PORTO VELHO, RO - As revelações da Polícia Federal sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, tomaram o noticiário político nacional, provocaram reação no Senado e já começaram a produzir efeitos na campanha eleitoral. Em Rondônia, porém, apenas um dos seis candidatos ao Governo se pronunciou publicamente sobre o caso até a manhã desta quinta-feira (3).
Levantamento feito pelo Rondônia Dinâmica não localizou manifestações específicas de Adailton Fúria (PSD), Hildon Chaves (União), Expedito Netto (PT), Samuel Costa (PSB) e Pedro Abib (MDB) sobre as novas informações envolvendo Moraes e Vorcaro. Marcos Rogério (PL) foi o único a abordar o assunto.
A diferença chama atenção pela dimensão que o episódio ganhou nas últimas horas. O caso abriu uma crise no Supremo, levou senadores de diferentes partidos a cobrarem investigação, renúncia ou impeachment de Moraes e passou a ocupar também o discurso de candidatos pelo país. O UOL tratou o episódio como um “tsunami político” com impacto sobre as eleições, enquanto candidatos a governos estaduais já começaram a ser cobrados sobre o tema.
No Rio Grande do Sul, por exemplo, candidatos de MDB, PDT, PL e PSDB se manifestaram sobre as revelações. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) defendeu investigação contra Moraes, embora tenha evitado pedir impeachment. Em Minas Gerais, Gabriel Azevedo (MDB) chegou a defender a renúncia do ministro.
Em Rondônia, Marcos Rogério publicou um vídeo nas redes sociais classificando como “escandalosas” as informações divulgadas e cobrando investigação. “São dois Brasis. Um que responde por tudo e outro que não responde por nada. Ninguém pode estar acima da lei”, afirmou.
O senador também assinou o pedido de impeachment articulado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Até esta quinta-feira, o documento reunia 41 assinaturas, entre senadores e deputados; Marcos Rogério e Jaime Bagattoli aparecem entre os signatários de Rondônia.
As novas informações vieram de material obtido pela PF no celular de Vorcaro e incluem mensagens atribuídas à interlocução com Moraes, além de dados relacionados ao contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. A investigação ainda está em curso e não há, até agora, decisão judicial que reconheça a prática de crime por Alexandre de Moraes.
A repercussão ocorre a pouco mais de um mês das eleições e atinge um ponto especialmente sensível da disputa de 2026: o Senado renovará dois terços de suas cadeiras e é justamente a Casa responsável por processar pedidos de impeachment de ministros do STF. A crise envolvendo Moraes e Vorcaro já recolocou a relação entre Congresso e Supremo entre os temas da campanha nacional.
Até a publicação desta reportagem, não haviam sido localizados posicionamentos dos outros cinco candidatos ao Governo de Rondônia sobre as novas revelações do caso.
O que disse Marcos Rogério:
“É escandaloso o que o Brasil está vendo hoje sobre o ministro Alexandre de Moraes. Esse é o mesmo ministro que teve mão de ferro para julgar idoso, para julgar pai, mãe de família que foram para uma manifestação, que condenou a 14 anos uma mulher que escreveu uma frase de batom numa estátua, que mantém Jair Bolsonaro preso há mais de um ano.
Enquanto fazia isso com gente simples, ele tinha o escritório da própria mulher e ele mesmo recebendo milhões do dono de um banco que hoje está preso por fraude.
E agora aparecem mensagens desse banqueiro pedindo a ele para segurar a Polícia Federal.
São dois Brasis: um que responde por tudo e outro que não responde por nada. Ninguém pode estar acima da lei, ninguém.
Quem está com esse caso na mão é o ministro André Mendonça, e estão pressionando ele de todo lado para que essa investigação não ande.
O Senado Federal precisa proteger o ministro André Mendonça. Precisa garantir a segurança dele e o andamento dessas investigações. E tem o dever de discutir o mandato de ministro que comete crime.
E olha só o que ninguém está falando: o próximo presidente da República vai indicar quatro ministros do STF.
O ministro que teve a coragem de expor essa barbaridade foi André Mendonça, que é indicação do presidente Bolsonaro.
Precisamos eleger quem tem compromisso, quem está comprometido com o Brasil. É Flávio Bolsonaro 22. E aqui em Rondônia precisamos dos nossos senadores, que serão aqueles que vão se posicionar diante dessas indicações do STF e também do que surgir sobre os ministros.
Vamos votar 22 de cabo a rabo. Presidente, senadores, governador. Essa é a missão, é o compromisso com o Brasil.”


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