Prof. Herbert Lins – MTE 1143
O galo cantou: Fúria nega aliados, enquanto a eleição esquenta nos debates.
CARO LEITOR, não preciso recorrer à arrogância ou ao pedantismo para dizer que sou jornalista há décadas, que conheço pesquisas, planejamento de campanhas e sei identificar quando uma candidatura começa a errar a rota. Experiência não precisa de megafone, currículo não precisa de trombeta e conhecimento não precisa ser anunciado aos quatro ventos. Ele se prova na prática. Da mesma forma, não preciso me autoproclamar “o único cientista político de Rondônia” por notório saber, sobretudo quando tamanha distinção não encontra respaldo sequer em um currículo que ultrapasse, ao que parece, os limites do ensino médio. No jogo eleitoral, vaidade não substitui método, título não garante acerto e superioridade anunciada não transforma opinião em ciência. Quem realmente conhece os meandros de uma campanha não precisa transformar o próprio currículo em carro de som. Experiência se demonstra trabalhando, analisando e acertando, não fazendo propaganda de si mesmo.
Autoridade
No jogo eleitoral, falar difícil não transforma opinião em ciência, arrogância não confere autoridade e empáfia não produz conhecimento. Quem realmente domina o assunto não precisa vestir a fantasia da superioridade: os fatos, cedo ou tarde, desmentem a pose.
Movimentou
Bruno Bolsonaro Scheid (PL) esteve ontem (21) em Nova Mamoré e Guajará-Mirim, onde realizou caminhadas e conversou com moradores. A passagem movimentou o cenário político local e sinalizou a disposição do candidato de ampliar sua presença eleitoral na Região de Fronteira.
Conexão
Em entrevistas, Bruno Scheid (PL) reafirmou suas bandeiras: combate ao STF, regularização fundiária, legalização do garimpo e defesa da BR-080. A proposta, segundo ele, é viabilizar a pavimentação da RO-420, a Linha D, ampliando a conexão regional.
Intensifica
Mariana Carvalho (Republicanos) intensifica a campanha em Porto Velho e pede a volta de um senador da capital. O último senador da capital foi Fátima Cleide (PT), eleita em 2002 na onda Lula. Hoje, os três senadores são do interior.
Estratégia
Com recall eleitoral, Mariana Carvalho (Republicanos) vem “comendo pelas beiradas”, ampliando presença nas ruas e buscando votos na capital e no interior. A estratégia é clara: chegar à urna com força suficiente para transformar presença em voto.
Coerência
Porto Velho ter um senador não significa bairrismo; é uma questão de coerência política. Com três vagas no Senado, a presença da capital ajuda a equilibrar as forças entre as regiões e amplia a diversidade dos interesses de Rondônia no Congresso Nacional.
Divisões
Falando em coerência, é perceptível a presença da esquerda na campanha de Luciana Oliveira (PT) ao Senado, mas há divisão sobre o segundo voto: parte pede Neidinha Suruí (PSB), enquanto outra defende Silvia Cristina (PP).
Tabuleiro
Silvia Cristina (PP), além de avançar sobre Acir Gurgacz (PDT) em Ji-Paraná, também ganha espaço entre eleitores de esquerda. É um movimento que pode mexer no tabuleiro da disputa pelas duas vagas ao Senado.
Dominou
Na coluna de ontem (21), escrevi que os debates da SIC (Record) e da Rede Amazônica (Globo) ganhariam peso entre indecisos e eleitores voláteis. Não deu outra: o debate da SIC TV dominou as redes, com cortes e reações ao confronto entre os candidatos a governadores.
Lembrando
No debate da SIC TV, Samuel Costa (PSB) abriu o confronto lembrando ao adversário Adailton Fúria (PSD) que o ex-secretário de Saúde Coronel Jeferson (PRD) é candidato a deputado federal pela sua coligação. E perguntou se Jeferson voltaria ao governo em eventual vitória.
Negou
Fúria foi direto: afirmou que nem Coronel Jeferson nem o governador Coronel Marcos Rocha (PSD) terão espaço em seu eventual governo. A declaração rendeu uma comparação bíblica com Pedro, que negou Jesus três vezes antes de o galo cantar. Na política, o galo já cantou.
Incendiou
O ponto alto do debate foi a troca de farpas entre Samuel Costa (PSB) e Expedito Netto (PT). Samuel foi ácido ao cutucar o adversário pela reprovação no exame da OAB e ironizar sua trajetória profissional, questionando como alguém pode estar no PT sem nunca ter trabalhado. A provocação incendiou as redes sociais.
Desafiou
Em outro momento, Samuel Costa (PSB) desafiou Expedito Netto (PT) a realizar exame toxicológico e desistiria da disputa, após Netto fazer acusações relacionadas a uma suposta denúncia de abuso sexual. Netto não aceitou o desafio, e o episódio elevou a tensão do debate e repercutiu nas redes sociais.
Jogo
Expedito Netto (PT) poderia ter devolvido a provocação na mesma moeda: “Então, Samuel, você vai desistir da candidatura? Vou tirar a gota de sangue que tanto quer”. Curta, irônica e certeira, seria uma resposta capaz de virar o jogo naquele momento.
Confronto
O episódio, porém, terminou sem essa resposta. Em vez de propostas, o confronto mergulhou em acusações pessoais e ganhou as redes sociais. Debate eleitoral também é estratégia: às vezes, uma frase perdida pesa mais que minutos de discurso.
Cavalinho
No debate da SIC TV, Pedro Abib (MDB) afirmou que Adailton Fúria (PSD) “dá cavalinho de pau”, mas acrescentou que não sabia que também era “cara de pau”. A expressão foi usada ao criticar a solução adotada na saúde de Cacoal.
Hospital
Abib (MDB) questionou a decisão de alugar, por inexigibilidade, o antigo prédio da Facimed para abrigar o novo Hospital Municipal de Cacoal inaugurado ao final da gestão Fúria. O imóvel foi locado por R$ 80 mil mensais, em contrato de 60 meses, totalizando R$ 4,8 milhões, antes dos reajustes.
Ralo
Na sequência, Abib (MDB) afirmou que Cacoal já possuía um complexo hospitalar que recebeu recursos federais e teria consumido R$ 19 milhões. Segundo ele, o investimento foi abandonado na gestão de Fúria e o dinheiro acabou “no ralo, no lixo”, enquanto a prefeitura optou pela locação.
Discussão
O ataque ganhou peso político porque o prédio alugado pertence à Cacoal Business, que tem entre seus sócios o ex-prefeito Divino Cardoso Campos. A locação, firmada por inexigibilidade, tornou-se inclusive objeto de discussão em ação civil pública.
Defensiva
Adailton Fúria (PSD) passou boa parte do debate da SIC TV na defensiva, respondendo aos ataques sobre sua gestão à frente da Prefeitura de Cacoal. A cada cobrança, uma nova frente de desgaste era aberta no palco e nas redes sociais.
Pandora
A “caixa de Pandora” da gestão de Cacoal foi aberta durante o debate, obrigando Fúria (PSD) a gastar tempo justificando decisões do passado. No saldo político da noite, sua performance deixou a impressão de que saiu mais pressionado que os adversários.
Melhorou
Hildon Chaves (União) melhorou sua performance no debate da SIC TV em relação às participações anteriores. O “tiozão” da campanha mostrou disposição e presença, afastando, no palco, as especulações que vinham cercando sua saúde.
Jogou
Marcos Rogério (PL) foi propositivo, mas jogou na defensiva no debate da SIC TV. Ao priorizar a resposta aos adversários, deixou de usar o palco para apresentar uma visão mais clara de futuro, ampliar sua agenda e transformar o debate em instrumento de afirmação de uma candidatura capaz de buscar a vitória no primeiro turno.
Loira
A vereadora Sofia Andrade (PL) vem ampliando sua presença na disputa por uma vaga na Câmara Federal. A “loira do Iata” começa a ganhar musculatura eleitoral e pode mexer no espaço de Coronel Chrisóstomo (PL) na urna em Guajará-Mirim e Nova Mamoré.
Ampliando
A vereadora Córdelia (PDT) vem ampliando sua presença na disputa por uma vaga na Câmara Federal. Com atuação combativa e presença política em Guajará-Mirim, a parlamentar desponta entre os nomes com potencial para liderar a votação local.
Madrinha
A deputada Ieda Chaves (União) construiu um mandato de participação e presença, com atuação em defesa das mulheres, idosos, pessoas especiais e na causa animal. Na capital e no interior, se tornou a madrinha da pesca esportiva.
Fortalece
O vereador Dr. Breno Mendes (Avante) amplia sua articulação no interior na disputa pela Assembleia Legislativa. O apoio declarado pelo ex-senador Valdir Raupp (MDB) agrega peso político à estratégia e fortalece sua presença eleitoral fora da capital.
Sério
Falando sério, entre debates quentes, alianças que rangem, candidatos na defensiva e outros ganhando terreno, a eleição vai deixando seus sinais. No fim, não é o discurso que decide a urna, mas a capacidade de errar menos.


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