A temporada de incêndios florestais que assola a Europa já é a maior da história da França e da Espanha, e as novas ondas de calor previstas para esta semana mantêm as autoridades em alerta.
Após duas semanas de incêndios em áreas rurais, florestais e urbanas, a Espanha já perdeu mais de 150 mil hectares de vegetação para as chamas, segundo o governo.
Na França, os incêndios florestais já destruíram mais de 116 mil hectares desde o início do verão europeu de 2026.
O presidente da França, Emmanuel Macron, classificou a situação como uma das mais graves enfrentadas pelo país.
"A situação que enfrentamos hoje é a mais difícil de que se tem registro, a mais grave desde a Segunda Guerra Mundial", disse durante visita à região de Bordeaux. Segundo ele, os incêndios são "totalmente inéditos".
O avanço do fogo já obrigou cerca de 220 mil franceses a deixarem suas casas. Na Espanha, mais de 330 mil moradores foram evacuados desde o início da onda de incêndios.
As altas temperaturas voltaram a subir nesta quarta-feira (29), aumentando o risco de novos focos. Na Espanha, os termômetros devem chegar a 40°C em pelo menos seis regiões. Na França, a previsão é de até 42°C no sudoeste do país, onde ventos secos podem intensificar as chamas.
Especialistas afirmam que as mudanças climáticas agravaram a intensidade dos incêndios neste ano. "Entramos em uma era de incêndios que não podem ser controlados", afirmou Víctor Resco de Dios, professor de engenharia florestal e mudanças globais da Universidade de Lleida, na Espanha, em entrevista à CNN Internacional.
"São incêndios que queimam com a intensidade de várias bombas atômicas", acrescentou.
Segundo o professor de física da Universidade de São Paulo (USP), Emerson Júnior, tanto a detonação de uma bomba nuclear quanto um grande incêndio florestal liberam grandes quatidades de energia, o que gera a comparação de grandeza dos desastres.
Ainda asism, ele faz a distinção de que os incêndios se espalham por áreas grandes e emitem energia de forma contínua. Já as bombas emitem uma enorme quantidade de energia concentrada rapidamente em uma área relativamente pequena.
"Um incêndio que se espalhe por cerca de um quilômetro quadrado ao longo de aproximadamente uma hora pode liberar algo em torno de 10% da energia da bomba de Hiroshima. Se esse incêndio atingir uma área de cerca de 10 quilômetros quadrados, a energia total liberada pode se aproximar da energia liberada pelo explosivo", explica.
Moradores e bombeiros trabalham para combater incêndio florestal em Formariz, na província de Zamora, na Espanha, em 29 de julho de 2026 — Foto: Umit Bektas/Reuters
"Os turistas podem ir embora, mas aqui é nossa casa"
Apesar de uma melhora nas condições durante a noite, as autoridades francesas e espanholas alertam que os incêndios ainda estão longe de serem controlados. A nova onda de calor e os ventos previstos para esta semana podem favorecer o surgimento de novos focos e acelerar o avanço das chamas.
Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que as próximas horas seriam decisivas para conter os incêndios. Na França, o comandante dos bombeiros Matthieu Jomain afirmou que o maior incêndio, a oeste de Bordeaux, permanece estável, mas ainda não foi controlado.
"Neste momento, a situação está estável, mas o incêndio ainda não está sob controle", afirmou Jomain. "Continuamos vigilantes, é claro, hoje, considerando as condições meteorológicas previstas, com um novo aumento nas temperaturas e ventos mais fortes à tarde."


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