O Irã disse, nesta quarta-feira (5), que chegou a um acordo com o Omã sobre a divisão e administração do Estreito de Ormuz e a rota de passagem de navios. Segundo o ministério de Relações Exteriores do país, os negociadores das duas partes estão finalizando os detalhes da administração conjunta da passagem e do controle do tráfego de embarcações.
"As coordenadas geográficas da rota proposta pelos dois países já foram definidas. Se não houver interferência de terceiros, a declaração conjunta, que reunirá os principais pontos de consenso e as considerações acordadas, também está em fase final de revisão e redação", disse o porta-voz Esmaeil Baqaei.
Baghaei acrescentou, porém, que um eventual acordo entre Irã e Omã não seria suficiente, por si só, para garantir a segurança na passagem marítima. O impasse segue ligado ao bloqueio americano a portos iranianos e à oposição dos Estados Unidos a pedágios ou autorizações iranianas.
A proposta prevê um novo arranjo para o trânsito de navios, diferente das rotas usadas antes da guerra. As embarcações vão entrar no Golfo Pérsico por uma rota sob controle iraniano para, depois, sair por uma passagem controlada por Omã.
O Omã também propôs um mecanismo regional de gestão conjunta, com contribuições voluntárias de empresas de navegação para cobrir segurança, proteção ambiental e serviços de resgate.
Na mesma fala, o chanceler também negou que o Irã tivesse sessões de negociação com os Estados Unidos. A fala contraria as declarações mais recentes do governo de Donald Trump, que na última terça-feira (4) disse que há avanços nas tratativas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, mas ainda não há acordo fechado.
Outras negociações
Ao mesmo tempo, Trump manteve o tom de ameaça contra o Irã. Em entrevista à Fox News, disse que Ormuz será reaberto “muito em breve” ou que o Irã será “atingido com muita força”. O país persa tem negado qualquer negociação com os americanos.
Outros integrantes do governo americano também falaram em avanço. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que havia chance de um acordo “hoje ou amanhã” para reabrir o estreito e reduzir a tensão no conflito. Já o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que houve progresso nas conversas envolvendo os páises do golfo, mas disse que ainda não havia uma conclusão.
Washington, porém, mantém a posição de que a passagem deve continuar aberta à navegação internacional. O Comando Central dos EUA disse que a rota sul de Ormuz, em águas de Omã, permanece “livre e aberta” e afirmou ter ajudado mais de mil embarcações a cruzar a região.


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