A suspensão ou redução do atendimento a beneficiários da Geap Saúde por hospitais de referência em pelo menos dez estados acendeu um alerta entre servidores públicos de Rondônia que utilizam o plano.
No estado, a rede indicada para atendimento hospitalar abrange unidades localizadas em Porto Velho, Cacoal, Ji-Paraná e Vilhena. Até o momento, porém, não há confirmação de que os hospitais rondonienses tenham interrompido os serviços prestados aos usuários da operadora.
O temor de beneficiários ocorre após instituições como Rede D’Or, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Beneficência Portuguesa de São Paulo e unidades ligadas ao Grupo Fleury suspenderem, encerrarem ou limitarem atendimentos.
Os prestadores alegam atrasos nos repasses, crescimento das glosas hospitalares — recusas totais ou parciais de pagamentos de procedimentos — e divergências contratuais com a operadora.
O que é a Geap
A Geap é uma operadora de planos de saúde na modalidade de autogestão multipatrocinada e sem fins lucrativos. Criada em 1945, atua principalmente no atendimento a servidores públicos ativos e aposentados, ocupantes de cargos públicos e seus familiares.
O acesso ocorre por meio de convênios firmados com órgãos da administração pública. A lista de possíveis beneficiários inclui servidores da administração federal direta, autarquias e fundações, além de integrantes de órgãos estaduais e municipais conveniados.
Segundo a própria operadora, a Geap possui presença nacional e uma rede com mais de 17 mil prestadores, entre hospitais, clínicas, laboratórios, médicos e profissionais de odontologia. A disponibilidade dos serviços, entretanto, varia conforme o plano contratado, a região e as atualizações do credenciamento.
Rede D’Or cita dívida superior a R$ 200 milhões
A situação ganhou repercussão nacional depois de a Rede D’Or informar que suspendeu os atendimentos da Geap em 28 unidades e realizou o descredenciamento da operadora em outras seis.
De acordo com o grupo hospitalar, existem mais de R$ 200 milhões em pagamentos em aberto. A instituição afirma que a inadimplência ocorre desde janeiro de 2025 e que o valor não inclui todas as glosas ainda discutidas entre as partes.
O Hospital das Clínicas da USP também informou que enfrentava pagamentos parciais de faturas vencidas, descontos não previstos nos contratos e glosas consideradas indevidas.
Os atendimentos mantidos por meio da Fundação Faculdade de Medicina foram suspensos em junho de 2026. No caso da Fundação Zerbini, o contrato foi rescindido por justa causa e uma ação judicial foi apresentada para cobrança dos valores considerados devidos.
Na Beneficência Portuguesa de São Paulo, o atendimento teria ficado restrito aos usuários transferidos para a carteira da Unimed.
Reclamações e recusas aumentaram
Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar citados na reportagem que revelou o caso mostram que o percentual de recusas de pagamento da Geap aumentou de 5,8% para mais de 14% entre os dois semestres analisados. A média do setor ficou próxima de 6,5%.
Também houve crescimento das queixas registradas por beneficiários. No Reclame Aqui, a operadora chegou a contabilizar 666 reclamações em maio e outras 392 em junho, volume superior às cerca de 50 a 60 manifestações mensais registradas até o começo de 2025.
Entre as reclamações publicadas anteriormente por usuários de Porto Velho estão relatos de dificuldades para encontrar atendimento pediátrico de emergência e determinados especialistas. As manifestações individuais, contudo, não comprovam que toda a rede tenha sido suspensa no estado.
Geap nega problemas financeiros
A Geap negou enfrentar dificuldades financeiras e afirmou que sua situação econômica é consistente.
Segundo a operadora, sua carteira cresceu de aproximadamente 270 mil para 420 mil beneficiários nos últimos três anos. A expansão teria exigido ajustes e substituições na rede assistencial.
A entidade informou ainda que encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 47 milhões, depois de registrar prejuízo de R$ 175 milhões no mesmo período do ano anterior e perdas no resultado consolidado de 2025.
Sobre a Rede D’Or, a Geap declarou que alguns hospitais continuam atendendo e que unidades retiradas da rede foram substituídas por outros prestadores que considera de perfil igual ou superior.
A operadora também informou ter firmado parcerias com Unimed, Hapvida e Amil para ampliar a oferta de médicos, hospitais e clínicas aos seus beneficiários.
Não houve, nas informações apresentadas até o momento, confirmação de suspensão generalizada dos atendimentos da Geap em Rondônia. O cenário nacional, entretanto, aumenta a preocupação de servidores e familiares que dependem da continuidade da assistência, especialmente em casos de tratamentos prolongados, cirurgias programadas e acompanhamento de doenças crônicas.


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