A deputada federal Cristiane Lopes (Podemos) defendeu o fim da escala de trabalho 6x1, confirmou que recebeu convite para ser vice de Marcos Rogério (PL) na disputa pelo Governo de Rondônia e acusou empresas aéreas de “humilhar” os rondonienses com os preços das passagens. As declarações foram dadas ao podcast Resenha Política, apresentado pelo jornalista Robson Oliveira, em uma entrevista que também expôs divergências da parlamentar com o Governo do Estado e bastidores da composição eleitoral de 2026.
Questionada sobre a discussão em torno da escala 6x1, Cristiane disse ter tomado posição favorável à mudança após ouvir trabalhadores no Estado. A deputada sustentou que não costuma se esconder de votações potencialmente impopulares e afirmou ter decidido a partir do sentimento que encontrou nas ruas. “Eu votei de acordo com o que o nosso povo quis”, disse. Ao mesmo tempo, reconheceu que uma alteração na jornada pode pressionar empresas e defendeu uma agenda paralela de redução de impostos e burocracia para o setor produtivo.
“Eu votei de acordo com o que o nosso povo quis.”
Cristiane também confirmou que foi procurada para integrar a chapa de Marcos Rogério como candidata a vice. Segundo ela, o convite partiu diretamente do candidato do PL. A parlamentar afirmou ter recebido outras sondagens, disse ter ficado lisonjeada, mas decidiu disputar novamente uma vaga na Câmara dos Deputados. A justificativa foi a intenção de preservar autonomia e concluir projetos iniciados no primeiro mandato. Hoje, o Podemos está aliado ao PL em Rondônia, e Cristiane afirmou que acompanha a composição estadual e apoia Flávio Bolsonaro para a Presidência.
“Chegaram muitos convites e eu me sinto lisonjeada, agradeci muito. [...] Eu preferi tentar um segundo mandato.”
O tom subiu quando a conversa passou para o custo das viagens aéreas a partir de Rondônia. Autora de uma proposta que busca abrir o mercado doméstico da Amazônia Legal à operação de companhias estrangeiras, Cristiane afirmou que a pouca concorrência deixa os passageiros do Estado submetidos a tarifas que considera abusivas. “Hoje nós temos apenas, vou dizer, praticamente duas empresas operando no nosso estado, nos humilhando, fazendo a gente pagar a passagem mais cara”, afirmou. Ela relatou ainda ter enfrentado pressão de representantes das grandes companhias e citou o peso do lobby do setor durante a tramitação da proposta na Câmara.
“Hoje nós temos apenas, vou dizer, praticamente duas empresas operando no nosso estado, nos humilhando, fazendo a gente pagar a passagem mais cara.”
A entrevista também revelou um desgaste entre a deputada e o Governo de Rondônia. Cristiane afirmou que, apesar de ser, segundo ela, a parlamentar que mais destinou recursos ao Executivo estadual, enfrentou dificuldades para transformar emendas em entregas. Citou a interrupção do funcionamento de totens de segurança em distritos e disse ter ouvido como justificativa a falta de recursos do próprio governo. Mais adiante, atribuiu parte dos problemas à forma de condução política do governador, a quem classificou como “muito fechado”. “Ele não se abre muito para os diálogos políticos”, afirmou. “Na política não existe política sem diálogo, sem relacionamento.”
“Ele é uma pessoa que tem a sua forma de administrar e eu vejo que ele é muito fechado. Ele não se abre muito para os diálogos políticos.”
Cristiane usou o projeto do Hospital Universitário de Porto Velho como exemplo dessa dificuldade. Segundo ela, as primeiras articulações envolveram a Universidade Federal de Rondônia, ministérios e integrantes do Governo do Estado, mas “nada avançou”. A proposta acabou retomada posteriormente com a Prefeitura de Porto Velho, já sob Léo Moraes, e a Unir. A deputada afirmou que pretende participar do projeto com a destinação de recursos parlamentares.
No tabuleiro eleitoral, a parlamentar também mostrou que a aliança com o PL não significa apoio automático a todos os nomes da chapa. Para o Senado, disse ter proximidade e conversas frequentes com Fernando Máximo. Já sobre Bruno Bolsonaro Scheid, afirmou nunca ter encontrado pessoalmente o candidato e revelou que ele não havia sequer a procurado para uma conversa até o momento da entrevista. Pressionada por Robson Oliveira sobre o segundo voto, respondeu que ainda está avaliando.
A BR-364 completou a lista de temas sensíveis. Cristiane avaliou que a bancada federal anterior “deveria ter se empenhado mais” antes que o processo de concessão e o leilão avançassem e afirmou que, no estágio atual, a principal batalha é pela redução do preço dos pedágios. Também criticou a manutenção da rodovia e defendeu que a próxima bancada de Rondônia transforme o tema em uma pauta conjunta, independentemente de quem vença a eleição presidencial.
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