O Irã elevou o tom contra os Estados Unidos nesta segunda-feira (17) ao anunciar uma mudança na forma como pretende conduzir suas ações militares. Um alto integrante da Guarda Revolucionária afirmou que, mesmo em operações de caráter defensivo, as Forças Armadas do país passarão a adotar uma postura mais ofensiva diante de eventuais ameaças.
A declaração foi feita pelo general Yadollah Javani, responsável por assuntos políticos na Guarda Revolucionária, durante entrevista à televisão estatal iraniana. Segundo ele, Teerã trabalha em uma reorganização e modernização de sua doutrina de defesa, com mudanças destinadas a ampliar a capacidade de antecipação diante dos adversários.
"O inimigo deve saber que não pode realizar ataques de surpresa nem nos pegar desprevenidos. Talvez deva esperar surpresas estratégicas", declarou Javani.
De acordo com o general, as forças iranianas deverão adotar abordagens consideradas "transformadoras". A orientação está alinhada a recentes mudanças promovidas na cúpula militar pelo líder supremo Mojtaba Khamenei, que reforçou posições estratégicas com integrantes da Guarda Revolucionária.
Impasse sobre o Estreito de Ormuz aumenta tensão
A nova mensagem de Teerã ocorre em um momento de forte disputa com Washington pelo controle e pela navegação no Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o mercado mundial de energia. Antes do atual conflito, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados globalmente passava pela região.
Autoridades iranianas afirmam que a passagem marítima está sob controle de Teerã e sustentam que navios não podem atravessar o estreito sem autorização do país. Os Estados Unidos rejeitam essa posição e mantêm forças navais na região com o argumento de garantir a liberdade de navegação.
Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington tinha "controle total" do Estreito de Ormuz. A declaração foi imediatamente contestada por autoridades iranianas, que reiteraram que não pretendem reabrir completamente a passagem enquanto as condições acertadas anteriormente com os americanos não forem cumpridas.
Acordo entre Irã e EUA entrou em colapso
Irã e Estados Unidos haviam chegado a um entendimento provisório em junho para interromper as principais operações militares e tentar avançar nas negociações sobre a segurança do Golfo e a circulação de navios por Ormuz. O acordo, porém, começou a ruir poucas semanas depois.
As duas partes passaram a se acusar mutuamente de descumprimento. O Irã retomou ataques limitados contra embarcações que, segundo Teerã, violavam as condições acertadas, enquanto os Estados Unidos voltaram a bombardear alvos no sul iraniano com o objetivo declarado de reduzir a capacidade do país de atacar navios na região.


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