Dois petroleiros sauditas que navegavam no Mar Vermelho em direção ao Estreito de Bab Al-Mandeb deram meia-volta após o grupo extremista Houthis terem iniciado um bloqueio naval à Arábia Saudita, segundo dados de navegação marítima.
Os navios, que carregam petróleo saudita e têm a China e a Índia como destino, deram a meia-volta nesta semana e agora navegam em direção ao Canal de Suez, segundo dados da LSEG.
A constatação ocorreu um dia após o grupo extremista libanês ter anunciado na segunda-feira (20) um bloqueio embargo marítimo contra a Arábia Saudita e ameaçar fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, a segunda maior rota de exportação de petróleo do Oriente Médio, por onde passa cerca de 9% do volume mundial da commodity. Leia mais abaixo.
A mudança de rota desses petroleiros é o primeiro efeito prático do bloqueio dos Houthis, que já deve causar um impacto econômico significante à Arábia Saudita. Isso porque esses navios sinalizam com uma rota muito mais longa, que terá que dar a volta na África.
O Estreito de Bab Al-Mandeb, por onde as embarcações sauditas originalmente passariam, liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico, e seria uma rota direta para a Índia e a China. Com a mudança, os navios teriam que atravessar o Mar Mediterrâneo e o Oceano Atlântico para retomar a rota de entrega do petróleo, algo que deixará a entrega mais cara e mais demorada.
Mais cedo nesta terça, os Houthis também alertaram via e-mail empresas de transporte marítimo para evitarem carregar ou descarregar em portos sauditas, e que embarcações que não respeitarem a orientação podem ser alvo de ataques.
Houthis impõem embargo à Arábia Saudita
Em comunicado divulgado à imprensa na segunda-feira, o porta-voz militar do movimento rebelde chamou a nação vizinha de "criminosa".
"Os Houthis declaram um embargo marítimo contra o inimigo criminoso saudita, baseado na lei de 'olho por olho', com efeito imediato após a emissão desta declaração", afirmou Yahya Saree, acrescentando que o bloqueio é uma resposta ao "cerco injusto e opressivo contínuo da Arábia Saudita contra nosso querido povo por quase 12 anos, saqueando nossos recursos e impondo um bloqueio abrangente a nossos portos e aeroportos por terra, mar e ar".
Horas depois da mensagem, um porta-voz da ONU lamentou o bloqueio e afirmou que ele pode acarretar conflito regional "ainda maior".
Há quatro dias, na quinta-feira (16), três fontes da agência de notícias Reuters afirmaram que os Houthis estavam de sobreaviso para fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, rota petrolífera do Mar Vermelho, caso os Estados Unidos atacassem a infraestrutura de energia iraniana, o que ocorreu na noite deste domingo (19).
Bombardeios dos EUA atingiram vários locais na cidade portuária de Bushehr, no sul do Irã, onde fica a única usina nuclear civil do país, informou a mídia estatal iraniana Irna.
Além disso, nesta segunda, o Irã pediu à agência nuclear da ONU que condene os ataques dos EUA que, segundo o país, tiveram como alvo a usina nuclear de Darkhovin, em construção no sudoeste do país.
Segundo duas fontes iranianas de alto escalão e uma fonte próxima ao movimento iemenita, que falaram sob condição de anonimato, a ideia de fechar o Estreito de Bab el-Mandeb foi discutida entre a liderança do Irã e representantes do grupo no país.
A fonte próxima aos Houthis afirmou que o grupo estava com os preparativos para atacar navios concluídos e que havia implantado mísseis e drones no entorno da passagem.
Também contou que representantes da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), que já estão no Iêmen, controlariam a decisão sobre quando fechar o estreito.


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