O Encontro dos Malaieiros no último final de semana reuniu em Pimenta Bueno famílias inteiras que combateram a malária em Rondônia nas décadas de 70 a 90. Pioneiros, servidores, velhos amigos que há anos não se viam. Muita prosa, memória e emoção no ar.
O evento teve a força de quem organiza de verdade — com Valtair Fontoura puxando a coordenação local e José G. Valério apoiando. Gente da região que conhece a história direitinho.
Estiveram lá nomes importantes, como Luizinho — vereador, ex-presidente da Câmara de Pimenta Bueno, figura que carrega anos de serviço na saúde e nas endemias — e Augusto Nunes Plaça, ex-prefeito e também ex-presidente da Câmara. Presenças que dizem muito sobre o peso do encontro.
Mas o momento que ficou foi outro.
Diante de todos, com o sentimento de que o trabalhador rondoniense está sem voz em Brasília, o nome de Almir José foi referendado como pré-candidato a Deputado Federal. Não foi surpresa — foi confirmação. Ele já vem percorrendo o estado, ouvindo a categoria, conscientizando quem ainda não entendeu o que está em jogo.
No discurso, Almir foi direto ao ponto sobre os sucanzeiros:
"Demos nosso suor, nosso trabalho, nosso sangue — e isso custou muitas vidas também."
E foi mais longe:
"Nós, sucanzeiros, demos nossa saúde para salvar todos do estado de Rondônia. Hoje, lutamos para salvar nossa própria vida."
Sobre o DDT, sem rodeios: a contaminação é real, a expectativa de vida da categoria está abaixo da média nacional. O Senado Federal já reconheceu o problema e a Câmara dos Deputados aprovou projeto obrigando o governo a custear assistência à saúde para quem teve contato com o DDT. Mesmo assim, a luta por um plano de saúde — que inclua também as esposas dos sucanzeiros — ainda não acabou.
À frente de um sindicato com mais de 15 mil filiados e presença em 32 órgãos públicos, Almir encerrou como começou — sem discurso de palanque:
"Eu conheço a dor de cada um de vocês porque passei por isso também. Pelos direitos de quem trabalha, somos inegociáveis."
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara já aprovou a admissibilidade da PEC que garante plano de saúde aos sucanzeiros. O que falta é quem empurre isso até o fim — dentro do plenário, com mandato e compromisso real.



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