O Japão repudiou nesta quinta-feira (13) uma visita oficial feita pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, às Ilhas Curilhas, arquipélago próximo ao território japonês e disputado entre os dois países. A premiê Sanae Takaichi declarou que "protesta veementemente" contra a ação, e o governo japonês convocou o embaixador russo para dar explicações.
Putin foi à ilha de Iturup —chamada pelo Japão de Etorofu— no que marcou sua 1ª visita oficial ao arquipélago das Curilhas, segundo a agência russa estatal Tass (veja no vídeo acima e leia mais sobre a visita abaixo).
"A visita fere os sentimentos do povo japonês e é absolutamente inadmissível", afirmou Takaichi em uma declaração oficial transmitida pela televisão. "Esperamos que o lado russo reconheça plenamente a gravidade desta questão", disse. Ela acrescentou também que a ida de Putin à ilha ocorreu apesar de diversos pedidos contrários do governo japonês.
➡️ Iturup é uma das quatro ilhas das Curilhas que o Japão reivindica como parte de seu território. Elas foram tomadas por Moscou nos dias seguintes à rendição do Japão no fim da 2ª Guerra Mundial, e desde então Tóquio insiste em sua devolução. Leia mais abaixo.
As relações entre Moscou e Tóquio se deterioraram depois que Putin ordenou a invasão em larga escala da Ucrânia, em 2022. O Japão se juntou a outros países na condenação do ataque e na imposição de sanções contra a Rússia.
O Kremlin não havia se pronunciado de forma oficial sobre o protesto do Japão até a última atualização desta reportagem. No entanto, a Tass reportou que Putin falou em “garantir a segurança da Rússia ao longo de todas as suas fronteiras” durante reunião com militares nesta quinta, e também chamou de "complexa" a situação dos territórios sob responsabilidade do Exército russo no Pacífico.
Os embaixadores da Rússia e da China no Japão, Nikolai Nozdrev e Wu Jianghao, respectivamente, divulgaram nesta quinta uma declaração conjunta na qual se comprometeram a se opor a tentativas de revisar os resultados da 2ª Guerra Mundial.
Nozdrev e Jianghao também alertaram contra a remilitarização da região da Ásia-Pacífico, em uma linguagem que, segundo a agência de notícias Reuters, ecoa a rejeição de Moscou à reivindicação japonesa sobre as ilhas.


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