PORTO VELHO, RO - Os seis candidatos ao Governo de Rondônia já registraram oficialmente as suas propostas junto à Justiça Eleitoral. Samuel Costa, do PSB; Hildon Chaves, do União Brasil; Marcos Rogério, do PL; Adaílton Fúria, do PSD; Expedito Netto, do PT; e Pedro Abib, do MDB, apresentam planos para comandar o Estado entre 2027 e 2030. Embora saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, desenvolvimento econômico, agricultura e modernização da máquina estadual apareçam, em maior ou menor grau, nos seis programas, as formas escolhidas para enfrentar os mesmos problemas mudam de uma candidatura para outra.
Há pontos de encontro claros. Todos tratam da necessidade de levar serviços de saúde para mais perto do interior, melhorar a educação, usar tecnologia na segurança, apoiar a produção, recuperar a infraestrutura e tornar a administração estadual mais eficiente. A diferença aparece quando os planos descem aos projetos concretos. É nesse nível que surgem propostas que carregam uma marca própria de cada candidatura, como a criação de uma universidade estadual, um programa específico de cinema, uma política de indústria naval, programas de regularização de motocicletas, um modelo em que todas as propostas apresentam fonte de recursos ou um sistema de metas associado aos primeiros cem dias de governo.
LEIA O PLANO DE GOVERNO DE SAMUEL COSTA
Samuel Costa coloca saúde, educação, valorização dos servidores, participação popular e presença do Estado no interior entre os pilares de seu programa. Na saúde, a principal obra prevista é um novo Hospital João Paulo II, planejado para funcionar em até quatro anos a partir do aproveitamento e da adaptação de uma estrutura federal localizada na BR-364, em Porto Velho. O cronograma proposto distribui transferência patrimonial e elaboração de projetos no primeiro ano, obras e equipamentos no segundo, conclusão da infraestrutura no terceiro e funcionamento no quarto. O plano prevê ainda fortalecimento dos hospitais regionais, mutirões para consultas, exames e cirurgias, telemedicina, expansão dos Centros de Atenção Psicossocial e criação de leitos de saúde mental em hospitais gerais.
Na educação, Samuel apresenta uma das diferenças mais claras em relação aos demais candidatos: a criação da Universidade Estadual de Rondônia. A proposta reserva pelo menos 80% das vagas para estudantes vindos da rede pública do Estado e prevê cursos ligados às vocações regionais, ciência, tecnologia, meio ambiente, licenciaturas, saúde e produção agrícola sustentável. O programa também estabelece a meta de 100 escolas estaduais de tempo integral, climatizadas e bilíngues, além de bolsas de mestrado e doutorado e de uma complementação estadual de pelo menos 50% sobre benefícios federais de permanência escolar, condicionada à frequência e ao aproveitamento do aluno.
Samuel também especifica números para a segurança pública. O plano prevê concursos e início da convocação de 2 mil novos profissionais até o final do segundo ano de governo, além de concurso para outros 300 integrantes de carreiras estratégicas, entre oficiais, delegados e peritos. Propõe ainda gratificação permanente equivalente a um salário mínimo para quem trabalha diretamente na atividade-fim, aumento de 100% nos auxílios alimentação e saúde, cercamento digital de fronteiras, reconhecimento facial e integração de bancos de dados. Na área econômica, estabelece que incentivos fiscais sejam vinculados à contratação de pelo menos 80% de trabalhadores locais. A Universidade Estadual, especialmente pela reserva mínima de vagas para estudantes da rede pública rondoniense, é a proposta que mais claramente separa o desenho educacional de Samuel dos outros cinco programas.

LEIA O PLANO DE GOVERNO DE HILDON CHAVES
Hildon Chaves organiza o programa em 14 eixos, passando por cidadania e combate à corrupção, segurança, saúde, educação, assistência social, agropecuária, infraestrutura, habitação, cultura, esporte, indústria, comércio, inovação, turismo, meio ambiente e modernização administrativa. Na saúde, o plano prevê investimentos na rede hospitalar estadual, um Hospital Regional em Ariquemes, ampliação e reforma de unidades existentes, fortalecimento dos hospitais do interior, regionalização dos atendimentos especializados e uso de telemedicina. Na educação, propõe ampliar gradualmente o ensino em tempo integral, enfrentar evasão e distorção idade-série, melhorar a alfabetização, valorizar os profissionais da rede e aproximar a formação dos estudantes das necessidades econômicas de cada região.
A segurança recebe uma abordagem que inclui de maneira detalhada o sistema penitenciário. O programa trata de modernização das unidades, inteligência penitenciária, videomonitoramento, reconhecimento facial, drones, controle eletrônico de acesso, trabalho prisional, qualificação e ressocialização. Na agropecuária, o plano combina estradas vicinais, mecanização, assistência técnica, logística, agroindustrialização e abertura de mercados. Na cultura, aparecem políticas de patrimônio material e imaterial, audiovisual, formação artística, circulação de produções e calendário anual de editais.
Uma diferença de Hildon está na maneira como o programa amarra o começo do mandato a um plano tático de cem dias. A proposta prevê diagnóstico das contas, contratos, obras e estruturas públicas, transformação das prioridades em planos executivos e criação do Painel Rondônia 2030, com metas, indicadores, responsáveis, cronogramas e estágio de execução disponíveis ao público. O mesmo período inicial inclui um mapa de riscos de integridade para compras, obras, contratos, folha de pagamento, convênios, saúde, educação e patrimônio. Entre os outros programas também há painéis, metas e ações iniciais, mas o plano de Hildon reúne esses elementos sob um instrumento específico chamado Painel Rondônia 2030 e os insere formalmente no roteiro dos cem primeiros dias.
LEIA O PLANO DE GOVERNO DE MARCOS ROGÉRIO
Marcos Rogério estrutura o plano em dez eixos e dá peso a saúde, segurança, infraestrutura, logística, educação técnica, agronegócio e reorganização administrativa. Na saúde, propõe regionalizar consultas, exames, cirurgias e leitos, fortalecer hospitais regionais e utilizar unidades móveis de alta resolutividade. As chamadas Carretas da Saúde seriam equipadas para exames e pequenos procedimentos em áreas mais distantes. Para as populações ribeirinhas, o plano prevê embarcações com atendimento clínico, pediatria, ginecologia, pré-natal, vacinação, exames, medicamentos e serviços odontológicos. Outra proposta é a construção de um Complexo Estadual de Trauma e Reabilitação, reunindo atendimento hospitalar de trauma, reabilitação, órteses, próteses e formação de profissionais.
A educação inclui Centros de Ofício e Tecnologia, formação profissional vinculada às vocações econômicas, o Instituto de Tecnologia e Formação Aplicada de Rondônia, o ITEC/RO, laboratórios de robótica e uma Escola Protegida, com catracas biométricas, botão do pânico e câmeras com inteligência artificial. O plano também prevê expansão das escolas cívico-militares. Na segurança, há propostas para drones, videomonitoramento, reconhecimento de placas, novas unidades do Denarc em Guajará-Mirim e Costa Marques, um Complexo Estadual de Ciências Forenses, laboratório de genética e ferramentas de investigação digital.
Na infraestrutura, Marcos estabelece uma meta objetiva: elevar de 26% para 45% a parcela pavimentada da malha rodoviária estadual até 2030. Também pretende manter mais de 80% das rodovias já asfaltadas em boas condições, criar a Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística, estruturar um fundo específico para investimentos e adotar um plano logístico com horizonte até 2040. É justamente na logística fluvial que surge uma das propostas mais particulares de seu programa. O Navega Rondônia combina pequenos terminais portuários, estímulo à indústria naval e um programa de “Barco Popular”, com fomento à substituição de embarcações de madeira por modelos de alumínio ou aço naval, motores modernos e placas solares. O plano também se diferencia ao apresentar uma política extensa de proteção animal, incluindo estudo para um Hospital Veterinário Público Estadual, Castramóvel, VetMóvel, castração gratuita e Código Estadual de Bem-Estar Animal.
LEIA O PLANO DE GOVERNO DE ADAÍLTON FÚRIA
Adaílton Fúria apresenta um programa dividido em quatro grandes pilares e 245 compromissos. Saúde, educação e segurança aparecem como prioridades sociais, sustentadas por desenvolvimento econômico, infraestrutura e organização da gestão estadual. Na saúde, o plano propõe reorganizar a regulação, descentralizar consultas, exames e cirurgias e rever as referências hospitalares. Ji-Paraná e Ariquemes aparecem entre os polos que podem ter suas estruturas reorganizadas, enquanto a unidade hospitalar inacabada de Cacoal é colocada como possibilidade para atendimento de urgência e emergência da Macro II, condicionada à análise de viabilidade.
O programa também cria uma Política Estadual de Neurodiversidade e Inclusão, envolvendo saúde, educação, assistência social, trabalho, esporte e cultura, com referências regionais e participação das famílias e das próprias pessoas neurodivergentes. Na educação, Fúria prevê avaliações diagnósticas, recuperação paralela, busca ativa contra o abandono e expansão do tempo integral com alimentação, transporte, acessibilidade, cultura, esporte, ciência, tecnologia e educação profissional. Na segurança, os primeiros cem dias seriam usados, entre outras medidas, para levantar o déficit de efetivo da Polícia Militar, Polícia Civil, Politec e Corpo de Bombeiros e publicar um plano de recomposição de pessoal com calendário de concursos.
Na infraestrutura, o Distritos que Avançam prevê pavimentação, drenagem, sinalização e melhoria das ligações entre distritos e sedes municipais, com estimativa inicial de R$ 60 milhões. Outro programa estabelece a recuperação de aproximadamente 1,7 mil quilômetros de malha pavimentada, com investimento estimado em R$ 1,2 bilhão ao longo da gestão, condicionado à capacidade financeira, aos projetos e à obtenção de recursos. Entre as propostas mais específicas de Fúria estão Moto Legal e Regulariza Veículo, voltados à regularização de motocicletas e demais veículos, com atenção especial para motos usadas como ferramenta de trabalho por pessoas de baixa renda. O mesmo bloco prevê a implantação gradual de infraestrutura para recarga de veículos elétricos, inclusive motocicletas elétricas, em rodovias, cidades e equipamentos estaduais. É uma combinação que não aparece com o mesmo desenho nos demais planos.
LEIA O PLANO DE GOVERNO DE EXPEDITO NETTO
Expedito Netto apresenta um programa organizado em 90 compromissos numerados. O método é parte central da própria proposta: cada ação informa se exige investimento ou custeio e cada eixo termina com a indicação de onde o dinheiro deverá vir. O documento também prevê transformar recomendações e determinações do Tribunal de Contas em metas do PPA 2028–2031, com relatório público de acompanhamento. Na economia, aparecem o programa Fábrica Perto da Porteira, para estimular industrialização de produtos que Rondônia ainda compra de outros estados, mudanças nos incentivos de ICMS, uma Rota do Café e do Cacau de Origem, energia rural e políticas voltadas à abertura de mercados para o pescado.
Na saúde, Expedito propõe o Pacto Mãe-Bebê Rondônia, com pré-natal, exames e busca ativa de gestantes, conclusão da maternidade de alto risco de Ji-Paraná e implantação de pelo menos um polo de UTI neonatal fora da capital. João Paulo II e HEURO aparecem como compromissos específicos, enquanto a fila da regulação teria protocolo, prazo, transparência por especialidade e acompanhamento individual. Na segurança, o Rondônia Protege as Mulheres prevê tornozeleira no agressor, dispositivo de acompanhamento para a vítima, alerta automático, central de monitoramento 24 horas e ampliação da Patrulha Maria da Penha. Também aparecem medidas para violência sexual contra crianças, videomonitoramento e crime organizado na fronteira.
O saneamento recebe uma formulação própria. O Programa Água Pública Sustentável propõe recuperar a Caerd por meio de aporte de capital, financiamentos de longo prazo, modernização da gestão, redução das perdas e metas condicionadas a acompanhamento técnico. Na infraestrutura, o plano prevê uma Sala de Situação para obras paralisadas, contratos por desempenho no DER e uma frente institucional permanente para acompanhar a concessão da BR-364. O diferencial mais evidente de Expedito, porém, está menos em uma obra isolada e mais no formato do programa: nenhum outro dos cinco planos organiza toda a proposta em uma sequência de 90 compromissos em que cada eixo explicita a fonte prevista de recursos e vincula formalmente recomendações do controle externo às futuras metas do PPA. O próprio documento encerra registrando que os compromissos vão de C1 a C90.
LEIA O PLANO DE GOVERNO DE PEDRO ABIB
Pedro Abib apresenta o plano “Caminhos para Rondônia 2027–2030”, cuja ideia central é reorientar a matriz econômica do Estado para reduzir a dependência da venda de matéria-prima e fazer uma parcela maior da riqueza permanecer em Rondônia. O programa organiza essa estratégia em oito frentes: governança e gestão; desenvolvimento sustentável no agro; logística e armazenagem; serviços e geração de empregos; educação e redução das desigualdades; bem-estar social; ciência, tecnologia e inovação; e turismo, economia criativa e empreendedorismo.
Na economia e no campo, Pedro propõe ampliar a agroindustrialização, verticalizar a produção de leite, estruturar a cadeia de suínos, fortalecer assistência técnica, agricultura familiar, crédito rural, energia e conectividade no campo e ampliar armazenagem e cadeia fria. Na logística, o plano trata de BR-364, BR-319, hidrovia do Madeira, Ponte Binacional Brasil-Bolívia, aeroportos, armazenagem de grãos e futura Ferrovia Bioceânica. Também prevê acompanhar a estruturação de rotas de integração com o Pacífico e utilizar o Fitha com prioridade para manutenção de estradas de escoamento da produção.
Na educação, Pedro propõe criar o Índice Rondônia do Ensino Médio, o IREM, com a meta de aproximar os indicadores estaduais da média nacional. O plano também prevê ampliar vagas em tempo integral, universalizar internet na rede estadual, recompor aprendizagens, adotar avaliações diagnósticas, investir na formação de professores e planejar a reposição do quadro diante das aposentadorias. Na saúde, aparecem descentralização, consórcios intermunicipais, prontuário eletrônico integrado, telemedicina, fortalecimento dos hospitais regionais, conclusão da maternidade de alto risco de Ji-Paraná, busca de recursos para uma maternidade de alto risco em Porto Velho, regionalização de UTI neonatal, recuperação do João Paulo II e solução para o HEURO. O plano fixa ainda a meta de reduzir a mortalidade infantil para 10,5 óbitos por mil nascidos vivos até 2030.
Na segurança, Pedro estabelece como objetivo reduzir as mortes violentas intencionais para no máximo 20 por 100 mil habitantes até 2030 e diminuir em 20% os feminicídios e tentativas, além de ampliar tecnologia, inteligência, atuação de fronteira e Patrulha Rural. Uma das propostas que individualizam seu plano aparece na cultura. O programa Rondônia Tela Amazônica prevê política estadual para o audiovisual, estruturação de um polo de cinema, cursos de formação técnica, criação de uma Film Commission e até uma Empresa Pública Estadual do Cinema Rondoniense. Nenhum dos outros cinco programas traz a mesma combinação institucional para o setor audiovisual.
No conjunto, os seis candidatos chegam a problemas semelhantes por caminhos diferentes. Samuel Costa concentra uma de suas marcas na Universidade Estadual e em metas numéricas para escolas e concursos; Hildon Chaves formaliza o início do mandato em um plano de cem dias ligado ao Painel Rondônia 2030; Marcos Rogério apresenta projetos próprios para navegação, indústria naval e proteção animal; Adaílton Fúria cria programas específicos para regularização de motos e mobilidade elétrica; Expedito Netto amarra os 90 compromissos a fontes de financiamento e ao acompanhamento do controle externo; e Pedro Abib combina a mudança da matriz econômica com instrumentos próprios como o IREM e uma estrutura estadual voltada ao cinema. São diferenças que estão escritas nos programas e que permitem ao eleitor identificar não apenas quais áreas cada candidatura promete atender, mas também que tipo de solução pretende levar ao Palácio Rio Madeira a partir de 2027.


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