Prof. Me. Herbert Lins – MTE 1143
Pesquisa mostra força dos debates eleitorais: apesar das críticas ao formato, eleitor ainda quer ver candidatos confrontados e discutindo propostas
CARO LEITOR, a pesquisa CNT/MDA, registrada no TSE sob o nº BR-06935/2026, mostra que os debates continuam relevantes para o eleitor. Segundo o levantamento, 61% consideram que eles influenciam positivamente a escolha dos candidatos a governador e à Presidência da República. Para 39,3%, são importantes para conhecer melhor os candidatos e discutir propostas, enquanto 21,7% valorizam a oportunidade de observar suas reações quando confrontados diretamente. Há críticas: 20,2% consideram o formato ruim por terminar em discussões pessoais, e 11,7% o veem como desgastado e superficial. Outros 7% não souberam ou não responderam. Os números mostram que, apesar das críticas, o debate permanece como importante espaço de exposição, confronto e cobrança. Na era das redes sociais, cada resposta pode se transformar em corte, conteúdo de campanha e argumento político. Para quem disputa um cargo majoritário, portanto, não comparecer também transmite uma mensagem. O debate não termina quando as câmeras são desligadas, pelo contrário, os efeitos podem continuar até a urna.
Debates
Os debates eleitorais deixaram de ser apenas um confronto de candidatos diante das câmeras. Hoje, são verdadeiras usinas de conteúdo político. Um único embate pode render cortes para redes socias durante dias ou até semanas, influenciando a percepção do eleitor muito depois do fim do debate.
Comportamento
O jornalista Fernando Mitre, no livro de sua autoria Debates na Veia, e a tese de doutorado em Ciência Política da professora Sandra Avi dos Santos sobre o comportamento eleitoral e a trajetória de candidatos em debates televisivos no Brasil ajudam a compreender os efeitos nas campanhas eleitorais.
Formato
Há quem critique o formato. Parte dos eleitores considera que os confrontos descambam para discussões pessoais ou não aprofundam suficientemente os temas. Ainda assim, os debates continuam despertando enorme interesse.
Evidente
Mesmo com poucos debates na última eleição municipal de Porto Velho, ficou evidente o confronto pessoal e o peso das ausências. Apesar das críticas à qualidade dos embates, a audiência permaneceu elevada, confirmando o interesse do eleitor em ouvir e confrontar os candidatos.
Ausência
E quem foge do debate? Quem foge do debate pode evitar uma saia-justa, mas também perde a chance de falar diretamente ao eleitor. Em 2024, a ausência de Mariana Carvalho (União) no último debate do primeiro turno foi apontada como fator para reduzir sua vantagem e levar a disputa ao segundo turno.
Venceu
Em 1998, Fernando Henrique Cardoso venceu a eleição presidencial sem participar de debates, mostrando que não existe fórmula matemática. No fim, comparecer ou não é uma decisão estratégica: cada candidato calcula riscos, mede sua capacidade de resposta e avalia o compromisso de prestar contas ao eleitor.
Primeiro
O primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Rondônia nas eleições de 2026 reuniu Hildon Chaves (União Brasil), Marcos Rogério (PL), Adailton Fúria (PSD), Pedro Abib (MDB), Expedito Netto (PT) e Samuel Costa (PSB).
Confronto
O encontro foi promovido pelo Grupo Rondovisão TV, afiliado à Rede Bandeirantes em Rondônia, e durou pouco mais de duas horas e meia. A programação teve perguntas temáticas, confrontos diretos, questionamentos de entidades e considerações finais.
Problemas
A transmissão registrou alguns problemas técnicos, próprios da dinâmica de um programa ao vivo. Em determinado momento, foi necessário utilizar cronômetros de celulares para controlar o tempo dos candidatos. Os imprevistos foram contornados pelo mediador Marcelo Reis.
Defensiva
O candidato a governador Marcos Rogério (PL), líder nas pesquisas, deveria ser o principal alvo. Não foi. Os adversários dividiram as ofensivas e permitiram que o candidato do PL atravessasse o debate sem ficar permanentemente na defensiva.
Respondeu
Marcos Rogério (PL) respondeu sem abandonar o próprio eixo ao ser questionado por Expedito Netto (PT) sobre a privatização da Eletrobras e a concessão da BR-364. Diferenciou os processos, lembrou ter relatado a privatização no Senado e atribuiu ao Governo Lula o modelo da rodovia.
Reconheceu
No confronto com Adailton Fúria (PSD) sobre o hospital de Ji-Paraná, Marcos Rogério (PL) reconheceu a demora, separou a função parlamentar de destinar recursos da responsabilidade dos gestores municipais pela execução da obra e citou valores que, segundo ele, estariam disponíveis para construção da unidade.
Enfadonha
O neófito na política Pedro Abib (MDB) recorreu ao discurso técnico e demonstrou conhecer os planos de governo dos adversários. A estratégia funcionou, mas o excesso de tecnicidade tornou sua participação enfadonha e distante do eleitor comum.
Sabe
Pedro Abib (MDB) sabe que precisa chegar ao segundo turno e, para isso, terá de superar Adailton Fúria (PSD). No debate, encontrou uma chance: ao questioná-lo sobre ciência, tecnologia, inovação e a Fapero, expôs uma fragilidade clara de Fúria ao eleitor.
Questão
Pedro Abib (MDB) iniciou a pergunta a Fúria (PSD) com uma formulação técnica, que poderia ser confundida com outro tema, e aguardou a reação. Fúria falou sobre interrupções de energia e citou mudanças na Fapero, mas não respondeu ao centro da questão.
Preciso
Na réplica, Pedro Abib (MDB) esclareceu o tema da pergunta e apontou que Fúria havia discorrido sobre outros assuntos sem apresentar uma política efetiva para ciência, tecnologia e inovação. O golpe foi preciso e deixou sua marca no debate.
Viralização
O candidato a governador Samuel Costa (PSB) entendeu que o debate não termina na TV. Frases de efeito, provocações a Adailton Fúria (PSD) e Expedito Netto (PT) e referências populares foram calculadas para virar cortes e circular nas redes. Na viralização, saiu na frente.
Exagerou
Samuel Costa (PSB) também exagerou no desabafo. O confronto com Expedito Netto (PT) ultrapassou a crítica política e entrou no campo pessoal. Ao deixar a crise interna do PSB, provocada por Netto, dominar parte do debate, perdeu espaço para propostas.
Marcas
Expedito Netto (PT), por sua vez, surpreendeu pela serenidade. Diante das provocações, não perdeu o controle e evitou entregar ao adversário uma reação capaz de ampliar o episódio. A calma foi uma das marcas de sua participação.
Missão
Adailton Fúria (PSD) teve uma missão delicada: defender o apoio do governador Coronel Marcos Rocha (PSD) sem parecer o candidato da continuidade no Palácio Rio Madeira. Soube esquivar-se das provocações dos adversários, mas deixou uma pergunta: onde termina Rocha e começa Fúria?
Distante
Hildon Chaves (União) ficou muito distante do debatedor que marcou as eleições de 2016 e 2020. A experiência administrativa apareceu, mas faltaram confronto e respostas capazes de produzir momentos memoráveis, como nos debates pela Prefeitura de Porto Velho.
Precisa
A equipe de marketing de Hildon Chaves (União) precisa entender que debate não termina quando as câmeras são desligadas: ele vira conteúdo nas redes. A ausência de estratégia de comunicação pode custar caro. Quem quer vencer precisa criar fatos que viralizem.
Marqueteiros
Cada candidato a governador compareceu ao debate da Rondovisão TV acompanhado dos seus respetivos marqueteiros e corpo jurídico da campanha. Ganhou destaque a presença dos marqueteiros Marcelo Vitorino de Marcos Rogério (PL) e João Kaleche de Adailton Fúria (PSD).
Absoluto
No fim, como bem escreveu o jornalista Vinicius Canova, o debate mostrou que não existe vencedor absoluto. Há quem queira evitar danos, quem precise criar fatos e quem busque apenas ser lembrado. Na eleição digital, cada resposta pode virar argumento, corte, meme ou munição.
Vice-governador
Promovido pelo jornal eletrônico Rondônia ao Vivo, ocorreu ontem o debate entre candidatos a vice-governador. A organização e a logística foram superiores às da Rondovisão TV. A coluna parabeniza Paulo Andreoli pela iniciativa inédita e Ivan Frasão pela mediação.
Perfis
O debate entre os candidatos a vice-governador reuniu Everton Leoni (PSD), delegado Rodrigo Camargo (Podemos), Sargento Machado (PSB), Luiz Teodoro (PSOL), Mauro Santos (MDB) e Cirone Deiró, que apresentaram diferentes perfis e níveis de preparo.
Domínio
O debate entre os candidatos a vice-governador revelou despreparo de quase todos, com alguns recorrendo a anotações para formular ou responder perguntas. A exceção foi Cirone Deiró, que dispensou a “colinha” e mostrou domínio das complexidades de Rondônia.
Provocações
O ponto alto do debate entre os candidatos a vice-governador foi o confronto entre Sargento Machado (PSB), Everton Leoni (PSD) e o delegado Rodrigo Camargo (Podemos). Machado fez críticas contundentes aos adversários, que responderam às provocações durante o embate.
Mostrou
Enfim, o primeiro debate entre vices mostrou que eles também têm muito a dizer e explicar. A iniciativa inédita do Rondônia ao Vivo ampliou a disputa, revelou perfis, preparo e estratégias. Afinal, vice não é figurante: pode chegar ao comando do Estado.
Sério
Falando sério, debate não é apenas televisão. É conteúdo, narrativa, memória e munição para as redes. Quem entra no estúdio precisa saber que, ao apertar o botão de desligar as câmeras, a disputa apenas começou.


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