Publicada em 31/01/2026 às 09h42
Milhares de manifestantes lotaram as ruas de diversas cidades dos Estados Unidos nesta sexta-feira (30) para denunciar as operações de imigração e as políticas do governo Trump, em um ato que tomou proporções nacionais. Um número significativo de policiais mascarados monitorou o protesto.
A indignação provocada pelas mortes de dois manifestantes americanos baleados por agentes federais segue mobilizando o país.
Grandes protestos foram registrados desde o estado de Washington, no extremo oeste, até Nova Inglaterra, no lado oposto do país, em cidades como Minneapolis, Los Angeles, Houston, Nova York, Atlanta, Portland, Detroit e muitas outras.
Comércios e restaurantes fecharam as portas em solidariedade aos manifestantes. Estudantes abandonaram as aulas para tomar as ruas. No Arizona, algumas escolas cancelaram o dia de aula em antecipação à ausência em massa.
Os manifestantes marcharam apesar do frio intenso, de -17°C, com cartazes críticos ao presidente Donald Trump e ao ICE, a agência federal de imigração, cujos métodos agressivos são contestados.
“Eu moro aqui (...) e não acho que nosso governo deva nos aterrorizar dessa forma”, disse Sushma Santhana, engenheira de 24 anos, à AFP. “Estamos tentando expulsá-los daqui”, acrescentou Connie, outra manifestante, referindo-se aos agentes anti-imigração.
Um dos mortos, o enfermeiro Alex Pretti, atingido por dez tiros por agentes do ICE em 24 de janeiro, foi rotulado de "encrenqueiro" por Donald Trump.
Em Minneapolis, a lenda do rock Bruce Springsteen subiu ao palco para cantar uma música em homenagem às vítimas. O cantor, de 76 anos, compôs a canção depois da morte de Alex Pretti.
Em sua plataforma Truth Social, o presidente condenou a "demonstração de violência" do enfermeiro, em um vídeo viral que o mostra resistindo à prisão por agentes federais 11 dias antes de sua morte.
Depois de falar nos últimos dias em “desescalada” e indicar, por meio de seu enviado Tom Homan, que poderia reduzir o número de agentes que realizam batidas em Minneapolis, Trump lançou outro ataque virulento contra os manifestantes nesta sexta-feira: “insurgentes” e “agitadores financiados por rebeldes profissionais”, declarou ele.
Tom Homan afirmou à Fox News que Donald Trump ainda pretende "prosseguir com a deportação em massa" de imigrantes.
Prisão de jornalistas
Dois jornalistas americanos foram presos no contexto da cobertura dos recentes protestos, disse a procuradora-geral Pam Bondi, que se vangloriou no X de ter supervisionado “pessoalmente” a prisão do ex-âncora da CNN Don Lemon.
Ele está sendo processado por obstrução da liberdade religiosa por cobrir um protesto em uma igreja em Minnesota, de acordo com o Departamento de Segurança Interna.



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