PORTO VELHO, RO - Candidato a deputado federal pelo União Brasil, o advogado Célio Lopes afirmou que a Previdência Social não quebraria se seus recursos não fossem desviados e criticou o tratamento dispensado aos aposentados no país. Durante participação no podcast RD Entrevista, apresentado por Vinícius Canova no Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia, ele também abordou corrupção partidária, independência em relação à própria legenda, concessão da BR-364, trajetória política e a campanha à Prefeitura de Porto Velho em 2024.
Ao ser questionado sobre a situação dos aposentados, Célio direcionou sua resposta à União e sustentou que a categoria não recebe o devido reconhecimento depois de anos de contribuição. “A União trata com muito desrespeito os nossos aposentados. Primeiro que quer desindexar o aumento do salário mínimo do valor dos aposentados. Essa desindexação faz com que a gente não tenha a valorização daquelas pessoas que já contribuíram muito com a sociedade, já pagaram muitos impostos”, declarou.
Na sequência, fez uma das afirmações mais fortes da entrevista ao associar os problemas da Previdência à necessidade de fiscalização sobre seus recursos. “Se a gente não roubar a Previdência, ela não quebra”, afirmou. Célio prosseguiu defendendo que o exercício de um mandato na Câmara dos Deputados exige capacidade para compreender processos e documentos administrativos. “Eu não sei como uma pessoa consegue ser deputado federal e não sabe ler um processo. Eu acredito que não tem como ser um bom deputado federal” sem domínio técnico da atividade parlamentar, argumentou.
A crítica foi ampliada para a valorização do trabalho. Segundo o candidato, o problema não estaria restrito aos aposentados. Ele afirmou que, em sua avaliação, o Brasil também não valoriza adequadamente quem trabalha e citou diferenças salariais entre categorias. “A pessoa tem que realmente ter técnica para ocupar o espaço. Tem que ter, porque o povo depende disso. Nós estamos elegendo um representante, não é um amigo”, declarou, ao defender que um parlamentar deve utilizar o mandato para representar os interesses dos eleitores.
Outro momento politicamente sensível ocorreu quando Célio foi questionado sobre a mudança do PDT para o União Brasil e sobre sua relação com partidos políticos. Ele disse continuar sendo “a mesma pessoa” e se definiu como alguém de perfil mais conservador, embora tenha ressaltado que reconhece políticas públicas que considera importantes independentemente do campo político de origem.
“Eu continuo sendo a mesma pessoa. Eu realmente tenho um perfil mais conservador, isso é um fato. Mas eu sei que tem políticas públicas muito importantes, porque eu sou fruto de ProUni. Então eu não posso falar que tem lado. Eu acredito que tem propostas boas de ambos os lados, assim como tem propostas ruins de ambos os lados”, afirmou.
Célio relacionou sua antiga filiação ao PDT à importância que atribuía à educação e mencionou Leonel Brizola ao explicar essa escolha. Segundo ele, as discussões políticas que hoje ocupam espaço no debate ideológico não eram determinantes para sua militância naquele período. O candidato afirmou preferir concentrar sua atuação em dificuldades concretas enfrentadas pela população, citando acesso a exames e atendimento de saúde.
“Eu quero discutir que o povo está passando dificuldade, que as pessoas estão morrendo sem saber o que têm, que as pessoas estão morrendo sem poder fazer uma ressonância magnética, sem fazer uma tomografia computadorizada”, disse. Logo depois, reiterou a definição política que havia apresentado: “A preocupação, de fato, é uma preocupação com as pessoas, mas eu tenho um perfil bem mais conservador. Eu acredito que eu tenho esse perfil”.
Ao tratar do sistema partidário, Célio manifestou insatisfação com a influência das legendas sobre a disputa proporcional e disse que, em um cenário no qual pudesse concorrer sem vínculo partidário, essa seria uma possibilidade que consideraria. Foi nesse trecho que fez uma declaração ampla sobre corrupção nas siglas.
“Porque a verdade é que os partidos, quando a gente vai olhar para a questão de corrupção, todos estão envolvidos”, declarou. Questionado na sequência sobre situações envolvendo sua antiga legenda, separou pessoas específicas das acusações mencionadas durante a entrevista e disse que não deixaria de criticar uma conduta por estar filiado ao partido responsável por ela.
O candidato afirmou que pretende manter essa mesma postura no União Brasil. Segundo ele, a fidelidade partidária não poderia se sobrepor ao que considera interesse da população. “Não interessa quem esteja contra. Pode ser o próprio partido ao qual eu estou filiado. Assim como eu vou para o União Brasil: se estiver errado, eu vou ser contra o União Brasil”, disse.
Em seguida, endureceu o discurso. “Eu não vou ser a favor do partido e contra o povo. Não tem essa possibilidade de eu ser contra o povo a favor do partido. O partido falou para tu votar contra o povo? Então o partido que me expulse”, afirmou, acrescentando uma consideração jurídica sobre os efeitos que, segundo sua interpretação, uma expulsão partidária teria sobre o mandato.
A concessão da BR-364 também ocupou espaço entre os assuntos mais contundentes da entrevista. Célio disse ter analisado o processo e afirmou que pretende atuar para revisar o contrato caso seja eleito deputado federal. Segundo ele, o documento tem mais de 300 páginas e produzirá efeitos durante décadas.
“Desde o primeiro dia, se eu for deputado federal, nós vamos revisar esse contrato, porque nós temos meios para revisar esse contrato”, declarou. Na sequência, classificou o acordo como uma “sentença” para Rondônia e associou essa definição ao tempo de duração da concessão. “Eu tenho 35 anos. Daqui a 30 eu vou ter 65. Então isso não é um contrato, é uma sentença. Eu gosto de dizer que é uma sentença”, afirmou.
Antes dos temas nacionais e partidários, Célio também avaliou sua experiência nas eleições municipais de 2024. Ele terminou aquela disputa com 29.358 votos e descreveu a candidatura como uma “grande vitória” e uma “vitrine”. Segundo o advogado, chegou ao final da campanha ainda sem ser conhecido pela maioria dos moradores de Porto Velho e atribuiu parte de seu crescimento à exposição obtida nos debates.
Ao relembrar os confrontos com Samuel Costa, Célio afirmou que o adversário acabou lhe oferecendo oportunidades para apresentar propostas. Segundo ele, o antagonismo teve um efeito positivo sobre sua candidatura justamente porque o colocou no centro de discussões durante os debates.
“Foi uns embates muito legais porque ele me deu a oportunidade de falar de proposta e eu estava muito preparado para falar de proposta. Então ele me dava o embate e eu falava: ‘Inclusive eu vou fazer isso em educação, inclusive eu vou fazer isso, inclusive isso que você está falando eu tenho uma proposta para isso’. Então ele me deu muita oportunidade de mostrar que eu estava preparado”, relatou.
O candidato admitiu que entrou no primeiro debate sem experiência naquele tipo de confronto e relatou nervosismo diante de nomes já conhecidos da política municipal. Depois, afirmou ter percebido crescimento nas pesquisas a partir daquela participação. Em relação ao embate com Euma Tourinho, disse que inicialmente pretendia discutir se um candidato jovem poderia administrar Porto Velho, mas que a resposta recebida levou a um confronto mais firme.
Célio afirmou que a preparação para a eleição de 2024 envolveu conversas com técnicos e profissionais de diferentes áreas da administração. Ao falar do plano de governo, disse que evitava incluir compromissos que, em sua avaliação, não poderiam ser cumpridos e justificou a preocupação pelo fato de continuar vivendo na própria cidade e estar sujeito à cobrança direta da população.
A saúde apareceu nesse trecho da conversa. Advogado especializado em Direito Previdenciário, Célio relatou receber pessoas em situação de vulnerabilidade no escritório e afirmou que algumas procuram auxílio jurídico para obter procedimentos que já aguardariam havia anos. Citou, entre os casos acompanhados, ações relacionadas a pacientes que buscam cirurgias pelo sistema público.
A formação profissional foi apresentada pelo candidato como resultado de uma trajetória iniciada muito antes da advocacia. Célio contou que começou a trabalhar ainda criança, ligado à atividade pesqueira no Cai N’Água, acompanhando o pai e participando da rotina de trabalhadores do setor. Disse ter sido o primeiro da família a chegar ao ensino superior e explicou que, naquele ambiente familiar, o objetivo mais comum era conquistar uma profissão e um emprego formal.
Antes de se tornar advogado, relatou que já auxiliava pescadores na elaboração de recursos relacionados a benefícios. Segundo Célio, o contato com essas demandas acabou aproximando sua atividade profissional do Direito Previdenciário. Depois da graduação, ainda considerou seguir o caminho dos concursos públicos antes de decidir exercer a advocacia e especializar a atuação.
A entrada na atividade partidária, segundo ele, ocorreu ainda menor de idade, depois de procurar representantes públicos para reclamar das condições de um programa destinado a jovens trabalhadores. Célio contou que posteriormente participou de manifestações e atividades políticas, mas que por muitos anos não pretendia ser candidato nem ocupar o centro das atenções.
Agora candidato a deputado federal, ele descreveu a campanha proporcional como uma disputa diferente da corrida pela Prefeitura. Disse investir em redes sociais, especialmente Instagram e WhatsApp, e afirmou percorrer longas distâncias a pé durante a campanha. Também declarou não se considerar uma prioridade de sua legenda.
No encerramento do RD Entrevista, Célio apresentou a imagem que pretende levar à disputa pela Câmara dos Deputados. “Eu acredito que o Célio é uma pessoa comum e, se tem uma coisa que está faltando na política, é uma pessoa comum. A gente não precisa acreditar que o político bom é aquele que é filho do ciclano, filho do beltrano. O bom político é aquele que mais parece conosco”, afirmou. O programa é dirigido por Roberto Lamarão, também responsável pela pós-produção e motion.


Comentários
Seja o primeiro a comentar!