As guerras de Israel no Oriente Médio imprimiram uma queda significativa no histórico apoio dos americanos ao país. Seis em cada dez americanos têm uma visão muito ou um tanto desfavorável de Israel, que equivale a um aumento de 7 pontos percentuais em relação ao ano passado e de quase 20 pontos desde 2022, de acordo com pesquisa recente do Pew Research Center.
A chamada relação especial entre os dois países enfrenta um processo de desconstrução, ameaçando o consenso bipartidário de apoio à ajuda militar dos EUA a Israel. A queda da popularidade de Israel entre os americanos é constatada em todos os grupos, mas em especial entre jovens e democratas — estes de olho nas eleições de meio de mandato, que definirão em novembro a nova composição do Congresso.
A mudança no meio político reflete a opinião pública, descontente com as guerras em Gaza, no Líbano e no Irã. Ficou evidente na votação de uma resolução do senador Bernie Sanders, semana passada, para bloquear a venda de equipamentos militares para Israel. O Senado rejeitou a medida, mas 40 dos 47 democratas —todos serão candidatos em novembro— a apoiaram, num nítido distanciamento de Israel. Em votação semelhante, há um ano, apenas 15 foram favoráveis.
As pesquisas de opinião revelam que a percepção dos americanos mudou radicalmente. Há dez anos, de acordo com o Instituto Gallup, 62% apoiavam Israel e 15%, a Palestina. Atualmente, os índices indicam 36% favoráveis a Israel e 41% aos palestinos.
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A pesquisadora Laura Silver, do Pew Research Center, observa que a maioria dos adultos com menos de 50 anos de ambos os partidos políticos avalia negativamente Israel e o seu primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.
“Como tem acontecido nos últimos anos, 76% dos democratas não confiam em Netanyahu – um aumento de 6 pontos percentuais em relação ao ano passado; 52% dizem não ter nenhuma confiança no primeiro-ministro, ou seja, 37% a mais do que no ano passado”, escreveu Silver sobre a pesquisa realizada um mês depois do início da guerra de EUA e Israel no Irã.
Candidatos democratas têm evitado buscar financiamento do Comitê de Assuntos Públicos Israelo-Americano (AIPAC), que se apresenta como bipartidário. Uma das vozes nos apelos pelo fim do financiamento da ajuda militar a Israel é a de Rahm Emanuel, ex-chefe de Gabinete da Casa Branca, ex-prefeito de Chicago e cotado como pré-candidato democrata nas eleições presidenciais de 2028.
Enquanto Emanuel estava na Casa Branca, sob o governo Obama, os EUA destinaram US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 6,5 bilhões) ao sistema de defesa Domo de Ferro. Segundo Emanuel, de origem judaica e que se posiciona como “um progressista responsável” do partido, a realidade mudou, e os contribuintes americanos não deveriam mais arcar com estes custos. O subsídio anual dos EUA a Israel é estimado em US$ 3,8 bilhões (cerca de R$ 18,9 bi).
“Nós financiamos o Domo de Ferro. Mas agora, os dias em que os contribuintes subsidiavam militarmente Israel, chegaram ao fim”, afirmou Emanuel em entrevista ao apresentador Bill Maher.



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