PORTO VELHO, RO - O candidato ao Senado pelo PSD Luis Fernando afirmou, durante entrevista ao podcast Resenha Política, conduzido por Robson Oliveira em parceria com o Rondônia Dinâmica, que a reforma tributária pode retirar de Rondônia instrumentos usados atualmente para atrair empresas e investimentos. Segundo ele, a mudança simplifica regras e aumenta a transparência na cobrança de impostos, mas também elimina benefícios fiscais utilizados por estados distantes dos grandes mercados consumidores.
“Mas ele tem um componente perigosíssimo para os estados menos desenvolvidos”, declarou. Na avaliação apresentada pelo candidato, o fim desses benefícios pode fazer com que empresas priorizem regiões mais próximas de matérias-primas ou dos grandes centros consumidores. Luis Fernando afirmou que o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional foi criado para reduzir diferenças entre regiões, mas criticou o critério de distribuição baseado, em parte, na população.
Ele disse que Rondônia precisa atuar na regulamentação que ainda será feita e citou a área de livre comércio de Guajará-Mirim como um dos instrumentos que podem ser usados para atrair indústrias. Segundo Luis Fernando, a definição do que será considerado matéria-prima regional terá impacto sobre as empresas que poderão receber incentivos. “Esse fundo precisa ser bem utilizado”, afirmou.
Ao explicar o perfil que pretende levar ao Senado, Luis Fernando disse defender uma atuação de diálogo e conciliação entre interesses diferentes. Afirmou que o papel da Casa passa por reduzir desigualdades regionais e dar aos estados menos populosos capacidade de participar das decisões nacionais. “É preciso encontrar o caminho do meio. É preciso encontrar um ponto de convergência entre os diferentes interesses que existem lá”, declarou.
A infraestrutura também ocupou parte da entrevista. O candidato defendeu que Rondônia não dependa apenas de rodovias e inclua ferrovias e hidrovias na discussão sobre transporte e escoamento da produção. Ao falar sobre a hidrovia do Madeira, afirmou que existe risco de repetição de problemas que, segundo ele, ocorreram na concessão da BR-364.
Luis Fernando também mencionou a necessidade de ampliar a estrutura para uma rota de integração com países vizinhos e com o Pacífico. Citou funcionamento de aduana durante 24 horas, disponibilidade de energia elétrica para indústrias, estradas, portos, porto seco e aeroporto. Para ele, o orçamento federal precisa direcionar mais investimentos em infraestrutura para Rondônia. “A gente tem que mudar essa lógica”, disse.
Na parte da entrevista dedicada às finanças estaduais, o candidato respondeu ao questionamento sobre ter deixado o Estado próximo de uma situação de quebra. Disse que relatórios do Tribunal de Contas apontam riscos, mas sustentou que Rondônia mantém capacidade de pagar compromissos e baixo endividamento. “Risco não é fato concretizado, é risco”, declarou.
Luis Fernando reconheceu que as despesas cresceram em ritmo superior ao das receitas nos últimos anos, mas afirmou que as receitas continuam maiores que os gastos. Também citou como pontos de atenção o crescimento das despesas previdenciárias e a situação da Caerd.
Questionado sobre o leilão do saneamento ocorrer no fim do governo e no período eleitoral, defendeu a decisão de Marcos Rocha de manter o processo. Segundo ele, adiar o tema seria politicamente mais simples. O candidato afirmou que o modelo prevê R$ 8 bilhões em investimentos e busca ampliar o saneamento no Estado.
A candidatura ao Senado, segundo Luis Fernando, não fazia parte de seu projeto político inicial. Ele afirmou que o convite partiu de Marcos Rocha. “E o governador Marcos Rocha, sem dúvida, é um grande incentivador, foi ele que fez o convite”, disse. Luis Fernando também afirmou que o governador participaria de sua campanha nas semanas finais da eleição.


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