Quase todas as cerca de 50 mil pessoas que entraram em Ceuta, cidade autônoma da Espanha no norte da África, na última quinta-feira (30), já retornaram ao Marrocos, segundo autoridades espanholas. No entanto, quem decidiu permanecer no local, segue sofrendo com a lotação do abrigo de acolhimento de imigrantes.
Nesta segunda-feira (3), a agência de notícias Reuters registrou dezenas de homens dormindo ao relento, em uma praia isolada de Ceuta, onde a polícia delimitou uma área da faixa de areia e mantém o grupo sob vigilância.
Um dia antes houve confronto entre policiais e alguns imigrantes, que não ficaram satisfeitos ao saber que teriam que permanecer em um local determinado e sob controle dos agentes.
Antes mesmo da grande invasão que ocorreu na semana passada, os imigrantes que haviam chegado a Ceuta nos dias anteriores já estavam sofrendo com a falta de ajuda e infraestrutura de apoio, causadas pela superlotação do abrigo de acolhimento local.
Sem local para dormir e com o comércio todo fechado, devido ao medo de saques, vários dos marroquinos que fizeram a travessia na quinta ficaram pouco mais de 24 horas no território espanhol e retornaram para casa.
No sábado (1º), a Reuters registrou centenas dos imigrantes sendo escoltados por militares até a fronteira, além da instalação de uma barreira flutuante no mar para evitar travessias ilegais pela água.
De acordo com o governo espanhol, 72 morreram ao tentar atravessar a nado.
Neste domingo (2), o representante do governo espanhol em Ceuta, Miguel Ángel Pérez, disse a jornalistas no domingo que, além das 72 mortes, mais de mil pessoas receberam atendimento dos serviços de saúde.
Segundo ele, a situação no enclave melhorou consideravelmente, mas ainda há muito a ser feito para restabelecer a normalidade.
Em um comunicado, também no domingo, o Ministério do Interior do Marrocos atribuiu o fluxo migratório à desinformação nas redes sociais, às redes de tráfico humano e à má interpretação de uma decisão espanhola que proíbe o retorno imediato de migrantes interceptados no mar.
A declaração também reiterou o compromisso do país em combater a migração ilegal e apelou para que o ônus da gestão migratória seja compartilhado.
Ceuta é uma cidade autônoma da Espanha localizada no norte da África. Junto com Melilla, é um dos únicos territórios da União Europeia que fazem fronteira terrestre com a África.
A cidade fica na costa do Mar Mediterrâneo, em frente ao Estreito de Gibraltar. Apesar de pertencer à Espanha há séculos, o Marrocos reivindica a soberania sobre o território, o que gera atritos diplomáticos recorrentes.
Por fazer parte da Espanha, Ceuta também integra a União Europeia. Para muitos migrantes, entrar na cidade representa a primeira porta de acesso ao bloco europeu.


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