenção do Conselho Federal de Medicina contra esses profissionais. “Eu sou médico e eu não aceito”, declarou, antes de cobrar a cassação daqueles que rejeitam as vacinas.
O senador reforçou sua posição ao afirmar: “Médico que não respeita a vacinação não pode ser médico. Não tem conversa fiada.” A declaração sintetizou sua cobrança por responsabilização profissional e sua defesa da imunização como parte essencial da assistência à saúde.
A defesa do SUS também foi reforçada na publicação que acompanhou o pronunciamento. O senador mencionou sua participação na implantação do sistema em Rondônia e reafirmou a importância da imunização. “Sou médico e participei da implantação do SUS em Rondônia. Sei o quanto a saúde pública e as vacinas são essenciais para salvar vidas.”
Na mesma publicação, Confúcio sustentou que o SUS precisa ser respeitado por qualquer governo e que médicos que desacreditam as vacinas devem responder por sua conduta perante o Conselho Federal de Medicina. A manifestação ocorre na fase final da trajetória política do senador, que optou por não disputar um novo mandato e se prepara para deixar a vida pública eletiva.


Comentários
Seja o primeiro a comentar!