Prof. Me. Herbert Lins – MTE 1143
A hora da verdade: debates ao Senado colocam candidatos frente a frente e o eleitor diante das escolhas que definirão Rondônia
CARO LEITOR, merece aplausos a iniciativa dos canais de televisão de promover debates entre os candidatos às duas vagas ao Senado por Rondônia. Em uma eleição recheada de propaganda, dinheiro e discursos cuidadosamente ensaiados, o debate coloca o candidato diante do que realmente importa: perguntas, confronto e cobrança. Chega de candidato decorando slogan e repetindo promessa como se estivesse disputando concurso de popularidade. Quem quer representar Rondônia no Senado precisa explicar o que fez, o que pretende fazer e, principalmente, como pretende entregar. O eleitor não pode escolher apenas pela foto bonita, pelo padrinho político ou pelo tamanho da estrutura de campanha. Debate é onde discurso enfrenta realidade e promessa encontra cobrança. Que venham os confrontos. Afinal, quem foge das perguntas talvez também não esteja preparado para encarar os problemas de Rondônia.
Respostas
Debate não é palco para frases ensaiadas nem desfile de promessas: é a hora de explicar como pretende atuar, como fará e, sobretudo, de onde virão os recursos. O eleitor merece respostas, não discursos decorados.
Representar
Ao eleitor cabe observar o preparo do candidato ao Senado, a coerência, trajetória e capacidade de defender propostas sob pressão. Para quem disputa uma vaga ao Senado, pedir voto não basta: é preciso mostrar, diante das câmeras, por que merece representar Rondônia no Congresso Nacional.
Promover
Que os canais mantenham essa iniciativa de promover debates entre os candidatos ao Senado e ampliem o espaço para o eleitor comparar, questionar e decidir. Afinal, urna consciente nasce de informação e confronto de ideias, não de propaganda, slogan ou fotografia bem produzida nesta disputa.
Pioneira
A Band, em São Paulo, é pioneira na promoção de debates entre candidatos ao Senado. Em Rondônia, a TV Norte, afiliada ao SBT, promove, hoje, às 11h, o primeiro confronto entre os candidatos ao Senado. A coluna parabeniza a direção e a equipe pela iniciativa democrática.
Evitar I
O ex-senador Acir Gurgacz (PDT), que pretende voltar ao Senado, pode não comparecer ao debate para evitar a cobrança de adversários sobre seu alinhamento com o presidente Lula (PT-SP). Se faltar, deixará perguntas sem resposta ao eleitor.
Evitar II
O candidato governista ao Senado Luis Fernando (PSD) ainda pode faltar ao debate para evitar vincular sua imagem à do governador Coronel Marcos Rocha (PSD). Se confirmado, será erro estratégico da equipe de campanha eleitoral na reta final.
Confronto
Jornalista Luciana Oliveira (PT), aliada do presidente Lula (PT-SP), deve partir para o confronto direto com os candidatos da direita Fernando Máximo e Bruno Bolsonaro Scheid, ambos do PL. O debate promete nacionalização de temas, faíscas e cobrança pública direta.
Alvo
O deputado federal Fernando Máximo (PL), líder nas pesquisas para o Senado, deverá ser alvo dos demais candidatos. A exceção tende a ser seu companheiro de chapa, Bruno Bolsonaro Scheid (PL), que precisará administrar o confronto sem desgaste.
Aproveitar
A candidata Neidinha Suruí (PSB) deverá aproveitar o debate para denunciar a violência política e de gênero que afirma ter sofrido dentro do próprio partido, além de defender a floresta amazônica e os povos tradicionais de Rondônia.
Levantar
O candidato ao Senado Ayres Mota (PV), da federação PT/PV/PCdoB, deverá levantar a bola para a colega de federação Luciana Oliveira (PT). Ayres é aquele candidato que compete, compete e nunca ganha.
Extrema-direita
O engenheiro Túlio, do recém-criado Missão, partido originado do MBL, deverá usar o debate para evidenciar as pautas defendidas pelo presidenciável Renan Santos (Missão) e tentar transformar o debate em vitrine para pautas da extrema-direita.
Confirmou
A ex-deputada federal Mariana Carvalho (Republicanos) confirmou presença no confronto entre os candidatos ao Senado e deverá ser atacada pelos demais candidatos por seu crescimento nas pesquisas, impulsionado por adesões e crescimento da popularidade.
Azedada
Mariana Carvalho (Republicanos) deverá ser alvo da candidata Silvia Cristina (PP). O discurso poderá ser indireto, mas recado tende a atingir a companheira de chapa, mantendo a convivência azedada desde a convenção partidária em Rondônia.
Individual
A deputada federal Silvia Cristina (PP) deverá sustentar no debate a narrativa do “Eu fiz”, estratégia que valoriza sua atuação individual como parlamente na luta contra o câncer. O problema é que grandes conquistas públicas raramente são obra de uma só pessoa: resultam de esforços coletivos, articulações e parcerias.
Risco
Silvia Cristina (PP), ao insistir em um discurso individualista do “Eu fiz”, corre o risco de ofuscar a participação de todos os envolvidos nos leilões e dos doadores que integram a rede de proteção e combate ao câncer. No discurso eleitoral, reconhecer o coletivo não diminui o mérito de quem lidera; ao contrário, demonstra maturidade política.
Reconhecer
A narrativa do “Eu fiz” de Silvia Cristina (PP), pode transmitir a impressão de que recursos públicos, provenientes dos impostos pagos pela sociedade, seriam conquistas pessoais. Na política, reconhecer o esforço coletivo não diminui o mérito de quem articula; ao contrário, revela grandeza para dividir os resultados com quem também ajudou a torná-los possíveis.
Atenção
Atenção marqueteiro Omar Caldas, talvez seja hora de substituir o “Eu fiz” por uma expressão mais abrangente e fiel à política: “resultado do nosso mandato e da nossa atuação parlamentar”. Afinal, recursos públicos não pertencem ao político que os viabiliza, mas à sociedade que paga a conta.
Alerta
Jesualdo Pires (PP) ganha força na disputa pela Câmara dos Deputados. De volta à política, o ex-prefeito de Ji-Paraná pode desequilibrar a eleição e abocanhar a segunda vaga da União Progressista (UP), acendendo alerta entre os adversários.
Conexão
A deputada estadual Ieda Chaves (União) busca a reeleição com um diferencial: pode transformar o mandato em argumento eleitoral. Sua defesa das mulheres, da causa animal, da saúde e da educação, amplia sua conexão com diferentes segmentos da sociedade rondoniense.
Fortalece
Mais que pedir votos, Ieda Chaves (União) apresenta resultados e uma atuação reconhecida pela fiscalização do dinheiro público. Essa combinação de presença parlamentar, causas sociais e prestação de contas fortalece seu nome na disputa eleitoral.
Dúvidas
A leitura de Assassinato de Reputação, de Romeu Tuma Jr., e O Processo, de Kafka, somada ao que vivi na Operação Apocalipse, não me permite olhar certas operações policiais com ingenuidade. A Operação Dreno contra o prefeito Marcélio Brasileiro (PL) de Nova Mamoré é um desses casos que despertam dúvidas.
Dreno
A Operação Dreno, deflagrada pela PF em 9 de setembro, alcançou a casa do prefeito Marcélio Brasileiro (PL), a Prefeitura de Nova Mamoré e uma empresa de contabilidade. A investigação mira contratos de contabilidade de campanhas do PL em 2024 das eleições municipais.
Apura
A PF apura recursos eleitorais recebidos pelas campanhas eleitorais do PL no pleito de 2024 e pagamentos feitos à empresa de contabilidade, considerados elevados e desproporcionais. Mas preço alto, por si só, não prova fraude: é preciso demonstrar serviço fictício, superfaturamento ou desvio.
Prova
A coincidência entre recursos recebidos e valores pagos à contabilidade mostra o caminho financeiro, mas não necessariamente o crime. O mesmo vale para pagamentos posteriores, transferências a familiares e pessoas próximas: vínculo não substitui prova material.
Crime
Na relação com a Assembleia de Deus de Ji-Paraná e Marley Muniz, a investigação precisa apresentar provas concretas de eventual ilicitude nas transferências e individualizar condutas. Contratar uma empresa não prova participação em atos posteriores. Dízimo não é crime.
Exige
Também chama atenção a busca no gabinete da Vice-Prefeitura em Nova Mamoré por fatos ligados à eleição de 2024 e a tentativa de aproximar o caso da campanha de Marcos Rogério (PL) em 2026. Até aqui, indício justifica investigar; prova de crime exige nexo, conduta e dolo.
Sério
Falando sério, investigar é dever do Estado; julgar antes da prova é outro assunto. Na Operação Dreno, indícios podem justificar buscas, mas não condenações públicas. Transformar suspeita em culpa antes da hora é atropelar o devido processo e fabricar culpados.


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