PORTO VELHO, RO - A sucessão estadual de 2026 ganhou em Cacoal um de seus primeiros palcos públicos com a reunião de sete pré-candidatos ao Governo de Rondônia durante a Terceira Marcha dos Vereadores do estado. Em apresentações individuais, Pedro Abib, do MDB; Luiz Carlos Teodoro, do PSOL; Expedito Netto, do PT; Hildon Chaves, do União Brasil; Marcos Rogério, do PL; Adaílton Fúria, do PSD; e Samuel Costa, do PSB, expuseram propostas, fizeram diagnósticos sobre a administração pública e anteciparam algumas das linhas de confronto político que poderão marcar a campanha.
O encontro ocorreu no terceiro dia da marcha, promovida pela Associação Brasileira de Câmaras Municipais, a Abracam, em parceria com a Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil em Cacoal, com a participação de vereadores, prefeitos, parlamentares, representantes do Poder Judiciário e dirigentes partidários. A abertura foi conduzida pelo presidente nacional da Abracam, Rogério Rodrigues da Silva. A mesa contou ainda com o presidente da Subseção da OAB em Cacoal, Miguel Antônio Paes de Barros Filho; o presidente da Câmara Municipal de Cacoal, Gimenez Fritz; o prefeito Tony Pablo de Castro Chaves; e o juiz de Direito Mário José Milani e Silva, representante do Tribunal de Justiça de Rondônia. Os deputados estaduais Luizinho Goebel e Cássio Gois também foram convidados a integrar o dispositivo.
Pelo regulamento lido pela organização, o encontro não teria formato de debate. Cada pré-candidato receberia o mesmo tempo e deveria concentrar a exposição em propostas, programas, projetos e visão de governo, com proibição de ataques pessoais, expressões ofensivas, interrupções e confrontos diretos. O público também foi orientado a não interromper as apresentações. Apesar da inexistência de confronto direto, as falas foram marcadas por críticas duras a governos, parlamentares, modelos administrativos e decisões políticas.
Pedro Abib apresenta formação técnica como credencial e critica a política do achismo
Primeiro a falar, depois de uma alteração na ordem inicialmente estabelecida pela organização, Pedro Abib, do MDB, utilizou a formação acadêmica e o conhecimento sobre o setor produtivo como principais credenciais. Médico-veterinário, advogado e mestre em Direito Econômico, ele afirmou ter se filiado a um partido político pela primeira vez em abril de 2026 e procurou se apresentar como um nome fora das estruturas políticas familiares e dos grupos tradicionais. Segundo ele, a pré-candidatura não estaria fundamentada em sobrenome, patrimônio político herdado ou domínio de uma estrutura eleitoral, mas na defesa de um projeto de longo prazo para o estado.
Abib reconheceu que casos de mau uso do dinheiro público contribuíram para a desconfiança da população em relação à política, mas disse que ingressar na vida pública exige coragem e disposição para colocar a vida pessoal à disposição de um projeto coletivo. Criticou o modelo construído em torno das emendas parlamentares impositivas, que na avaliação dele levou parte dos mandatários a abandonar projetos estruturantes para se dedicar à distribuição de recursos com atenção voltada à eleição seguinte, sistema que aumentaria a vantagem de quem já exerce mandato e produziria uma grande disparidade de armas entre os concorrentes.
O pré-candidato rejeitou a polarização e os radicalismos políticos e defendeu uma democracia voltada às pessoas, capaz de dialogar com diferentes setores. Citou a encíclica Rerum Novarum, publicada pelo papa Leão XIII em 1891, relacionando o documento à construção de uma política afastada tanto do socialismo quanto de um capitalismo sem limites, e mencionou Jules Rimet, dirigente ligado à criação da Copa do Mundo, cuja atuação teria sido influenciada por princípios cristãos.
Abib questionou a ideia de que qualquer pessoa estaria preparada para exercer um cargo político de grande responsabilidade. "Por que é que alguém disse que na política pode ser um palhaço? Por que é que alguém disse que a política é brincadeira? Agora é sério", declarou.
Sobre a administração estadual, afirmou que não há espaço para promessas de grandes obras sem a apresentação da origem dos recursos, já que a maior parte do orçamento estaria comprometida com despesas permanentes, folha de pagamento e repasses aos poderes. "Não adianta vir alguém fazer demagogia aqui e dizer que vai fazer fundos e mundos em Rondônia, que vai construir tantos hospitais, tantas unidades de saúde, tantas escolas. A gente tem que discutir com seriedade como eu vou investir se eu não tenho recurso", afirmou.
A proposta central apresentada foi aumentar o Produto Interno Bruto de Rondônia por meio da industrialização e do aproveitamento das cadeias produtivas existentes. Abib argumentou que o estado permanece dependente da exportação de matéria-prima e submetido às oscilações do mercado internacional, citando a variação no valor da saca de soja. Defendeu que Rondônia deixe de apenas vender o grão e passe a transformá-lo em proteína animal, com ampliação da produção de suínos, lembrando que aproximadamente 80% da carne suína consumida no estado viria de outras regiões do país. "Chegou a hora de eu transformar a soja em proteína em Rondônia. E aí eu gero emprego, renda e não fico mais refém do preço da soja só", disse, deixando claro que não propunha o fim da exportação da soja.
Abib defendeu ainda investimentos na bovinocultura de leite, com assistência técnica, genética animal, transferência de embriões e alimentação adequada dos rebanhos. Relatou que Rondônia já teria produzido entre três milhões e quatro milhões de litros de leite por dia, mas atualmente não alcançaria 1,5 milhão, redução que atribuiu à falta de conhecimento técnico, apoio logístico e assistência rural, e citou o caso de uma família de Nova Mamoré que teria abandonado a produção diante das dificuldades para manter o nitrogênio necessário à transferência de embriões. Na pecuária, afirmou que técnicas simples de divisão de pastagens e manejo rotacionado poderiam aumentar consideravelmente a quantidade de animais em pequenas propriedades sem ampliar a área utilizada. Na bioeconomia, criticou o envio de castanhas extraídas em municípios rondonienses para beneficiamento na Bolívia e apontou problemas de armazenamento de milho no estado.
O pré-candidato também questionou promessas de contratação de policiais sem estudos sobre a proporção ideal entre efetivo e população. "Passou o tempo da intuição, passou o tempo do achismo e é chegada a hora de levar a sério a política", declarou. Disse que governaria de maneira republicana, com diálogo com prefeitos, vereadores, parlamentares e o Governo Federal, independentemente de partidos, e afirmou que o crescimento econômico estadual não se traduz em progresso social, citando a posição de Rondônia em rankings sociais e os problemas de saneamento básico. "Eu não tenho grupo, eu não tenho família, eu tenho propósito para Rondônia", concluiu.
Luiz Carlos Teodoro transforma trajetória pessoal e atuação nos direitos humanos em eixo da apresentação
Luiz Carlos Teodoro, pré-candidato do PSOL, iniciou sua participação com um vídeo sobre sua história de vida, que recordou o trabalho como engraxate durante a infância para ajudar a família e o sonho, alimentado desde então, de se tornar advogado. Ao falar, identificou-se como advogado, informou ter presidido durante três anos a Comissão de Direitos Humanos da OAB em Rondônia e destacou sua condição de homem negro, de origem humilde, com trajetória marcada por desafios, fé e superação.
Teodoro procurou ampliar o conceito de direitos humanos para além da proteção das pessoas que estão no sistema carcerário. Segundo ele, direitos humanos também envolvem pacientes deixados nos corredores de hospitais, povos indígenas, pessoas negras, pessoas com deficiência, idosos, mulheres vítimas de violência e famílias que lutam por moradia. O próximo governo, afirmou, precisará ter um olhar humano.
O pré-candidato relatou casos acompanhados na comissão da OAB de pacientes que recorreram à Justiça para conseguir medicamentos ou cirurgias. Segundo ele, decisões de primeira instância determinavam que o Estado realizasse o procedimento, mas a Procuradoria recorria e, em alguns casos, depois de meses ou anos de tramitação, as famílias recebiam a notícia de que a decisão havia sido mantida quando o paciente já tinha morrido. "Saúde não é favor. Saúde é um direito e é um dever do Estado", declarou. A proposta mais direta apresentada na área foi orientar os procuradores estaduais a não recorrerem de decisões judiciais de primeira instância que determinem procedimentos médicos ou fornecimento de medicamentos. "A partir do momento que tem uma decisão judicial, o Estado já está respaldado. Um governo humano orienta os seus procuradores: não recorra, faça a cirurgia, compre o medicamento. Não precisa deixar o povo morrer", afirmou.
Teodoro também relatou a atuação da comissão no caso do jornalista William do Tempo, preso preventivamente depois dos acontecimentos de 8 de janeiro. Segundo ele, diante da informação de que o jornalista tinha câncer, elaborou relatório com fundamentos jurídicos encaminhado ao presidente da OAB em Rondônia, Márcio Nogueira, posteriormente considerado em parecer da Procuradoria-Geral da República, e o ministro Alexandre de Moraes concedeu prisão domiciliar. O pré-candidato utilizou o caso para sustentar que sua atuação não é determinada por posicionamentos ideológicos. "Nós não olhamos direita, nós não olhamos esquerda. Nós olhamos o direito das pessoas", afirmou.
Na área de moradia, relatou a atuação em favor de aproximadamente 120 famílias que ocupavam uma área na região da Estrada da Coca-Cola, no bairro Areia Branca, em Porto Velho, contra as quais a Prefeitura havia ingressado com ação de retirada e demolição, suspensa por decisão judicial. Teodoro afirmou que a administração municipal não apresentou solução imediata de moradia e mencionou que o aluguel social seria de R$ 240 mensais. "Quem paga um aluguel com R$ 240 por mês?", questionou, comparando o tratamento dado às famílias com a destinação de parte da mesma área para uma associação ligada a policiais militares e bombeiros. "Por que para uns pode e para outros não?", perguntou.
Na segurança pública, disse que Rondônia precisaria de aproximadamente 8,7 mil policiais, mas possuiria cerca de 4,7 mil, com aproximadamente 700 em serviço, em determinado plantão, para atender os 52 municípios, e cidades com apenas três policiais para a área urbana e a zona rural. Defendeu concursos para a Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e sistema socioeducativo e o retorno às ruas de policiais lotados no Palácio Rio Madeira e em funções administrativas. Criticou os plantões extras pagos pelo Estado e a atividade delegada criada pela Prefeitura de Porto Velho, que na avaliação dele utilizam a folga de um efetivo já reduzido em vez de contratar novos servidores. "As pessoas não querem sensação de segurança. As pessoas querem segurança", afirmou. Também criticou a concentração do registro de ocorrências em Porto Velho, com moradores percorrendo longas distâncias até a Central de Flagrantes.
Na saúde, elogiou os profissionais e as especialidades do Hospital João Paulo II, mas criticou a estrutura física da unidade. Em uma das comparações mais incomuns do encontro, afirmou que, caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofresse um atentado em Rondônia, seria encaminhado à unidade porque nenhum hospital particular do estado teria o mesmo conjunto de especialidades. "Se o Trump chegar agora em Rondônia e sofrer um atentado, ele vai lá para o João Paulo", afirmou. Defendeu a locação de prédios para extensões provisórias da rede hospitalar enquanto um novo hospital de urgência e emergência não fosse construído, citando o imóvel anteriormente utilizado pela Uniron, e posicionou-se contra a terceirização dos serviços e pela valorização dos servidores concursados.
Na energia elétrica, propôs utilizar recursos recebidos pelo Estado como compensação pela geração de energia para subsidiar diretamente as contas dos consumidores. No exemplo apresentado, uma família incluída no Cadastro Único que recebesse uma conta de R$ 200 pagaria R$ 100, com o governo assumindo o restante, e outros consumidores e empresários também receberiam percentuais de abatimento. Teodoro afirmou que Rondônia produz energia, mas enfrenta uma das tarifas mais altas do país. "Nós não temos compromisso com a elite. O nosso compromisso é com o povo", declarou ao final.
Expedito Netto usa experiência na Câmara Federal e alinhamento com Lula para apresentar pré-candidatura
Ex-deputado federal por Rondônia, Expedito Netto chegou ao encontro como pré-candidato do PT e utilizou sua passagem pela Câmara dos Deputados para situar suas posições políticas. Recordou votos assumidos durante os mandatos e afirmou ter se colocado ao lado dos trabalhadores e das minorias, mencionando as reformas trabalhista e previdenciária e as privatizações como temas nos quais teria mantido posição diferente da maioria da bancada de Rondônia.
Expedito apresentou abertamente seu alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o Partido dos Trabalhadores, procurando sustentar, ao mesmo tempo, que o apoio ao governo federal não significaria adesão à lógica de conflitos pessoais entre eleitores de Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro. Afirmou que muitas obras realizadas nos municípios rondonienses possuem participação financeira da União, ainda que nem sempre a população reconheça a origem dos recursos, e que o Governo Federal retomou investimentos no estado.
Ao tratar da representação de Rondônia em Brasília, fez uma das críticas mais fortes do encontro. "Nós tivemos a pior bancada federal da história de Rondônia. Porque hoje só se fala em Bolsonaro e Lula. Só. É um teatro", declarou. Segundo ele, a polarização desvia a atenção de questões concretas, como geração de renda, investimentos, segurança pública, infraestrutura e serviços municipais, e representantes eleitos deveriam mostrar resultados em vez de alimentar conflitos capazes de provocar rompimentos entre amigos e familiares. O pré-candidato afirmou que respeita quem vota de maneira diferente e pediu que as escolhas eleitorais sejam discutidas no campo das propostas.
Na segurança pública, questionou o discurso de defesa de armas quando não há concursos e efetivo suficiente nas ruas, citando a falta de policiais civis para manter delegacias em funcionamento. "Não adianta defender arma quando, na verdade, não coloca à disposição da população policiais que estejam lá para trabalhar", disse.
Expedito também dirigiu críticas ao senador Marcos Rogério ao tratar da concessão da BR-364 e da atuação parlamentar perante órgãos federais, perguntando quem teria visto o senador levar o presidente da Agência Nacional de Transportes Terrestres a Rondônia para acompanhar obras ou participar de audiência pública. Afirmou que políticos que dizem não poder interferir em decisões do Governo Federal mantêm indicações em órgãos e influência sobre contratos e estruturas administrativas, e que autoridades ligadas à direita indicaram ocupantes de cargos no governo anterior.
Na área econômica, defendeu o fortalecimento da agricultura familiar, a recuperação da assistência técnica rural e uma estrutura estadual capaz de levar conhecimento e tecnologia ao pequeno produtor. Para Expedito, o crescimento do agronegócio precisa resultar em melhoria efetiva da educação, da saúde e das condições de trabalho, e o governo deve atuar em parceria com os municípios e utilizar a proximidade política com o Governo Federal para ampliar investimentos no estado.
Hildon Chaves apresenta oito anos à frente de Porto Velho como teste de capacidade administrativa
Ex-prefeito de Porto Velho por dois mandatos consecutivos, Hildon Chaves, do União Brasil, estruturou sua apresentação a partir da experiência acumulada durante oito anos no comando da capital, exibindo números, obras e programas que atribuiu à própria administração. Promotor de Justiça antes de ingressar na política eleitoral, procurou construir a imagem de gestor acostumado a administrar grandes orçamentos, comparando o Governo de Rondônia à maior empresa do estado, com orçamento superior a R$ 20 bilhões.
O pré-candidato sustentou que a experiência anterior precisa ser considerada pelo eleitor e que a escolha de um governador não deveria ocorrer apenas por afinidade ideológica ou discurso de campanha, mas pela análise do currículo, da formação e das entregas de cada concorrente. Segundo Hildon, uma administração pública depende de dois pilares: combate à corrupção e qualidade da gestão. "Sem isso, qualquer administração vai à falência", afirmou.
Na saúde, destacou a atuação de Porto Velho durante a pandemia de Covid-19, com cobertura vacinal superior a 97%, e comparou o número de mortes ocorrido em Cacoal com o de Ji-Paraná, afirmando que a diferença demonstraria que algo não teria funcionado adequadamente na condução local da crise sanitária. Citou ainda a reativação do barco-hospital para atender comunidades ribeirinhas, argumentando que administrar a capital exige atender tanto a área urbana quanto populações localizadas a várias horas de barco.
Na educação, mencionou capacitação de servidores, o programa Faculdade da Prefeitura, que criou oportunidades de acesso ao ensino superior para trabalhadores municipais, e a melhoria no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Em infraestrutura, declarou que sua administração executou mais de 800 quilômetros de pavimentação e recapeamento, aproximadamente metade em recuperação de vias e metade em implantação de asfalto novo, e atribuiu à sua gestão a conclusão dos viadutos da BR-364 em Porto Velho, estruturas que permaneceram inacabadas por mais de uma década e que, segundo ele, exigiram que o prefeito deixasse o gabinete e fosse a Brasília buscar uma solução. Mencionou ainda ações de regularização fundiária, com entrega de documentos definitivos a famílias.
Na área econômica, afirmou que mais de 30 mil empresas foram abertas em Porto Velho durante seus dois mandatos e que a cidade recebeu mais de R$ 2 bilhões em investimentos privados, resultados apresentados como demonstração de que teria condições de administrar o Estado. Hildon pediu que os eleitores pesquisem a trajetória, as qualificações e as entregas de cada pré-candidato antes de votar, comparando a disputa pelo governo a um processo de seleção para uma função de alta responsabilidade.
Marcos Rogério relembra origem rural e trajetória de vereador a senador antes de expor propostas
Marcos Rogério, do PL, recebeu apresentação formal do cerimonial, que o anunciou como natural de Ji-Paraná, nascido na região da Linha 86, dentro do Projeto Riachuelo, jornalista, bacharel em Direito e mestre em Administração Pública, com mandatos anteriores de vereador e deputado federal antes de chegar ao Senado. Durante o anúncio, foi mencionado o volume de R$ 1,5 bilhão em investimentos destinados aos 52 municípios de Rondônia, atribuído à atuação parlamentar do senador.
Ao iniciar a própria fala, retomou a origem rural e relatou dificuldades vividas por sua família em uma época na qual propriedades do interior não possuíam energia elétrica e o rádio era uma das poucas fontes de informação, trajetória que utilizou para afirmar que conhece as limitações enfrentadas pela população distante dos grandes centros.
Na saúde, utilizou a palavra medo para descrever a reação de pacientes do interior encaminhados ao Hospital João Paulo II. "Se um paciente aqui da cidade de Cacoal foi encaminhado para o João Paulo II, bate o desespero, o coração acelera, pulsa mais forte. Tem medo do João Paulo II", declarou. Defendeu a construção de um novo hospital estadual de urgência e emergência em Porto Velho, afirmando que métodos construtivos modernos permitiriam erguer a estrutura em aproximadamente seis meses, e citou o Hospital de Amor como referência, perguntando por que uma instituição consegue construir rapidamente enquanto o Estado não obtém o mesmo resultado.
Além da nova unidade, propôs reorganizar a regulação e descentralizar procedimentos para hospitais municipais que possuem centros cirúrgicos. Na avaliação do pré-candidato, parte da estrutura existente no interior permanece subutilizada porque os valores pagos pelo Sistema Único de Saúde não atraem especialistas. A solução apresentada foi criar uma tabela SUS rondoniense, pela qual o Estado complementaria os valores pagos pelos procedimentos, permitindo que cirurgias fossem realizadas mais perto da residência dos pacientes e reduzindo o transporte para Porto Velho.
Marcos Rogério afirmou ainda que a regulação estadual não possui um sistema informatizado adequado e dependeria de telefonemas entre servidores, desorganização que facilitaria o envio de pacientes para a capital, pressionando o João Paulo II e o Hospital de Base. Declarou que o Hospital de Base poderia realizar cerca de três mil cirurgias por mês, mas estaria fazendo aproximadamente 600, diferença que classificou como negação de atendimento decorrente de falhas de gestão. Outra proposta foi ampliar o uso de unidades móveis, com carretas e estruturas itinerantes para levar exames e atendimentos especializados aos municípios e identificar doenças antes que os casos se agravem.
Na segurança pública, descreveu o avanço de facções criminosas como uma ameaça ao estado e defendeu valorização, equipamentos, inteligência e reforço das forças policiais, afirmando que a população precisa voltar a ter confiança na capacidade do Estado de proteger as famílias. O pré-candidato também apresentou a integração de regiões por meio do asfaltamento como condição para o desenvolvimento econômico, defendendo a retomada de obras rodoviárias e a conexão de localidades isoladas ou dependentes de estradas precárias.
Adaílton Fúria apresenta trajetória de vereador, deputado e prefeito como prova de experiência
Adaílton Fúria, do PSD, iniciou sua apresentação recorrendo à sequência de cargos eletivos exercidos em Cacoal e no Estado de Rondônia. Advogado, foi vereador, deputado estadual e prefeito do município, com reeleição para o Executivo municipal, passagem pelos poderes Legislativo e Executivo que utilizou como argumento de que conhece tanto a formulação de leis quanto a execução direta de políticas públicas. Diante de vereadores de diferentes municípios, reforçou que iniciou a carreira política no cargo mais próximo da população.
A administração de Cacoal foi apresentada como principal demonstração de capacidade de gestão. Na saúde, mencionou a construção de um hospital de campanha durante a pandemia, a implantação de pronto-socorro infantil e a maternidade pública de Cacoal, que segundo ele alcançou mortalidade materna zero no período citado. Fúria afirmou que a chamada tabela SUS rondoniense, apresentada por outros participantes como proposta estadual, já seria utilizada pela Prefeitura de Cacoal, que paga uma diferença para tornar determinados procedimentos atrativos e evitar encaminhamentos para outras cidades. Destacou ainda a implantação do transporte público gratuito, denominado Tarifa Zero, apresentado como medida de inclusão social, além da criação do Centro do Autista, investimentos em pavimentação e o crescimento do orçamento municipal.
A crítica mais contundente foi dirigida ao pedágio da BR-364, cuja cobrança antecipada, sem a entrega imediata das melhorias prometidas, comparou ao funcionamento da Telexfree. "Vocês lembram da Telexfree? Você colocava um dinheirinho na esperança de o benefício chegar. Nós estamos todo dia colocando dinheiro naquelas praças de pedágio esperando o benefício chegar", afirmou. O pré-candidato declarou que o pedágio aumenta o preço dos produtos, reduz a renda das famílias e dificulta a geração de emprego, e que faltou representação política de peso durante as discussões realizadas no Senado para impedir a implantação da cobrança. Afirmou que havia parlamentares favoráveis à concessão, sem identificá-los nominalmente nesse trecho, disse que a BR-364 teria se tornado ainda mais perigosa depois das mudanças e criticou o início da cobrança antes da duplicação e de outras melhorias previstas.
Na energia elétrica, comparou Rondônia a um produtor que vende um alimento por R$ 1 e precisa recomprá-lo por R$ 5. Criticou a privatização da Eletrobras e mencionou um relatório parlamentar de 2021 que teria previsto redução nas tarifas. "Que dia, a fim de Deus, você pagou mais barato na energia? Se pagou, eu deixo minha campanha hoje e vou para casa", declarou. Acusou a existência de lobby empresarial em Brasília, com empresas negociando votos e posições de parlamentares, sem apresentar durante a exposição nomes de companhias ou documentos específicos sobre a acusação. Para Fúria, o próximo governador precisará enfrentar o problema das tarifas e pressionar as instituições responsáveis pela regulação do setor.
Ao final, pediu que vereadores e apoiadores colocassem seu nome em orações, dizendo que a disputa envolve interesses financeiros e de poder e que existiria também uma batalha espiritual negativa capaz de desviar pessoas durante o caminho político.
Samuel Costa apresenta militância política e disposição para confrontar os demais projetos
Advogado e pré-candidato do PSB, Samuel Costa chegou ao encontro defendendo que a disputa de 2026 deveria produzir um confronto público de ideias, trajetórias e projetos políticos. Antes da apresentação oficial, em entrevista durante a transmissão, afirmou que o evento representava o primeiro espaço adequado para a exposição das diferenças entre os campos ideológicos e que pretendia apresentar propostas inovadoras, concretas e executáveis, com prioridade para as pessoas que mais dependem do poder público. Para explicar essa posição, comparou o papel do governador ao de um pai que dedica maior atenção ao filho que está doente, sem abandonar aquele que está saudável.
Ao ocupar o espaço destinado à exposição, adotou um tom mais confrontador que o dos participantes anteriores, afirmando que a trajetória de cada nome colocado na disputa precisava ser examinada e que políticos que já exerceram cargos relevantes deveriam explicar por que determinadas soluções não foram implementadas anteriormente.
A proposta de maior impacto econômico foi a criação de uma tributação específica sobre a soja exportada. Samuel afirmou que a isenção instituída décadas atrás teve importância para estimular a produção, mas que os grandes produtores enriqueceram e continuaram sem pagar ICMS sobre as exportações. Segundo ele, a cobrança começaria em 2,5% e seria ampliada gradualmente até alcançar 10% em 2035, com o dinheiro formando um fundo soberano destinado ao combate às desigualdades sociais. O pré-candidato argumentou que os caminhões ligados ao escoamento da soja utilizam e deterioram rodovias federais, estaduais e estradas vicinais, enquanto pequenos produtores e consumidores sustentam a arrecadação, e que uma pessoa que compra um automóvel paga ICMS, enquanto grandes cargas de soja destinadas à exportação não recolhem o mesmo imposto. "Quem destrói a 429, a 425, a 364, a 319, as ROs e as estradas vicinais é essa turma", afirmou. Samuel também criticou a associação representativa dos produtores de soja, que segundo ele defenderia os interesses dos grandes produtores e não dos pequenos, e declarou ser aliado do agronegócio, mas com a posição de que um governo estadual deve priorizar a agricultura familiar.
Na saúde, criticou pré-candidatos que passaram anos em cargos públicos sem, segundo ele, adotar medidas suficientes para enfrentar a situação do Hospital João Paulo II. Citou um pré-candidato que teria atuado por aproximadamente duas décadas como promotor de Justiça na área da saúde e afirmou que ele não teria movido uma ação civil pública para denunciar o que chamou de matança exacerbada na unidade, sem mencionar o nome do destinatário nesse trecho. Também questionou o fato de um senador apresentar agora a construção de um hospital como solução: segundo seu cálculo, as emendas disponíveis durante oito anos de mandato poderiam ter somado aproximadamente R$ 1,2 bilhão, dinheiro suficiente, na avaliação dele, para construir quatro hospitais semelhantes ao João Paulo II.
Na segurança pública, propôs suspender contratos de locação de veículos e instaurar uma tomada de contas especial para verificar valores que classificou, sob sua perspectiva, como superfaturados, sem apresentar durante a fala os contratos específicos, as empresas envolvidas ou os valores individualizados. Os recursos economizados, afirmou, poderiam financiar gratificações para policiais e demais profissionais da segurança, evitando que servidores precisassem atuar à disposição de outros poderes ou depender de plantões extras. Também defendeu concursos públicos e a recomposição dos efetivos.
Na saúde, posicionou-se contra a terceirização das atividades-fim, defendendo concursos para médicos, enfermeiros e equipes técnicas e admitindo a análise de terceirização apenas para atividades-meio e serviços complementares, sob o argumento de que a transferência da atividade principal para empresas privadas pode ampliar os custos e reduzir a capacidade de controle do Estado.
Na educação, propôs adotar políticas inspiradas no Ceará, com continuidade administrativa independentemente da mudança de governo, ensino em tempo integral, educação bilíngue e programas de permanência escolar. Segundo Samuel, mais de 20 mil crianças e adolescentes estariam fora das salas de aula e vulneráveis ao recrutamento por organizações criminosas, e programas sociais destinados às famílias seriam uma forma de combater a evasão escolar. Também propôs o fortalecimento dos Centros de Atenção Psicossocial, atendimento a crianças neurodivergentes, proteção à população idosa e ampliação da rede de combate à violência contra a mulher, afirmando que Rondônia não possui uma delegacia especializada em funcionamento durante 24 horas e criticando discursos de defesa da família que não sejam acompanhados de políticas públicas.
O pré-candidato reconheceu como positivas iniciativas do atual governo, entre elas o Prato Fácil e o Tchau Poeira, e disse que programas bem-sucedidos devem continuar, os que apresentam falhas precisam ser ampliados ou corrigidos e os que não produziram resultado devem ser substituídos.
Convergências e primeiras linhas de confronto
Embora os sete pré-candidatos tenham apresentado identidades políticas distintas, as exposições revelaram convergência em alguns diagnósticos. Todos trataram a saúde como problema central, com atenção especial ao Hospital João Paulo II, às filas por cirurgias e à concentração dos atendimentos em Porto Velho. A insuficiência do efetivo policial, o avanço do crime organizado, as condições da BR-364, o custo da energia elétrica, a necessidade de industrialização e a valorização da agricultura familiar também apareceram repetidamente.
As diferenças ficaram mais evidentes na forma de financiar as propostas e no grau de responsabilidade atribuído aos atuais ocupantes de cargos públicos. Pedro Abib defendeu crescimento econômico, industrialização e planejamento baseado em dados. Luiz Carlos Teodoro apresentou o uso de compensações relacionadas à energia para subsidiar contas e defendeu que o Estado evite recursos judiciais em determinados processos de saúde. Expedito Netto vinculou sua pré-candidatura ao Governo Lula, criticou a polarização política e classificou a representação federal de Rondônia como a pior da história. Hildon Chaves apresentou os resultados dos oito anos à frente de Porto Velho como demonstração de capacidade administrativa. Marcos Rogério apostou na descentralização dos procedimentos, na criação de uma tabela SUS rondoniense e na construção de um novo hospital de urgência e emergência. Adaílton Fúria utilizou a experiência administrativa de Cacoal e confrontou decisões relacionadas ao pedágio da BR-364 e à energia elétrica. Samuel Costa propôs a tributação escalonada das exportações de soja e questionou o que os demais pré-candidatos fizeram durante os cargos que ocuparam.
Sem debate direto e ainda antes das convenções partidárias, o encontro não produziu candidaturas oficialmente registradas nem programas definitivos de governo. As apresentações, entretanto, anteciparam os temas, discursos, propostas e confrontos que deverão acompanhar a disputa pelo Governo de Rondônia em 2026.



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